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Benefícios corporativos ganham papel estratégico

Para Elisa Mendoza, diretora de Recursos Humanos da MSD Brasil, empresas que desejam atrair, engajar e reter talentos precisam enxergar o bem-estar como parte da estratégia de negócios

Durante muito tempo, benefícios corporativos foram vistos como um complemento à remuneração. Hoje, essa lógica mudou. Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e marcado por diferentes gerações convivendo no mesmo ambiente profissional, empresas passaram a utilizar os benefícios como uma ferramenta estratégica para promover qualidade de vida, fortalecer a cultura organizacional e aumentar a capacidade de atração e retenção de talentos.

Para Elisa Mendoza, diretora de Recursos Humanos da MSD Brasil, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade para organizações que desejam permanecer competitivas e sustentáveis.

“Esse debate saiu da periferia das discussões corporativas e passou a ocupar o centro das estratégias de gestão de pessoas. Hoje, oferecer condições para que os colaboradores conciliem trabalho, vida pessoal e bem-estar é uma questão estratégica para os negócios”, afirma.

A executiva destaca que os impactos desse equilíbrio vão além da satisfação individual e refletem diretamente na produtividade, no engajamento e na permanência dos profissionais nas empresas.

Dados da pesquisa global Work-Life Balance Statistics and Facts 2025 reforçam essa percepção. O levantamento aponta que colaboradores que conseguem manter um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional podem ser até 21% mais produtivos e apresentam níveis significativamente mais altos de satisfação no trabalho. Além disso, 28% dos profissionais consideram esse fator mais importante do que a própria remuneração ao avaliar uma oportunidade de emprego.

Benefícios precisam refletir a diversidade das pessoas

Na avaliação de Elisa, um dos maiores desafios das empresas é compreender que não existe um modelo único capaz de atender às necessidades de todos os colaboradores.

Com diferentes gerações compartilhando o mesmo ambiente de trabalho, as expectativas variam conforme momento de vida, prioridades pessoais e objetivos profissionais.

“Na MSD convivemos hoje com quatro gerações diferentes. São pessoas com necessidades, desejos e expectativas distintas. Por isso, não é possível pensar em benefícios sem considerar essa diversidade”, explica.

Esse movimento vem impulsionando uma tendência crescente de personalização dos pacotes de benefícios. Segundo dados da consultoria Robert Half, 84% dos profissionais gostariam de ter maior autonomia para escolher os benefícios mais adequados à sua realidade.

Para especialistas, esse cenário exige que as empresas deixem de oferecer soluções padronizadas e avancem para modelos mais flexíveis e personalizados.

Flexibilidade e bem-estar ganham protagonismo

A preocupação com qualidade de vida também vem se refletindo nos investimentos das organizações.

Levantamentos recentes mostram que 84% das empresas brasileiras já adotam iniciativas voltadas ao bem-estar dos colaboradores, enquanto 63% oferecem horários flexíveis e 72% já operam em modelos híbridos de trabalho.

Na visão de Elisa Mendoza, essas práticas ajudam a dar mais autonomia aos profissionais e permitem que cada pessoa administre melhor suas diferentes responsabilidades.

“Quando falamos em bem-estar, não estamos nos referindo apenas à saúde física. Precisamos considerar também os aspectos emocionais, psicológicos e sociais que influenciam a experiência das pessoas no trabalho”, afirma.

Saúde mental entra definitivamente na agenda corporativa

O avanço das discussões sobre saúde mental também contribuiu para ampliar a importância dos benefícios corporativos.

A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que exige das empresas a identificação e gestão de riscos psicossociais, reforçou a necessidade de olhar para o bem-estar de forma mais ampla e estruturada.

Segundo Elisa, as organizações precisam criar ambientes que sejam não apenas produtivos, mas também seguros, acolhedores e saudáveis.

Na MSD Brasil, uma das iniciativas adotadas foi o fortalecimento de uma plataforma interna de bem-estar integral, que inclui apoio especializado para situações de crise emocional e ações voltadas à promoção da saúde mental.

“À medida que a saúde mental deixou de ser um tabu, observamos um crescimento da confiança dos colaboradores em utilizar esses recursos. Hoje eles são vistos como ferramentas importantes de apoio e cuidado”, explica.

Benefícios sem cultura não geram resultado

Apesar dos avanços, a executiva faz um alerta: benefícios, sozinhos, não são suficientes para garantir qualidade de vida ou felicidade no trabalho.

Segundo ela, os resultados dependem da construção de uma cultura organizacional baseada em pertencimento, respeito, confiança e propósito.

“Trabalhar em um ambiente onde existe respeito, conexão e sentido faz toda a diferença na percepção de qualidade de vida. Os benefícios são importantes, mas precisam estar inseridos dentro de um contexto cultural coerente”, afirma.

Pesquisas sobre felicidade corporativa mostram que fatores como orgulho de pertencer à empresa, relações saudáveis e sensação de realização profissional estão entre os principais impulsionadores da satisfação no trabalho.

O papel do RH em um cenário de expectativas cada vez mais diversas

Para Elisa Mendoza, um dos grandes desafios do RH moderno é equilibrar as necessidades individuais dos colaboradores com a realidade e a estratégia da organização.

Ela reconhece que dificilmente uma empresa conseguirá atender integralmente às expectativas de todos os profissionais.

“Cada pessoa vive uma fase diferente da vida e possui prioridades distintas. O papel do RH é lidar com essa complexidade de forma responsável, estratégica e empática, sempre alinhada à cultura da empresa”, destaca.

Por isso, a MSD realiza revisões periódicas de seu portfólio de benefícios para avaliar quais iniciativas continuam relevantes e quais precisam evoluir.

A prática reflete uma realidade cada vez mais presente nas organizações: o equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é um conceito fixo, mas uma construção contínua que acompanha as transformações da sociedade, do mercado e das próprias pessoas.

Em um cenário onde talento se tornou um dos ativos mais valiosos das empresas, investir em bem-estar, flexibilidade e personalização deixou de ser apenas uma questão de cuidado. Tornou-se uma estratégia fundamental para atrair, desenvolver e reter profissionais em um mercado cada vez mais competitivo.

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Atualizado em: 16/06/2026 10:50