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Sustentabilidade começa na governança

Como afirmou o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, 'não existe Plano B, porque não existe Planeta B.' A frase traduz a importância de uma responsabilidade que precisa ser compartilhada por governos, empresas e sociedade

Como advogada e conselheira de algumas empresas, tenho acompanhado de perto a crescente importância da sustentabilidade nas decisões estratégicas das organizações. Embora muitos desses assuntos sejam inicialmente discutidos em comitês temáticos, questões relevantes chegam também aos conselhos, exigindo uma visão ampla, responsável e, sobretudo, de longo prazo.

Entre os temas que passam pela avaliação dos conselheiros estão os riscos ambientais e climáticos, a gestão de resíduos, a eficiência no uso de recursos naturais, a responsabilidade nas cadeias de fornecedores, as relações com as comunidades, a diversidade nas lideranças e os impactos que essas questões podem representar para a reputação, a competitividade e a continuidade dos negócios.

A sustentabilidade deixou de ser uma pauta periférica para ocupar um espaço importante na governança corporativa. Não se trata apenas de atender às exigências regulatórias ou apresentar indicadores positivos nos relatórios anuais, mas de compreender como as decisões tomadas hoje poderão impactar o futuro das empresas e da sociedade.

Diante da abrangência do tema, o Grupo Conselheiras®, fundado por mim, possui um Comitê de Sustentabilidade, composto por profissionais com diferentes experiências e trajetórias. Em breve, divulgaremos uma pesquisa desenvolvida pelo comitê, com o propósito de compreender o estágio da sustentabilidade nas organizações dos mais diversos segmentos, independentemente de seu porte ou natureza, sejam empresas de capital aberto ou fechado, públicas ou privadas.

A iniciativa busca identificar como as companhias estão incorporando a sustentabilidade às suas estratégias, quais desafios enfrentam e servir como mais um instrumento de apoio às organizações. Nossa intenção é também apresentar diferentes realidades e incentivar empresas que ainda não avançaram nessa agenda a reconhecer sua importância.

Eu, particularmente, tenho observado que um dos grandes desafios está justamente em transformar compromissos em práticas efetivas. Muitas organizações já reconhecem a relevância da sustentabilidade, mas ainda encontram dificuldades para integrá-la às decisões estratégicas, estabelecer prioridades e acompanhar resultados concretos.

É nesse contexto que a atuação dos conselhos e comitês, sejam eles de administração, consultivos ou temáticos, torna-se fundamental nas companhias. Cabe aos conselheiros provocar discussões, formular perguntas, avaliar riscos e oportunidades e assegurar que a sustentabilidade não seja tratada como uma iniciativa isolada, mas como parte das decisões e prioridades da empresa.

Acredito também que essa responsabilidade não deve estar restrita às grandes corporações. Pequenas e médias empresas, negócios familiares e organizações em diferentes estágios de desenvolvimento podem incorporar práticas sustentáveis à sua realidade. Isso não significa necessariamente realizar grandes investimentos, mas compreender os impactos das decisões empresariais.

Como afirmou o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, “não existe Plano B, porque não existe Planeta B.” A frase traduz a importância de uma responsabilidade que precisa ser compartilhada por governos, empresas e sociedade.

Hoje, o mercado espera de conselheiros e executivos uma visão 360°, que contemple finanças, economia, geopolítica, tecnologia, inovação, gestão de riscos e liderança. Diante de tantas competências exigidas, deixo uma provocação: por que não incluir também a sustentabilidade entre os conhecimentos indispensáveis para quem participa das decisões sobre o futuro das empresas?

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Atualizado em: 29/10/2026 09:50