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IA deixa de ser novidade nos negócios e vira teste de execução

Com ferramentas cada vez mais acessíveis, vantagem competitiva passa pela capacidade de integrar inteligência artificial a processos, dados, pessoas e decisões

Autor: Rica MelloFonte: De Assessoria de Imprensa

A inteligência artificial aplicada aos negócios avança no Brasil, mas ter acesso à tecnologia já não significa, por si só, construir uma vantagem competitiva. A TIC Empresas 2025, divulgada pelo Cetic.br em junho de 2026, mostrou que 17% das empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas utilizaram alguma tecnologia de IA em 2025. Entre as pequenas, a proporção passou de 10% para 15%, enquanto nas grandes chegou a 50%.

Rica Mello, economista, empresário e executivo com trajetória em consultoria estratégica, gestão e desenvolvimento de negócios, avalia que essa expansão muda a discussão dentro das organizações. "Inteligência artificial aplicada aos negócios não é acumular ferramentas. A vantagem começa quando a empresa sabe onde usar a tecnologia, qual problema pretende resolver e como transformar o que a IA entrega em decisão e resultado", afirma.

Entre as empresas que utilizam inteligência artificial em 2025, 80% adquiriram programas ou sistemas prontos e 60% recorreram a fornecedores externos para desenvolver ou adaptar soluções. Para os pesquisadores, parte desse avanço pode representar uma adaptação de processos existentes, e não necessariamente uma transformação estrutural das operações.

Inteligência artificial aplicada aos negócios entra na fase da escala

A diferença entre testar uma tecnologia e incorporá-la à operação aparece também em levantamento global da McKinsey, publicado em novembro de 2025. A pesquisa mostrou que 88% dos entrevistados disseram que suas organizações já utilizavam inteligência artificial regularmente em pelo menos uma função. Apesar disso, quase dois terços ainda não haviam começado a expandir a tecnologia por toda a organização.

O resultado financeiro também permanece limitado. Apenas 39% dos participantes atribuíram algum impacto da IA sobre o resultado operacional de suas empresas.

Para Rica, a distância entre adoção e resultado surge quando a empresa começa pela ferramenta antes de estruturar a gestão. "A primeira etapa não é perguntar qual IA comprar. É organizar processos, dados, indicadores e responsabilidades. Depois, a empresa precisa entender como transformar análises, recomendações e execuções produzidas pela tecnologia em decisões melhores", ressalta.

Processos passam a pesar mais que ferramentas

A McKinsey identificou que organizações com melhor desempenho no uso de inteligência artificial tinham quase três vezes mais probabilidade de redesenhar seus fluxos de trabalho. O dado reforça que incorporar IA exige mais do que adicionar uma nova solução a uma rotina antiga.

Segundo Rica, processos pouco claros, informações dispersas e ausência de indicadores podem limitar os ganhos. "Uma empresa pode colocar IA em uma operação desorganizada e apenas executar mais rápido aquilo que já fazia mal. Capacidade organizacional significa preparar a empresa para usar a tecnologia de maneira consistente, aprender com os resultados e corrigir o processo quando necessário", explica.

Essa estrutura também reduz a dependência de ferramentas específicas. Modelos e plataformas mudam rapidamente, mas organizações capazes de identificar problemas, testar aplicações e medir retorno tendem a se adaptar com maior velocidade.

Capacitação e liderança ganham peso

O State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte, ouviu 3.235 líderes de 24 países e mostrou que 42% consideravam suas estratégias altamente preparadas para adoção de inteligência artificial. A percepção de preparo, porém, era menor quando a análise envolvia infraestrutura, dados, gestão de riscos e profissionais qualificados.

A falta de competências relacionadas à IA apareceu como a principal barreira para integrar a tecnologia às organizações. Apenas 34% das empresas pesquisadas disseram utilizar inteligência artificial para promover mudanças mais profundas, como reformular processos centrais, criar produtos ou alterar modelos de negócio. "Não basta ensinar uma equipe a usar um sistema. A empresa precisa preparar pessoas para questionar informações, tomar decisões e medir se aquela aplicação está realmente melhorando produtividade, receita, custo ou qualidade", afirma Rica.

A vantagem estará na capacidade de aprender

Com a disseminação das ferramentas, o simples acesso à inteligência artificial tende a perder força como elemento de diferenciação. A vantagem passa para empresas capazes de testar soluções, medir resultados, abandonar aplicações que não funcionam e ampliar aquelas que geram impacto concreto.

Para o executivo, essa capacidade pode se tornar mais relevante do que a escolha de uma plataforma específica. "Ferramentas serão cada vez mais acessíveis e poderão ser utilizadas pelos concorrentes. O que não se copia com a mesma velocidade é uma organização com processos claros, dados organizados, pessoas preparadas e disciplina para transformar tecnologia em decisão", conclui.

A expansão da inteligência artificial desloca, assim, a discussão empresarial do acesso para a execução. Para as organizações, a pergunta deixa de ser apenas quando adotar IA e passa a incluir como transformar a tecnologia em produtividade, eficiência e capacidade de gestão.

Sobre Rica Mello

Rica Mello é economista, empresário e executivo com trajetória em consultoria estratégica, gestão e desenvolvimento de negócios. Antes de empreender, atuou por cerca de dez anos na McKinsey & Company e na Bain & Company, trabalhando com projetos de estratégia, crescimento, eficiência operacional e gestão empresarial. É formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), possui MBA pela Kellogg School of Management, da Northwestern University e participou do Executive Program da Singularity University, em 2019.

Ao longo da carreira, passou da consultoria para a operação de empresas e hoje está à frente de negócios em diferentes setores, entre eles indústria, distribuição, importação, varejo, e-commerce e educação. A experiência em segmentos distintos consolidou uma atuação voltada a estratégia empresarial, gestão financeira, produtividade, crescimento, liderança e tomada de decisão.
Também acompanha temas ligados à transformação dos modelos de gestão, uso de tecnologia nos negócios e desafios enfrentados por pequenas e médias empresas no Brasil.

Rica já esteve em 136 países e conciliou, ao longo dos anos, a rotina internacional com a gestão de seus negócios.
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