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Notícia

BC programa Pix Internacional e novas funções de crédito

Inserção internacional do Pix está na agenda de evolução do BC, que inclui ainda funções de crédito em duplicatas e recebíveis

O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira a segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, documento que apresenta os principais avanços do ecossistema entre 2023 e 2025 e os resultados alcançados. Um dos pontos mais importantes é a perspectiva para evolução nos próximos anos, com uma agenda de novos produtos e funcionalidades, entre eles a inserção internacional do Pix.

“No rol de ações voltadas à ampliação dos casos de uso do Pix, o BC acompanha os diversos modelos de transações transfronteiriças que vêm sendo implementados pelos agentes privados, em parceria com instituições de outras jurisdições, que já estão viabilizando o uso do Pix por brasileiros em outros países e o uso do Pix no Brasil por não residentes a partir dos aplicativos de instituições estrangeiras”, explica o relatório.

“Além do monitoramento desses modelos, o BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições. Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais.”

“Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos. A interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem o potencial de diminuir as tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças”, destaca o Banco Central.

Apesar de o BC não citar, uma das iniciativas para negociações entre países é o projeto Nexus, que foi liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) e prevê a conexão do Pix a sistemas de pagamento instantâneo de cerca de 60 nações.

Ao completar cinco anos de funcionamento, o Pix consolidou-se como uma das principais infraestruturas públicas digitais do país. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 35 trilhões; 148 milhões de pessoas e 12,8 milhões de empresas fizeram ou receberam pelo menos um Pix.

A quantidade de pessoas representa cerca de 86% da população adulta brasileira. Atualmente, existem mais de 920 milhões de chaves Pix cadastradas, referentes a mais de 162 milhões de pessoas e a mais de 16 milhões de empresas.

O recorde de valor total de transações Pix em um único dia foi de R$ 193.473.609.406,39 em 19 de dezembro de 2025.

Agenda de novos produtos e funcionalidades, além do Pix internacional

A agenda evolutiva do Pix divulgada pelo BC reúne iniciativas em diferentes estágios de maturidade. “Os temas apresentados, a seguir, abrangem ações em implementação ou em fase avançada de desenvolvimento, além de frentes em estudo e de direções estratégicas de horizonte mais longo, que orientam sua evolução futura.”

Pix por aproximação em ambiente offline – Dando continuidade à expansão do Pix por aproximação, o BC avalia a incorporação de um modelo que permita a iniciação de transações Pix sem a necessidade de conexão à internet por parte do usuário pagador.

“Essa evolução tem potencial para ampliar ainda mais o alcance do Pix, atendendo usuários em contextos de conectividade limitada e viabilizando novos casos de uso, sempre observados os requisitos de segurança e de confiabilidade. Por meio dessa solução, espera-se que transações Pix possam ser iniciadas por meio de qualquer dispositivo com tecnologia NFC, o que inclui, além dos próprios telefones celulares, cartões de plástico, tags e wearables, como relógios e pulseiras.”

“Eventualmente”, prossegue o relatório, “soluções que usem cartões com chip também poderão ser desenvolvidas.”

Pix automático – “Uma das ações relevantes no contexto do aprimoramento dos produtos diz respeito à inclusão das contas salário como iniciadoras de operações do Pix Automático. Após a Resolução BCB 505, de 25 de setembro de 202523, prever a adoção do Pix Automático em substituição ao débito em conta para transações interbancárias, o BC passou a estudar as alterações no Regulamento do Pix e os ajustes operacionais necessários para a operacionalização dessa medida.”

Além disso, o BC avalia a introdução de um novo conjunto de funcionalidades voltadas à ampliação da flexibilidade e à melhoria da utilização, como a possibilidade de pagamento parcial da cobrança e o estabelecimento de novas regras para a alteração da recorrência.

“Estuda-se, ainda, o uso do Pix Automático em situações em que não há uma periodicidade previamente definida. Busca-se também criar soluções que permitam a portabilidade de autorizações entre instituições, tanto do ponto de vista do usuário pagador quanto do usuário recebedor.”

Split tributário nas transações Pix – “Em decorrência da aprovação da reforma tributária que instituiu o chamado “split tributário”, a agenda evolutiva do Pix passou a incorporar o desenvolvimento dessa medida a partir de 2025, com foco na ampliação da transparência para os usuários pagadores quanto à composição dos valores pagos em tributos e na simplificação do recolhimento desses valores pelos recebedores. A implementação do split viabilizará a retenção automática de tributos incidentes sobre transações elegíveis a partir da integração de informações estruturadas entre os participantes da cadeia de pagamentos e os agentes tributários.”

Duplicatas escriturais no âmbito do Pix – A emissão de duplicatas com a possibilidade de pagamento via QR Code do Pix poderá acelerar e modernizar a liquidação das duplicatas escriturais, acredita o BC, “trazendo mais flexibilidade ao pagador, agregando liquidez imediata, conciliação automática em tempo real, redução de custos bancários e maior segurança jurídica ao ecossistema de crédito B2B, sem perder a rastreabilidade do registro digital”.

Em reunião do Fórum Pix em março de 2026, o Banco Central estimou que o split e as duplicatas estariam disponíveis ainda este ano.

Pix como instrumento de apoio ao crédito – No que se refere à integração do Pix ao mercado de crédito, o relatório destaca o desenvolvimento de solução que permita a utilização de fluxos futuros de Pix como garantia em operações de crédito.