Edital PGFN/RFB nº 4/2026 permite regularizar débitos de IRRF de investidores não residentes com descontos de até 65% e adesão até 29 de dezembro de 2026
Área do Cliente
Notícia
Da disputa pelo CNPJ à busca pelo CPF na nova era da tributação no destino
Especialistas apontam que a migração do modelo de arrecadação do princípio da origem para o do destino provocará uma mudança estrutural na estratégia de desenvolvimento dos municípios
A reforma tributária promete redesenhar o mapa econômico e fiscal do Brasil. A principal engrenagem dessa mudança é a transição do princípio da origem para o princípio do destino, no qual a CBS e o IBS passam a ser recolhidos no local onde o consumidor final está localizado, e não mais onde a mercadoria é produzida ou de onde o serviço é prestado.
Com o fim da chamada guerra fiscal, caracterizada pela concessão de benefícios fiscais de ICMS e ISS para atrair indústrias e empresas (CNPJs), a nova dinâmica de disputa entre os municípios passa a ter o consumidor (CPF) como foco.
De acordo com especialistas ouvidos pelo Diário do Comércio, a transição gradual da tributação para o destino, que se consolidará plenamente em 2033, impõe uma mudança radical de mentalidade na gestão pública municipal.
Isso porque o sucesso fiscal de uma cidade não será medido só pela quantidade de empresas instaladas em seu território, mas pela capacidade de oferecer uma qualidade de vida capaz de convencer o cidadão a fixar residência, matricular seus filhos na escola pública local e consumir no comércio da esquina.
Para João Eloi Olenike, presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), os CNPJs continuarão a ser importantes para os municípios, mas com a nova divisão do bolo tributário, a atração de CPFs ganha relevância, pois quanto mais populosos, maior a fatia de impostos recebida. Além disso, quanto mais moradores, maior a arrecadação de receitas próprias, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
O especialista detalha o funcionamento prático do novo IBS, que vai substituir o ISS e o ICMS. Do montante total arrecadado com o IBS, que terá uma base bem mais ampla que a atual, 75% ficam com os Estados e 25% com os municípios. A distribuição dos valores será feita por um comitê gestor estadual sob critérios específicos.
Do valor total arrecadado, 80% serão distribuídos de acordo com a população de cada município (com base no censo do IBGE); 10% serão condicionados a critérios técnicos de evolução da educação pública local, 5% serão distribuídos com base no "IBS Ecológico" (preservação ambiental) e 5% serão rateados em partes iguais entre todos os municípios do estado.
Na prática, com a nova divisão do bolo tributário inaugurada pela reforma tributária, tendem a ser beneficiados os municípios mais populosos, que investem em educação e preservação do meio ambiente.
Nessa nova dinâmica, cidades como Araucária, no Paraná, e Paulínia, em São Paulo, que concentram indústrias do setor de petróleo, exemplifica, precisarão se reinventar se quiserem manter o mesmo nível de arrecadação atual.
“Paulínia, por exemplo, vai ter que se adequar a receber recursos muito menores. Uma saída será se transformar em um município comprador. Se for um monte de gente morar na cidade porque o prefeito investiu em infraestrutura e deu desconto no IPTU, o aumento da população pode minimizar a perda de recursos decorrentes da tributação no destino”, explica, ao ponderar que o grosso da arrecadação gerada de IBS ainda virá das empresas, sobretudo do varejo.
Trabalho remoto
Para o economista e professor Gustavo Inacio de Moraes, da PUC-RS, a coincidência da reforma tributária com a consolidação do trabalho remoto cria um cenário propício para que os municípios criem políticas públicas voltadas à fixação de moradores de rendas mais altas.
Cidades que passarem a oferecer melhor qualidade de vida tendem a atrair mais moradores e, consequentemente, maior arrecadação de impostos. “Os gestores municipais podem melhorar a conexão de internet, a segurança, investir em áreas verdes e serviços públicos. Se o posto de saúde não for bom, se a coleta de lixo for ruim, o morador mais qualificado vai embora para outra localidade e consome lá", analisa o economista.
Como estratégias de políticas públicas para atrair CPFs, Gustavo sugere, por exemplo, a concessão de descontos no IPTU para as empresas instaladas na cidade, desde que a respectiva atividade garanta a permanência de um percentual de colaboradores residentes no próprio município.
Na visão do economista, cidades turísticas também tendem a ser ganhadoras imediatas da nova tributação no destino, pois vão capturar o imposto do consumo sazonal sem a necessidade de manter serviços públicos permanentes na mesma proporção.
“Para as cidades de perfil residencial ou capitais que enfrentam evasão de renda, como Porto Alegre, que vem perdendo moradores para cidades litorâneas e serranas, o desafio será reter o cidadão”, reforça.
Heloísa de Castro, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP) concorda. "Os prefeitos precisam criar ambientes favoráveis para trazer moradores, oferecer boas estruturas de escola, saúde e saneamento básico, embora as empresas, desde que sejam também consumidoras, também terão sua importância", diz.
