Versão consolidada até a Nota Orientativa 12/2026 exige atenção às datas de implantação dos campos e regras do sistema
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Pejotização se expande, mas 60% dos profissionais não têm benefícios estruturados
Os modelos flexíveis de contratação transformam o mercado de trabalho, mas deixam muitos profissionais sem acesso a benefícios comuns do emprego formal
O avanço dos modelos flexíveis de contratação vem transformando o mercado de trabalho brasileiro, mas ainda deixa uma parcela significativa dos profissionais sem acesso a benefícios tradicionalmente associados ao emprego formal. Levantamento realizado pela HUG, empresa especializada em curadoria e alocação de talentos, mostra que 60,3% dos freelancers e profissionais PJ afirmam não possuir quaisquer benefícios estruturados, mesmo atuando de forma recorrente neste modelo.
A pesquisa foi realizada com profissionais das áreas de marketing, comunicação, gestão, dados, audiovisual e tecnologia e revela um mercado cada vez mais consolidado, mas que ainda enfrenta desafios relacionados à proteção social e ao planejamento de longo prazo.
Os dados mostram que o trabalho sob demanda já não é um fenômeno exclusivamente temporário. Entre os entrevistados, 76,8% atuam como freelancer ou PJ há mais de um ano. Quase metade (49,3%), por sua vez, está nesse modelo há mais de quatro anos.
Apesar dessa consolidação, poucos profissionais conseguem reproduzir parte da estrutura de benefícios normalmente oferecida pela contratação tradicional. Apenas 17,8% afirmam possuir plano de saúde próprio e 13,7% dizem manter reserva financeira destinada a férias. Previdência privada, programas de capacitação e outros benefícios aparecem com participação ainda mais reduzida.
Segundo Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, o dado revela uma das principais transformações do mercado de trabalho atual.
“O modelo PJ deixou de ser algo temporário para muitos profissionais. Hoje existe uma parcela significativa de pessoas que construiu sua carreira dentro desse formato. O desafio agora não é apenas gerar oportunidades de trabalho, mas criar mecanismos que tragam mais segurança e sustentabilidade para essas trajetórias”, afirma.
Nova relação com a CLT
A pesquisa também mostra que a relação dos profissionais com o emprego formal mudou. Quando questionados sobre quais condições os fariam retornar ao regime CLT, a principal resposta foi um salário significativamente superior à renda atual, apontada por 27,4% dos entrevistados.
Na sequência aparecem fatores ligados à qualidade de vida e flexibilidade. Para 24,7%, a possibilidade de trabalho remoto e flexível seria determinante para considerar uma mudança. Outros 21,9% mencionam estabilidade financeira em momentos específicos da vida e 17,8% citam acesso a benefícios como saúde e previdência.
Na avaliação da HUG, os dados indicam que o debate sobre o futuro do trabalho deixou de ser uma discussão entre CLT e PJ e passou a envolver a construção de modelos híbridos que conciliem autonomia profissional com mecanismos de proteção e desenvolvimento de carreira.
“O mercado amadureceu. A discussão agora não é mais sobre escolher entre flexibilidade ou estabilidade. O desafio está em construir estruturas capazes de oferecer os dois elementos ao mesmo tempo”, afirma Gustavo.
Trabalho sob demanda, mas duradouro
O levantamento também mostra que o trabalho sob demanda tem sido sustentado por relações cada vez mais duradouras com clientes. Hoje, 38,4% dos entrevistados afirmam atuar em um modelo híbrido, combinando projetos pontuais, contratos recorrentes e clientes de longo prazo. Outros 26% mantêm contratos longos com um ou dois clientes principais.
Para a HUG, esse cenário reforça uma tendência de profissionalização do mercado de talentos independentes e indica que empresas e profissionais caminham para relações mais estruturadas e menos baseadas em demandas esporádicas.
“Os dados reforçam um movimento que já observamos na prática. O profissional PJ não busca apenas novas oportunidades de trabalho, mas também desenvolvimento, segurança e uma rede de apoio para sustentar sua carreira no longo prazo. Por isso, entendemos que nosso papel vai além da intermediação entre empresas e talentos. Buscamos construir um ecossistema que ofereça benefícios, capacitação e acompanhamento contínuo, contribuindo para que esses profissionais tenham uma trajetória mais sustentável. Acreditamos que o futuro do trabalho passa por modelos mais flexíveis, mas também mais estruturados para quem escolhe esse formato ”, conclui Gustavo.
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