Edital PGFN/RFB nº 4/2026 permite regularizar débitos de IRRF de investidores não residentes com descontos de até 65% e adesão até 29 de dezembro de 2026
Área do Cliente
Notícia
Como o novo EBITDA e a reestruturação da DRE afetarão as operações societárias a partir de 2027
Mais do que uma mudança contábil, trata-se de uma transformação com impactos diretos nas operações societárias e na segurança jurídica das avaliações econômicas
O EBITDA é um dos métodos utilizados em operações societárias como referência para valuation, por permitir uma estimativa de desempenho que reflete a capacidade operacional da empresa. O EBITDA também pode ser utilizado como indicador de rentabilidade, geração de caixa potencial e suporte para decisões internas de investimento, reorganizações e avaliações econômicas. Ainda que não represente o lucro líquido, tornou-se uma métrica comum mesmo em operações de cisão e estruturações societárias diversas.
Entretanto, o indicador sofre críticas pela subjetividade dos ajustes admitidos na prática. A possibilidade de excluir itens operacionais ou omitir despesas financeiras, como juros e tributos sobre o lucro podem gerar resultados artificialmente positivos, reduzindo a transparência das informações contábeis. Essa margem interpretativa cria insegurança especialmente em operações estratégicas, nas quais decisões relevantes dependem de métricas claras e comparáveis.
Diante dessa incerteza, surge a IFRS 18, convertida no Brasil como Comitê de Pronunciamentos Contábeis 51 e aprovada pela resolução CVM 237, de 23 de dezembro de 2025. A nova norma internacional de apresentação das demonstrações financeiras propõe maior clareza e padronização, revisando e substituindo parcialmente a IAS 1 no tocante à apresentação das demonstrações financeiras. (norma internacional de contabilidade). O objetivo é estruturar a demonstração do resultado em categorias definidas e subtotais obrigatórios, divididos em cinco grupos: (i) Operacional: atividades principais do negócio (core business); (ii) Financiamento: captação de recursos e despesas de juros; (iii) Investimento: rendimentos de aplicações e aportes; (iv) Impostos sobre o lucro: tributos incidentes sobre o resultado e; (v) Operações descontinuadas: componentes alienados ou mantidos para venda.
A medida busca limitar a liberdade na classificação de receitas e despesas, fortalecendo a comparação entre empresas e aumentando a segurança dos resultados divulgados.
No Brasil, mesmo que a lei das sociedades por ações (art. 187 da lei 6.404/1976) já estabeleça parâmetros para a DRE, a reforma exigirá adequações para alinhar os padrões nacionais às normas internacionais. Esse alinhamento será conduzido pelo CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis e pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários, conforme determina a lei 11.638/07, que incorporou formalmente as IFRS (Normas Internacionais de Relatório Financeiro) à contabilidade societária.
Atualmente, o cálculo tradicional do EBITDA segue, em linhas gerais, a fórmula: EBIT (lucro antes de juros e tributos) + Depreciação + Amortização, podendo receber ajustes adicionais. Essa abertura é fonte de distorções, uma vez que nem o CPC 26, nem a lei 6.404/1976, definem com precisão o conceito de “resultado operacional”. Isso dificulta a comparação entre demonstrações e pode permitir ajustes intencionais voltados a atender metas contratuais ou “melhorar” seus indicadores.
Nas operações de cisão e de cessão de quotas, muito frequentes na prática societária, a subjetividade do EBITDA afeta diretamente o valor atribuído à participação societária. Como a apuração do valor econômico depende do desempenho operacional, ajustes que aumentam ou reduzem artificialmente o resultado podem impactar o valor de reembolso, a precificação das quotas e a definição dos direitos econômicos entre os sócios. A padronização trazida pelas novas normas reduz esse risco e favorece avaliações mais consistentes.
A subjetividade do EBITDA também exerce influência direta na apuração de haveres, etapa indispensável em dissoluções parciais de sociedade, retirada de sócio ou reorganizações internas. Como o valor da participação societária depende de métricas operacionais, a falta de critérios uniformes pode gerar distorções significativas no cálculo patrimonial. Ajustes discricionários podem aumentar ou reduzir o valor dos haveres, ampliando o risco de disputas. A padronização da DRE tende a fortalecer a segurança jurídica ao limitar a manipulação de indicadores utilizados nessas avaliações.
Já nas operações de M&A, nas quais a precisão do EBITDA é igualmente relevante, a falta de uniformidade do EBITDA também representa risco. Avaliações para aquisição, fusão ou incorporação dependem de métricas operacionais confiáveis, e ajustes excessivamente flexíveis podem produzir valuations distorcidos, prejudicando a análise econômico-financeira da transação. A padronização proposta pelas normas internacionais contribui para reduzir distorções informacionais e aumentar a comparabilidade entre períodos e empresas.