Norte e Nordeste
De acordo com o tributarista Rafael Duck, municípios das regiões Norte e Nordeste, que historicamente se desenvolveram atraindo indústrias por meio de incentivos fiscais, como o polo automobilístico da Bahia, serão prejudicados com a nova lógica da tributação no destino e correm riscos de desindustrialização e perda de postos de trabalho.
Ele critica a falta de estudos aprofundados sobre os impactos da nova lógica da tributação em municípios que tendem a perder indústrias. Sem citar nomes, ele diz que já existem empresas avaliando a permanência nessas regiões. Para compensar a perda do benefício fiscal, reforça, os municípios terão que investir em infraestrutura logística, estradas e escoamento para que as indústrias decidam ficar.
Douglas Campanini, sócio da Athros Auditoria e Consultoria, também concorda que gestores públicos, principalmente dos municípios, precisarão ser muito mais eficientes na oferta de infraestrutura, como asfalto, água, segurança, escolas e hospitais, para atrair e reter moradores e, consequentemente, o consumo.
“Se uma empresa decidir sair de uma região por estar longe do seu polo consumidor, a gestão pública precisará se empenhar o suficiente para convencê-la a ficar ou para atrair novas empresas e pessoas”, reforça.
De acordo com Campanini, os municípios devem sentir o impacto da tributação no destino de forma mais forte do que os estados, pois é mais fácil mudar de cidade do que de Estado.
Seguro-receita
Questionado sobre quem ganha e quem perde dentre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, pondera que qualquer projeção é estimativa, pois dependerá do mapeamento real do consumo previsto na Lei Complementar 214/2025.
Ele destaca a atuação da CNM para garantir a saúde financeira dos municípios por meio do Seguro-Receita, um mecanismo de salvaguarda que garante que nenhum ente federativo registrará arrecadação inferior à média de suas receitas apuradas entre os anos de 2019 e 2026.
Para Ziulkoski, o sistema tributário atual distorce as decisões alocativas das empresas, que muitas vezes escolhem seu domicílio com base apenas no planejamento tributário e na busca por menor carga fiscal. Com a uniformização nacional dos benefícios trazida pela reforma, a competitividade empresarial deixará de ser pautada por assimetrias regionais.
“A competitividade das empresas passa a ser determinada por vetores de eficiência real, tais como qualificação da mão de obra, qualidade da infraestrutura e eficiência logística, fatores com impacto direto na estrutura de custos de produção", analisa.
Notícias Técnicas
Eventos D-1001 e D-1011 poderão ser enviados a partir de 1º de outubro e deverão ser processados antes da escrituração mensal
Mudança foi postergada por duas semanas para dar mais estabilidade às instituições financeiras durante o período de entrega e retificação das informações
Testes realizados pela Receita Federal confirmaram o funcionamento do serviço para usuários de Pessoa Física e Pessoa Jurídica
Solução de consulta detalha os requisitos para caracterizar o uso de equipamentos como emprego de materiais e permitir a aplicação da alíquota reduzida
A Receita Federal reconheceu a aplicação de alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins em operações de microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica, conforme a Solução de Consulta COSIT nº 168/2026
Documento reúne orientações sobre registro, execução dos trabalhos de auditoria, fundos de investimento e asseguração de informações de sustentabilidade
O Portal da NFe (Nota Fiscal Eletrônica) divulgou na 4ª feira (2.set.2026) a tabela da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) com as respectivas uTrib (unidades tributárias) para o comércio exterior
O coeficiente do IBS que definirá a participação de estados e municípios na distribuição da receita do novo imposto deverá ser divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) em 31 de agosto de 2027
O TSE publicou a Resolução nº 23.755/2026, reforçando a proibição de propaganda e assédio eleitoral no ambiente de trabalho, práticas que já são proibidas pela legislação eleitoral
Notícias Empresariais
Empresas dizem valorizar colaboração, autonomia e planejamento. Mas aquilo que realmente se repete costuma ser o comportamento que recebe reconhecimento
O desenvolvimento profissional exige competências técnicas e comportamentais, além de conhecimentos multidisciplinares
Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores até 2027; especialista aponta seis competências que combinam domínio tecnológico, pensamento crítico e capacidade de enfrentar mudanças
Uso de IA chega a 50% entre as grandes empresas brasileiras, mas ainda alcança apenas 15% das pequenas
Saiba como balanço, DRE e fluxo de caixa influenciam a liquidez e capital de giro
Ferramenta indispensável para atrair clientes, fortalecer marcas e garantir a competitividade no mercado contábil
A data comercial é uma grande oportunidade para as empresas testarem um "esquenta" da Black Friday
Recebedor terá acesso ao valor integral de forma instantânea
Nem todo problema chega acompanhado de conflito. Às vezes, alguém para de reclamar porque também parou de acreditar que alguma coisa vai mudar
Expandir sem perder a cultura: esse é o desafio. Entenda como evitar o “copia e cola”, alinhar lideranças e transformar valores em comportamentos, mantendo autonomia sem perder a direção estratégica
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade