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Notícia

Retomada do seguro-desemprego: veja quando é possível reativar o benefício em 2026

Trabalhadores que tiveram o seguro-desemprego suspenso após conseguir um novo emprego podem voltar a receber as parcelas restantes, desde que cumpram os requisitos previstos na legislação

O trabalhador que teve o seguro-desemprego suspenso por ter conseguido um novo emprego pode voltar a receber as parcelas restantes do benefício caso seja demitido novamente em determinadas situações. O procedimento, conhecido como retomada do seguro-desemprego, possui regras específicas quanto aos prazos, hipóteses de concessão e forma de solicitação.

Em 2026, o benefício continua sendo um importante instrumento de proteção ao trabalhador desempregado. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), milhões de trabalhadores são atendidos anualmente pelo programa, incluindo aqueles que precisam reativar parcelas que haviam sido suspensas.

O que é a retomada do seguro-desemprego?

A retomada do seguro-desemprego permite que o trabalhador volte a receber as parcelas que ainda restavam do benefício original quando o pagamento foi interrompido em razão da obtenção de um novo emprego.

Isso ocorre porque o seguro-desemprego é automaticamente suspenso quando há novo vínculo empregatício formal.

Caso esse novo contrato seja encerrado nas condições previstas pela legislação, o trabalhador poderá solicitar a reativação das parcelas remanescentes, sem necessidade de iniciar um novo pedido do benefício.

Quem pode solicitar a retomada?

A retomada do seguro-desemprego é permitida quando o trabalhador atende simultaneamente aos seguintes requisitos:

  1. Teve o benefício suspenso após conseguir novo emprego;
  2. Foi dispensado sem justa causa ou teve encerrado contrato por prazo determinado, inclusive contrato temporário ou de experiência;
  3. A nova demissão ocorreu em até 16 meses da dispensa que originou o seguro-desemprego;
  4. O pedido de retomada é apresentado em até 120 dias após o novo desligamento.

Caso qualquer um desses requisitos não seja atendido, o trabalhador deverá verificar se reúne as condições para solicitar um novo seguro-desemprego.

Quantas parcelas podem ser reativadas?

Na retomada, o trabalhador recebe apenas as parcelas que ainda não haviam sido pagas quando o benefício foi suspenso.

O número total de parcelas concedidas originalmente varia conforme o tempo de trabalho antes da primeira demissão:

Tempo trabalhado Parcelas do benefício
De 6 a 11 meses 3 parcelas
De 12 a 23 meses 4 parcelas
24 meses ou mais 5 parcelas

Por exemplo, quem tinha direito a cinco parcelas e recebeu apenas duas antes de conseguir um novo emprego poderá reativar as três parcelas restantes, caso cumpra os requisitos legais.

Qual o valor do seguro-desemprego em 2026?

Os valores do benefício foram reajustados pelo Ministério do Trabalho e Emprego a partir de 11 de janeiro de 2026, com base na variação do INPC.

O cálculo considera a média dos salários dos três meses anteriores à demissão.

Em 2026, aplicam-se as seguintes faixas:

Média salarial Valor da parcela
Até R$ 2.222,17 80% da média salarial
De R$ 2.222,18 até R$ 3.703,99 R$ 1.777,74 + 50% do valor que exceder R$ 2.222,17
Acima de R$ 3.703,99 Parcela fixa de R$ 2.518,65

Independentemente do cálculo, nenhuma parcela pode ser inferior ao salário mínimo vigente, fixado em R$ 1.621,00.

Quando a retomada não é permitida?

Nem toda interrupção do vínculo de emprego permite reativar o benefício.

O trabalhador perde o direito à retomada quando:

  1. Pede demissão do novo emprego;
  2. É dispensado após o prazo de 16 meses da primeira demissão;
  3. Deixa transcorrer mais de 120 dias para solicitar a retomada;
  4. Não atende às demais exigências previstas na legislação.

Nessas situações, será necessário verificar se há direito a um novo requerimento de seguro-desemprego.

Como solicitar a retomada?

O pedido pode ser realizado pela internet ou presencialmente.

Solicitação online

A retomada pode ser solicitada por meio de:

  1. Portal Gov.br;
  2. Aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

Após acessar o sistema com a conta Gov.br, o trabalhador deve localizar o serviço referente ao seguro-desemprego e encaminhar a solicitação conforme as orientações da plataforma.

Atendimento presencial

Também é possível realizar o pedido em unidades de atendimento, como:

  1. Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTE);
  2. Postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine);
  3. outros postos autorizados.

No caso das SRTEs, o atendimento deve ser previamente agendado pelo telefone 158.

Documentos necessários

Para solicitar a retomada do benefício, normalmente são exigidos:

  1. CPF;
  2. Requerimento do seguro-desemprego emitido pelo empregador no desligamento sem justa causa.

Por isso, é fundamental que as empresas entreguem corretamente toda a documentação rescisória ao trabalhador.

Como recorrer em caso de suspensão indevida?

Se o benefício for suspenso por erro administrativo ou se a retomada for indeferida, o trabalhador pode apresentar recurso administrativo.

O procedimento pode ser realizado pelo Portal Gov.br ou pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, mediante apresentação da justificativa e dos documentos que comprovem o direito ao benefício.

Impactos para empresas e profissionais de RH

Embora a retomada do seguro-desemprego seja um procedimento realizado pelo trabalhador, as empresas desempenham papel importante no processo.

O correto envio das informações ao eSocial e a entrega do requerimento do seguro-desemprego no momento da rescisão são essenciais para evitar atrasos ou indeferimentos do benefício.

Para profissionais de Departamento Pessoal e Recursos Humanos, manter os procedimentos rescisórios em conformidade com a legislação contribui para reduzir inconsistências e assegurar que o trabalhador possa exercer seu direito caso precise solicitar a retomada das parcelas do seguro-desemprego.