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Fim da escala 6x1: 4 perguntas para o empreendedor fazer antes de decidir se contrata mais funcionários ou reorganiza a escala

Especialistas ouvidos por PEGN apontam que decisão entre automatizar ou admitir novos colaboradores dependente da produtividade e do funcionamento de cada operação

O Senado aprovou, na noite desta quarta-feira (14/10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propunha o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com a garantia de dois dias de folga por semana.

Frente a essas mudanças, empreendedores precisarão contratar novos funcionários ou reorganizar o quadro de colaboradores é um cenário possível? Procurados por PEGN, especialistas afirmam que a resposta depende de cada negócio e de quão tecnológica é a operação.

A adoção de uma jornada de trabalho menor não implica, necessariamente, elevar os gastos com salários, mas exige uma mudança na gestão, já que o desafio é aumentar a produtividade por hora trabalhada, em vez de depender apenas da contratação de mais funcionários.

Estratégias como banco de horas, automação, com autoatendimento, cardápios digitais, inteligência artificial e sistemas de gestão, e reorganização de turnos podem fazer a diferença em empreendimentos, uma vez que reduzem a dependência de mão de obra sem contratar, explica Soares.

Isso não significa, contudo, que a contratação de novos funcionários não seja necessária em nenhum caso. Em negócios com alta demanda presencial e atendimento contínuo, como o de alimentação, admitir novos colaboradores pode ser uma necessidade.

O professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Rodrigo Paiva, explica que empresas que funcionam diariamente terão uma redução de cerca de quatro horas semanais de trabalho por funcionário com a nova regra. “Em uma estimativa aproximada, a cada dez empregados que eu reduzir, precisarei contratar mais um”, afirma.

Em casos onde a empresa já funciona com muitas horas extras e faltas constantes, Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que a nova escala irá deixar mais explícita a carência de funcionário que antes estava mascarado pela sobrecarga.

Mas, antes de realizar novas contratações, os especialistas indicam que o empreendedor faça essas perguntas:

1. Quanto o negócio depende das horas presenciais?

O empreendedor precisa analisar com cuidado o funcionamento da empresa e entender até que ponto a operação depende das horas trabalhadas presencialmente. “A empresa precisa mensurar o quanto depende dessa carga horária”, afirma o professor da ESPM.

2. O que acontece se a empresa fechar um dia por semana?

Para negócios que não oferecem serviços essenciais, Paiva recomenda comparar dois cenários: o impacto financeiro de aumentar os gastos com funcionários e a perda de faturamento ao deixar de operar em um dia da semana.

3. Qual é a produtividade por hora trabalhada?

Funcionários descansados podem apresentar um desempenho melhor. Ou seja, o ganho de produtividade pode ajudar a compensar a redução da jornada de trabalho, é o que aponta Lina Nakata, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

4. Quanto custa contratar um funcionário?

Além dos salários, o empreendedor deve considerar os encargos trabalhistas, como FGTS e contribuição patronal ao INSS, e benefícios oferecidos aos funcionários, a exemplo de vale-refeição e plano de saúde.

Apesar da preocupação inicial com os custos, a redução da jornada também pode gerar ganhos no longo prazo. Nakata destaca que a mudança pode contribuir para diminuir a rotatividade de funcionários, os afastamentos por problemas de saúde, a fadiga e as perdas de produtividade.