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Notícia

O RH ainda precisa do sobrenome “estratégico”?

O termo “RH estratégico” se tornou comum no mercado, mas o excesso de uso pode indicar que o conceito ainda não foi totalmente incorporado

Durante o RH Summit, ouvi uma provocação do Léo Kaufmann que ficou ecoando na minha cabeça: “Vamos parar de tratar ‘estratégico’ como sobrenome do RH? Você já ouviu falar em ‘médico estratégico’?”

A frase é provocativa justamente porque expõe algo que o mercado talvez ainda não tenha percebido completamente: quando precisamos reforçar demais um conceito, pode ser sinal de que ele ainda não está plenamente consolidado, ou pior, que começou a virar apenas discurso.

Nos últimos anos, o termo “RH estratégico” passou a ocupar apresentações, descrições de cargo, eventos e planejamentos corporativos. Mas existe uma pergunta importante que não pode passar:

O RH participa, de fato, das decisões mais relevantes do negócio ou apenas aprendeu a adaptar sua linguagem às novas demandas do mercado?

Porque existe uma diferença grande entre acompanhar estratégias e ajudar a construí-las.

Em muitas empresas, o RH evoluiu operacionalmente, ganhou indicadores, implementou tecnologia, desenvolveu processos mais modernos e ampliou sua atuação em cultura e experiência do colaborador.

Tudo isso é importante.

Mas ainda não necessariamente garante protagonismo estratégico.

RH estratégico para lá e para cá... mas faz sentido?

O RH se torna realmente estratégico quando participa das decisões antes dos problemas acontecerem. E também:

  • Quando influencia modelos de liderança.
  • Quando contribui para direcionamentos de negócio.
  • Quando ajuda empresas a entenderem impactos humanos antes de mudanças estruturais.
  • Quando consegue traduzir cultura em vantagem competitiva.

E principalmente: quando deixa de atuar apenas como suporte e passa a ocupar posição ativa na construção do futuro da organização.

Talvez o excesso de uso do termo também revele uma insegurança histórica da área.

Durante décadas, o RH foi associado apenas a processos administrativos, burocracias e gestão operacional de pessoas. O movimento de reposicionamento era necessário, e continua sendo.

Mas talvez o próximo passo seja justamente abandonar a necessidade de reforçar constantemente esse título.

Porque áreas verdadeiramente estratégicas não precisam anunciar isso o tempo inteiro.

Elas demonstram na prática.

O desafio agora não é mais parecer estratégico.

É ser indispensável nas decisões que definem o rumo das empresas.

E isso exige algo que vai muito além de novos discursos.

Exige coragem para ocupar espaços que, historicamente, nem sempre foram concedidos ao RH.

Talvez a provocação mais importante seja justamente essa: O RH quer ser reconhecido como estratégico ou quer efetivamente participar da estratégia?

Porque existe uma diferença enorme entre os dois.