• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

Atendimento pesa na satisfação e reputação da marca

A qualidade do atendimento pode ter mais influência sobre a satisfação do cliente do que estratégias de fidelização

Estudo desenvolvido por Natanael Sena na NOVA IMS, em Lisboa, aponta a relevância da experiência de atendimento e da confiança na intenção de recomendar empresas de telecomunicações.

A qualidade do atendimento pode ter mais influência sobre a satisfação do cliente do que estratégias de fidelização. Essa é uma das conclusões do estudo desenvolvido por Natanael Sena, cientista de Comportamento e Experiência Humana da Brand & Stories, durante seu mestrado em Data-Driven Marketing na NOVA Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa.

Com foco no setor de telecomunicações, o trabalho analisou relações entre atendimento, reputação da marca, valor percebido, satisfação e intenção de recomendação. Segundo os resultados apresentados pelo pesquisador, o atendimento se destacou como um componente relevante da experiência do consumidor, enquanto programas de fidelidade e custos de troca não demonstraram efeito estatisticamente significativo sobre a satisfação no modelo analisado.

Para Sena, os achados colocam em discussão a distribuição dos investimentos entre atração de consumidores e qualidade da operação que os recebe.

“As empresas gastam fortunas para atrair um cliente e depois o perdem no primeiro contato com a central”, afirma.

A avaliação do pesquisador é que o atendimento precisa ser considerado parte da construção da marca. O estudo, entretanto, não apresenta, nas informações disponibilizadas, uma comparação direta de retorno financeiro entre investimentos em atendimento, publicidade e influenciadores.

Modelo analisou dados do setor de telecomunicações

A pesquisa utilizou um modelo estatístico de equações estruturais, método empregado para examinar relações entre diferentes variáveis. O trabalho teve orientação dos professores Caetano Haberli e Catarina Neves e utilizou dados de atendimento fornecidos pela VGX, empresa de call center.

De acordo com Sena, o modelo explicou 70,4% da variação da satisfação dos clientes no contexto estudado. Considerando os efeitos diretos e indiretos, a influência estimada do atendimento sobre a satisfação foi aproximadamente 2,5 vezes maior que a dos programas de fidelidade.

Esse resultado se refere às relações identificadas pelo modelo e não equivale a afirmar que investir em atendimento gera retorno financeiro 2,5 vezes maior.

Os resultados apresentados também indicam que o atendimento teve papel importante na reputação da marca e no valor percebido pelo consumidor. Já avaliações e publicações de outros clientes nas redes sociais demonstraram efeito marginal no recorte analisado.

A interpretação exige considerar o alcance da pesquisa: os achados dizem respeito ao setor de telecomunicações e às condições da análise. As informações fornecidas não detalham o tamanho da amostra, o período de coleta ou o perfil dos participantes, elementos necessários para avaliar a possibilidade de generalização.

Fidelização não significa satisfação

Uma das distinções destacadas pelo pesquisador é a diferença entre manter o consumidor vinculado à empresa e construir uma relação positiva com ele.

No modelo, programas de pontos e barreiras à troca, como multas e condições contratuais de permanência, não apresentaram efeito significativo sobre a satisfação. Isso não permite concluir que esses mecanismos sejam irrelevantes para todos os resultados comerciais, mas indica que retenção e satisfação precisam ser avaliadas separadamente.

Para Sena, a experiência ganha importância em um ambiente no qual consumidores conseguem comparar preços e ofertas com facilidade.

“O produto virou commodity, o preço se iguala em um clique. O que diferencia é como a pessoa se sente quando precisa de você”, afirma.

Na visão do pesquisador, a ampliação dos canais digitais também muda o papel das equipes de atendimento. Aplicativos, chats e centrais passam a concentrar parte relevante das interações entre consumidor e empresa.

“O atendimento deixou de ser um departamento e passou a ser a própria marca. Quando o cliente não vê mais o vendedor, cada contato é a vitrine”, diz.

Confiança fortalece a intenção de recomendar

O estudo também examinou a confiança na relação entre satisfação e comportamento do consumidor. Segundo os resultados apresentados por Sena, em condições de maior confiança, a disposição para fornecer feedback à empresa cresceu 19,4%. A combinação de confiança elevada e satisfação esteve associada a uma intenção de indicação 8,8% maior que a satisfação isoladamente.

Os indicadores tratam de disposição e intenção, que não necessariamente se convertem em recomendações efetivas ou novas vendas.

“Indicar uma marca é emprestar o próprio nome a ela”, afirma Sena. Para ele, a confiança aumenta a segurança do consumidor ao recomendar uma empresa a outras pessoas.

Embora o pesquisador recorra à neurociência para interpretar esse comportamento, as informações apresentadas sobre o trabalho descrevem um modelo estatístico, sem detalhar medições de atividade cerebral.

IA amplia o debate sobre o trabalho das equipes

Sena avalia que a inteligência artificial tende a assumir uma parcela crescente das tarefas repetitivas do atendimento. Em sua perspectiva, isso amplia a importância das competências humanas nas situações que exigem escuta, análise de contexto e julgamento.

“O atendimento humano que sobreviver será o que entrega o que a máquina ainda não entrega: empatia, julgamento e a sensação de ser ouvido”, afirma.

A declaração expressa sua projeção sobre o futuro do setor. Os resultados apresentados do estudo não permitem determinar o ritmo de substituição de atividades ou seus efeitos sobre o emprego.

Para a gestão de pessoas, o tema abre uma discussão sobre capacitação e desenho das funções: quais demandas podem ser automatizadas, quando o atendimento deve ser encaminhado a um profissional e quais condições as equipes precisam para resolver problemas.

Na avaliação de Sena, a qualidade da experiência será decisiva para a continuidade da relação com o consumidor, independentemente do canal utilizado.

“No futuro próximo, a IA vai atender. A pergunta é se o cliente vai querer continuar falando com você depois disso”, conclui.