Mudanças abrangem eventos como S-1000, S-1010, S-2410, S-2500 e S-8200, com implantação escalonada até janeiro de 2027
Área do Cliente
Notícia
CAC não é despesa do mês ÷ vendas do mês, é competência, corte e governança
Descubra como calcular o Custo de Aquisição de Cliente (CAC) de forma gerencial e precisa, evitando atalhos que enganam gestores
Saí do primeiro dia do Festival Iguassu Inova com uma pulga atrás da orelha. Numa oficina de Landing Page comandada pelo Moisés Silva (Frame Business), o papo descambou para Custo de Aquisição de Cliente. E aí eu, contador em formação (2º ano na Unioeste) e cabeça prática, pensei: estamos medindo isso do jeito errado. Muita empresa segue a receita preguiçosa: somar a despesa de marketing do mês e dividir pelo número de vendas do mês. Pronto, CAC. Não. Isso mede despesa por venda. CAC de verdade pede competência, coortes e rateios coerentes do funil. Vou explicar do jeito que eu costumo escrever: direto, com os pés no chão, e conectando contabilidade gerencial com o dia a dia de marketing.
A primeira distinção é básica, mas vive esquecida. Fiscalmente, marketing é despesa: vai para resultado quando incorrido e ponto final. Não é custo, não entra no CPV, não vira ativo. E está certo assim: eu não troco dinheiro por minério de ferro, máquina ou estoque; eu reconheço um gasto para sustentar a operação. Agora, gerencialmente, se o objetivo é decidir quanto investir para adquirir clientes, dá—e deve—tratar marketing como gasto de aquisição a ser atribuído a coortes de clientes e linhas de produto. Aqui nasce um CAC gerencial, sem bagunçar as demonstrações oficiais.
No funil simples (um produto só), dá para organizar o mínimo decente: Topo, Meio e Fundo viram três centros de custo. Em cada período, eu registro o que gastei em cada etapa (mídia, fee de agência, ferramentas, horas de time, comissão do vendedor que fecha a primeira compra, etc.). Esses gastos formam um “marketing a apropriar” que eu atribuo por competência às coortes de novos clientes que efetivamente converterem naquele horizonte de tempo. Se os meus leads levam, em média, oito semanas entre o primeiro contato e a compra, não faz sentido jogar toda a despesa de hoje nas vendas de hoje. Coorte é o antídoto: gasto da coorte, cliente da coorte, CAC da coorte.
Quando saímos do funil de produto único e encaramos um funil multi-produto, a complexidade aumenta — e a necessidade de método também.
O Topo de funil costuma ser amplo e compartilhado (marca, conteúdo, awareness). Já o Meio e o Fundo tendem a ramificar por produto (propostas, POCs, trials, calls específicas). Se eu despejo todo o Topo no produto que mais vendeu no mês, distorço o CAC dos outros; se eu reparto “no chute”, fabrico dado que engana. A saída clássica de controladoria é definir drivers de rateio objetivos para levar o gasto do Topo até cada linha de produto: participação de MQL por produto, cliques qualificados por oferta, tempo de pré-venda do time, ou outra métrica rastreável. Assim, o CAC do Produto A recebe a sua fração do Topo mais o que foi gasto especificamente em Meio/Fundo do A, e divide isso pelos novos clientes do A na coorte. Mesmo raciocínio para B e C.
Tem outra pedra no sapato: recompra. Muita gente “alisa” o CAC diluindo o gasto inicial pela receita de recompra. Errado. CAC é para aquisição do cliente na primeira compra. O que vem depois entra no LTV. A conversa que presta é olhar Payback (em quantos meses a margem cobre o CAC) e LTV/CAC (eu trabalho com mínimo conservador de 3). Se o payback estoura e o LTV/CAC murcha, não é criativo no Instagram que resolve — é disciplina na aquisição e no preço.
O ponto que me incomoda de verdade está em competência. A linha do tempo entre o primeiro toque e a venda não é cosmética; ela define quando eu reconheço o CAC daquela coorte. Sem isso, o dashboard vira novela: num mês, CAC “milagrosamente” cai; no outro, explode. Não é milagre; é descasamento temporal. Se você não tem tracking fino, tudo bem: assuma uma janela conservadora (por exemplo, 60 dias) e documente uma regra provisória de atribuição (40% Topo, 40% Meio, 20% Fundo). Melhor um critério simples e estável do que planilha que ninguém consegue repetir.
