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Durante anos, as transformações do marketing foram associadas ao surgimento de novos canais. Redes sociais, influenciadores, automação, retail media e, mais recentemente, inteligência artificial mudaram a forma de comunicar. Agora, a transformação começa a acontecer dentro da própria estrutura das empresas.
Marketing, vendas, produto e dados passam a dividir decisões antes restritas a áreas separadas. Para Nina Leonel, CEO da Sculpt, consultoria estratégica de negócios e marketing, a mudança vai além da adoção de novas ferramentas.
“A grande transformação não é simplesmente colocar inteligência artificial no marketing. É perceber que marketing deixou de ser uma área que recebe uma estratégia pronta para comunicar e passou a participar da construção da própria estratégia de crescimento”, afirma.
Na prática, decisões de comunicação passam a considerar público, jornada de compra, vendas, experiência do cliente, posicionamento e performance. O marketing deixa de atuar apenas no fim do processo e passa a participar desde a definição do problema até a análise dos resultados.
Outro movimento está na forma como os dados são utilizados. Durante muito tempo, indicadores serviam principalmente para medir se uma campanha havia funcionado. Agora, começam a ser usados antes da execução, ajudando a definir prioridades, públicos, canais e mensagens.
“Os dados deixaram de ser apenas uma ferramenta de mensuração. Eles passaram a ajudar a responder o que deve ser feito, para quem e em qual momento. Isso muda a lógica do planejamento”, diz Nina.
Essa mudança também afeta a criatividade. Em vez de desenvolver uma mensagem única e depois adaptá-la a diferentes plataformas, empresas passam a pensar a comunicação a partir dos contextos em que o público está presente.
A inteligência artificial entra nesse processo como acelerador. Ferramentas generativas e sistemas de análise permitem organizar informações, identificar padrões, testar hipóteses e produzir conteúdos em menos tempo.
“A inteligência artificial reduz drasticamente o tempo entre uma pergunta e uma resposta. O problema é que ela não resolve sozinha se a empresa está fazendo a pergunta certa”, afirma Nina.
Na avaliação da executiva, quanto maior a capacidade de produção, mais importante se torna a estratégia. Se diferentes empresas passam a ter acesso às mesmas ferramentas, o diferencial deixa de estar apenas na execução.
“Produzir mais rápido não significa necessariamente tomar decisões melhores. Sem clareza de posicionamento e objetivo, a tecnologia pode fazer uma empresa executar com eficiência uma estratégia errada”, acrescenta.
A Sculpt vem incorporando essa lógica aos próprios processos, utilizando inteligência artificial como apoio à análise e organização de informações, mas mantendo a leitura estratégica sob responsabilidade de especialistas. A transformação também altera a relação com parceiros externos. Agências e consultorias deixam de ser chamadas apenas para executar campanhas e passam a ser cobradas por maior compreensão do negócio.
“As empresas precisam de parceiros capazes de entender o contexto, questionar decisões e conectar comunicação com crescimento. Nesse cenário, a principal tendência não está em uma única tecnologia, mas na integração entre estratégia, dados, criatividade e negócio.”, completa Nina.
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