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Notícia

O ano ainda não acabou: como usar o último trimestre para corrigir a rota

Último trimestre exige revisão de metas, foco nas prioridades e capacidade de adaptação para melhorar os resultados do ano

O último trimestre do ano é uma janela importante para avaliar o que foi realizado, corrigir rotas e concentrar esforços no que ainda pode fazer diferença para os resultados. Mas não existe uma receita pronta para garantir um bom fechamento. Cada organização tem um histórico, um mercado e desafios próprios e, por isso, uma estratégia que funcionou para uma empresa pode não produzir o mesmo efeito em outra. Mais do que tentar reproduzir fórmulas, é preciso entender o que mudou ao longo do ano e quais prioridades ainda fazem sentido.

Os resultados obtidos até aqui não são muito favoráveis. Levantamento da CNI mostra que o índice de produção é o pior desde agosto de 2015 e que a intenção de investimento recua ao menor nível desde a pandemia. Os números do Banco Central também não são favoráveis. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo BC no dia 29 de setembro, considerando famílias e empresas, a taxa média de juros das operações com recursos livres ficou em 48,5% ao ano em agosto, ou seja, houve um aumento de 0,8% no mês e de 2,3% em 12 meses.

Nesse cenário, o primeiro passo é olhar para o que aconteceu até aqui. Quais metas avançaram? Quais ficaram para trás? O que impediu determinadas entregas? E, principalmente, o que ainda pode ser feito nos próximos meses? Uma meta-análise publicada no Journal of Applied Psychology, que reuniu 49 efeitos relacionados à definição de metas e ao desempenho de grupos, encontrou associação positiva entre metas e performance, com resultados particularmente relevantes para objetivos específicos e desafiadores. Aqui já temos uma boa sinalização. Afinal, o estudo reforça a importância de transformar intenções genéricas em objetivos claros e mensuráveis.

É nesse ponto que metodologias como os OKRs (Objectives and Key Results) podem contribuir. Em vez de tentar resolver todos os problemas simultaneamente, a empresa pode definir o que é realmente prioritário para o período e quais resultados mensuráveis indicarão se está avançando. A metodologia também favorece a conexão entre os objetivos da organização e o trabalho das equipes.

Em momentos de ajuste de rota, o foco é fundamental. Selecionar um objetivo prioritário e estabelecer os resultados que mais contribuem para alcançá-lo direciona a concentração de esforços. Claro que não estou dizendo para abandonar todas as outras atividades, mas, sim, para identificar o que merece atenção especial naquele momento. O gestor também não precisa conduzir essas definições sozinho. O alinhamento entre liderança e equipes é essencial para que cada pessoa compreenda suas responsabilidades e a relação entre seu trabalho e os resultados do negócio.

Outro ponto importante é não tratar o planejamento feito no início do ano como algo imutável. O ambiente de negócios muda, novas informações aparecem e prioridades podem precisar ser revistas. A gestão por ciclos mais curtos permite acompanhar os resultados e fazer ajustes sem perder de vista a estratégia de longo prazo. A McKinsey, ao analisar práticas de Quarterly Business Review, destaca justamente o papel das revisões periódicas na priorização, no alinhamento entre áreas e na possibilidade de ajustar recursos e iniciativas de acordo com os resultados e as mudanças do cenário.

Por isso, chegar ao último trimestre não deve significar simplesmente acelerar tudo o que estava previsto no planejamento anual. Significa avaliar o que ainda faz sentido, escolher onde concentrar energia e criar condições para que a execução aconteça. O ciclo trimestral pode ser entendido não apenas como uma etapa de cobrança, mas como uma oportunidade de aprendizado e recalibração. Adaptar não significa improvisar: exige método, disciplina, acompanhamento e métricas claras.

Mesmo que o resultado total do ano não corresponda exatamente à meta projetada em janeiro, uma empresa que aprende a revisar suas prioridades, trabalhar com objetivos claros e ajustar a execução ao longo do caminho termina o ciclo mais preparada para o próximo. As organizações precisam cada vez mais combinar visão de longo prazo com capacidade de adaptação no curto prazo. Afinal, em um ambiente de negócios em constante transformação, mudar a rota não significa abandonar o planejamento. Significa fazer com que o planejamento continue servindo ao negócio.