Por fim, a adoção de métricas padronizadas facilita a análise de desempenho operacional e a comparação internacional, já que elimina distorções causadas por classificações internas heterogêneas e efeitos financeiros específicos de cada país. A transição para uma DRE mais rígida em estrutura e apresentação tende a fortalecer a qualidade da informação contábil, ampliar a confiabilidade das demonstrações e aprimorar a governança corporativa.
As mudanças na demonstração de resultados representam um avanço significativo para a transparência e a comparabilidade das informações financeiras. Ao limitar a subjetividade de métricas como o EBITDA e estabelecer categorias de apresentação, o novo padrão reduz assimetrias informacionais e melhora a qualidade das avaliações em operações societárias, desde a apuração de haveres e reestruturações internas até operações de M&A. Para as empresas, o desafio será adaptar processos, políticas contábeis e contratos baseados em indicadores financeiros, garantindo maior aderência às normas internacionais e fortalecendo a segurança jurídica e a governança.
Pela resolução CVM 237 de 23 de dezembro de 2025, “Apêndice C - Data de vigência e transição”, a vigência do pronunciamento técnico CPC 51 será estabelecida pelos órgãos reguladores que o aprovarem, sendo que, para o pleno atendimento às normas internacionais de contabilidade, a entidade deve aplicar este Pronunciamento para períodos anuais com início em ou após 1º de janeiro de 2027. Desse modo, as companhias devem estudar e estruturar suas demonstrações contábeis neste ano corrente para, em 2027, estarem aptas ao pronunciamento técnico CPC 51.
Em um ambiente em que o EBITDA sempre foi, ao mesmo tempo, ferramenta e zona de disputa, a padronização imposta pelas novas normas representa menos espaço para interpretações oportunistas e mais previsibilidade para decisões societárias.
Caio Augusto, concluí que “Se antes o EBITDA era, muitas vezes, ‘ajustado até caber no negócio’, a tendência é que, a partir de 2027, ele passe a caber na norma.”
Notícias Técnicas
Eventos D-1001 e D-1011 poderão ser enviados a partir de 1º de outubro e deverão ser processados antes da escrituração mensal
Mudança foi postergada por duas semanas para dar mais estabilidade às instituições financeiras durante o período de entrega e retificação das informações
Testes realizados pela Receita Federal confirmaram o funcionamento do serviço para usuários de Pessoa Física e Pessoa Jurídica
Solução de consulta detalha os requisitos para caracterizar o uso de equipamentos como emprego de materiais e permitir a aplicação da alíquota reduzida
A Receita Federal reconheceu a aplicação de alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins em operações de microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica, conforme a Solução de Consulta COSIT nº 168/2026
Documento reúne orientações sobre registro, execução dos trabalhos de auditoria, fundos de investimento e asseguração de informações de sustentabilidade
O Portal da NFe (Nota Fiscal Eletrônica) divulgou na 4ª feira (2.set.2026) a tabela da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) com as respectivas uTrib (unidades tributárias) para o comércio exterior
O coeficiente do IBS que definirá a participação de estados e municípios na distribuição da receita do novo imposto deverá ser divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) em 31 de agosto de 2027
O TSE publicou a Resolução nº 23.755/2026, reforçando a proibição de propaganda e assédio eleitoral no ambiente de trabalho, práticas que já são proibidas pela legislação eleitoral
Notícias Empresariais
Empresas dizem valorizar colaboração, autonomia e planejamento. Mas aquilo que realmente se repete costuma ser o comportamento que recebe reconhecimento
O desenvolvimento profissional exige competências técnicas e comportamentais, além de conhecimentos multidisciplinares
Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores até 2027; especialista aponta seis competências que combinam domínio tecnológico, pensamento crítico e capacidade de enfrentar mudanças
Uso de IA chega a 50% entre as grandes empresas brasileiras, mas ainda alcança apenas 15% das pequenas
Saiba como balanço, DRE e fluxo de caixa influenciam a liquidez e capital de giro
Ferramenta indispensável para atrair clientes, fortalecer marcas e garantir a competitividade no mercado contábil
A data comercial é uma grande oportunidade para as empresas testarem um "esquenta" da Black Friday
Recebedor terá acesso ao valor integral de forma instantânea
Nem todo problema chega acompanhado de conflito. Às vezes, alguém para de reclamar porque também parou de acreditar que alguma coisa vai mudar
Expandir sem perder a cultura: esse é o desafio. Entenda como evitar o “copia e cola”, alinhar lideranças e transformar valores em comportamentos, mantendo autonomia sem perder a direção estratégica
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade