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Notícia

Empresas passam a valorizar competências além do diploma

Mudanças tecnológicas, avanço da inteligência artificial e novas exigências de negócio aumentam o peso de habilidades específicas nos processos seletivos

Mudanças tecnológicas, avanço da inteligência artificial e novas exigências de negócio aumentam o peso de habilidades específicas nos processos seletivos e impulsionam modelos de formação mais flexíveis, como microcertificações e trilhas de especialização.

O diploma continua relevante, mas já não responde sozinho à pergunta que muitas empresas fazem na hora de contratar: o profissional consegue demonstrar as competências de que o negócio precisa hoje?

A transformação do mercado de trabalho vem alterando a forma como organizações avaliam candidatos e desenvolvem seus próprios talentos. Conhecimentos técnicos específicos, habilidades comportamentais, capacidade de adaptação e domínio de novas ferramentas passam a dividir espaço com a formação acadêmica tradicional.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, ajuda a dimensionar essa mudança. Segundo o levantamento, 39% das competências essenciais dos profissionais deverão mudar até 2030. A pesquisa ouviu mais de mil empresas, responsáveis por mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias.

Outro dado chama atenção: 63% dos empregadores apontam a lacuna de competências como o principal obstáculo para a transformação dos negócios. Diante disso, 77% das empresas afirmam que pretendem investir em qualificação e requalificação de seus profissionais, especialmente em resposta às mudanças provocadas pela tecnologia e pela inteligência artificial.

O foco se desloca para o que o profissional sabe fazer

Essa mudança ajuda a explicar por que competências específicas estão ganhando mais espaço.

Em vez de avaliar apenas o histórico acadêmico, as empresas passam a observar também se o profissional consegue aplicar conhecimento em situações práticas, aprender rapidamente e desenvolver capacidades alinhadas às novas demandas de sua área.

Nesse contexto, a pós-graduação continua sendo um caminho importante para aprofundamento profissional, mas novos formatos de formação começam a ganhar espaço.

A FMU, por exemplo, lançou um modelo de pós-graduação digital baseado em microcertificações. A proposta é permitir que o estudante transforme etapas da formação em credenciais profissionais antes mesmo da conclusão da especialização.

Ao longo de oito meses, o aluno poderá conquistar quatro certificações intermediárias e, ao final, obter a especialização Lato Sensu reconhecida pelo MEC, totalizando cinco credenciais.

Microcertificações ajudam a tornar competências visíveis

As microcertificações são credenciais vinculadas a conhecimentos ou habilidades específicas desenvolvidas durante uma formação.

Na prática, elas mudam a lógica tradicional de validação da aprendizagem.

Em vez de concentrar todo o reconhecimento no diploma entregue ao final do curso, o profissional passa a construir um histórico de competências ao longo do percurso.

Isso pode ser especialmente relevante em um mercado que muda rapidamente e exige atualização constante.

Para quem está em transição de carreira, buscando promoção ou querendo demonstrar domínio em uma nova área, ter credenciais intermediárias pode tornar o desenvolvimento mais visível para recrutadores e gestores.

Empregadores já olham para essas credenciais

Uma pesquisa realizada pela Coursera em 2025, com mais de 2 mil estudantes e empregadores em seis regiões, reforça esse movimento.

Segundo o levantamento, 96% dos empregadores entrevistados consideram que microcertificações fortalecem uma candidatura.

Além disso, 87% afirmam ter contratado pelo menos um profissional com microcertificação no último ano.

Entre os estudantes, 94% acreditam que essas credenciais aceleram o desenvolvimento de competências.

Os números mostram que o valor da qualificação começa a ser medido não apenas pelo título final, mas também pela capacidade de comprovar habilidades específicas ao longo da jornada.

Formação contínua ganha peso na empregabilidade

A Organização Internacional do Trabalho, em estudo publicado em 2025 em parceria com o UNICEF, também destacou o potencial das microcredenciais para aquisição e validação de competências.

Segundo o estudo, esse tipo de certificação pode ajudar trabalhadores a sinalizar melhor suas qualificações ao mercado.

Para o RH, isso representa uma mudança importante.

Processos seletivos podem passar a considerar um conjunto mais amplo de evidências sobre o que o candidato sabe fazer.

Para profissionais, significa que empregabilidade depende cada vez menos de uma única formação concluída anos atrás e mais da capacidade de continuar aprendendo e demonstrando evolução.

O diploma não perde valor, mas deixa de ser suficiente sozinho

A tendência não significa o fim da graduação ou da pós-graduação tradicional.

O que muda é a lógica.

O diploma continua sendo uma base importante de formação, mas empresas passam a combinar essa informação com sinais mais específicos de competência.

Em um mercado marcado por inteligência artificial, automação e mudanças rápidas nas funções, o profissional que consegue demonstrar aprendizado contínuo tende a ganhar espaço.

Por isso, a pergunta que cresce dentro das organizações deixa de ser apenas “qual curso essa pessoa concluiu?”.

Passa a ser também:

“Quais competências ela desenvolveu e consegue aplicar agora?”

É nesse ponto que microcertificações, trilhas modulares e formações mais flexíveis começam a se conectar com uma nova realidade do trabalho: o conhecimento não termina no diploma, e a carreira passa a exigir atualização constante.