Repare como a imagem da linha do tempo força uma pergunta que é de contador, não de marqueteiro: em que semana eu reconheço o gasto daquela coorte como CAC? Quando a coorte converte. É a forma honesta de ligar o que foi investido ao ativo econômico “cliente” que nasceu dali. É contabilidade gerencial pura: não estou capitalizando marketing no balanço; estou fazendo apropriação por competência para decisão — inclusive para comparar canais e produtos com base em dado que fecha.
Sei que tem quem torça o nariz para “trazer contabilidade” para dentro do marketing. Eu faço o movimento contrário: levo método do marketing para a contabilidade gerencial, porque é ali que a empresa toma as decisões. O fiscal fica limpo (despesa no resultado, sem invencionice). O gerencial ganha músculo: centros de custo por etapa, coortes por período, drivers de rateio transparentes, payback, LTV/CAC. E, por favor, nada de confundir: “despesa do mês ÷ vendas do mês” não é CAC; é atalho que engana o gestor.
Para fechar na minha linha de raciocínio — a mesma que uso quando escrevo sobre débito e crédito ou sobre compra de mercadorias como troca de ativos — governança é ter regra clara e repetível. Defina o que entra no CAC (mídia, fees, ferramentas, parte do time de vendas que fecha a primeira compra), como ratear o Topo entre produtos, qual a janela de competência, qual modelo de atribuição (comece com first ou last touch, evolua quando der). Publique isso internamente. Revise trimestralmente. A partir daí, dá para discutir corte de canal, aumento de budget, preço e prazo com menos “achismo” e mais conta.
Se você é contador, seu papel aqui é óbvio: garantir competência e apropriação. Se é analista de marketing, o ganho é direto: comparabilidade e previsibilidade. Se é empresário, dinheiro no lugar certo. Se é estudante, entenda que CAC bom é CAC explicável.
PS: A fórmula “despesa do mês ÷ vendas do mês = CAC” não veio da apresentação do Moisés Silva (Frame Business). A talk dele foi sobre Landing Page e foi excelente. Esse “CAC simplório” é algo que ouço por aí, em conversas informais com “marketeiros de esquina”, e é justamente o ponto que estou criticando aqui.
Notícias Técnicas
Versão 12.2.6 da ECF corrige erro na geração de relatórios de Pastas e Fichas e deve ser usada em diferentes leiautes
Atualização da documentação técnica inclui eventos transacionais, regras de validação e esquemas para arquivos XML
Homologação avaliou cenários de emissão, regras de negócio e possíveis inconsistências antes das próximas etapas de implantação
Equívocos no valor da terra, no cadastro, na classificação das áreas e no uso do imóvel podem distorcer o cálculo do ITR e gerar correções posteriores
Agenda tributária da Receita Federal reúne obrigações com vencimentos a partir de 10 de setembro; confira o que empresas e profissionais devem observar
A Solução de Consulta COSIT nº 172/2026 uniformizou as regras do IRRF sobre resgates de previdência complementar
A Solução de Consulta COSIT nº 171/2026 definiu o prazo para recolhimento das retenções previdenciárias em serviços prestados a órgãos públicos, conforme a integração do ente ao SIAFI
A Receita Federal publicou a Solução de Consulta COSIT nº 170/2026, com novos critérios para calcular a base de retenção das contribuições previdenciárias em serviços de construção civil
A IN RFB nº 2.341/2026 mudou o acompanhamento de empresas que utilizam benefícios fiscais federais. Até dezembro de 2026, o procedimento terá caráter orientativo antes das intimações formais
Notícias Empresariais
Retrabalho, informações desencontradas e controles manuais reduzem a eficiência das empresas. Identificar os gargalos é o primeiro passo para melhorar a operação
Adotar inteligência artificial é relativamente simples. O desafio está em transformar processos, competências, liderança e comportamento sem criar uma organização mais rápida, porém incapaz de pensar melhor
Novas regras do Pronampe ampliam o limite de crédito para R$ 500 mil, estendem o prazo de pagamento e dobram o período de carência
Menos de dois meses após entrar em operação, sistema já é usado por modelos de IA que buscam prever riscos e acelerar a oferta de crédito às empresas
Estudo da Acrefi mostra que, no primeiro semestre, 19,8 mil CNPJs fraudulentos foram identificados e barrados. Em geral, são criados com o uso ilegal de CPFs de terceiros
O mercado financeiro fez a transição que muitas empresas não conseguiram: ESG deixou de ser narrativa e passou a ser precificação de risco
Especificações técnicas do sistema foram atualizadas para aprimorar a integração de empresas e automatizar processos de pagamentos recorrentes
Projeção para o PIB variou de 1,92% para 1,93%
A discussão sobre inteligência artificial na América Latina começou da forma errada.
Um direito muitas vezes esquecido pode dar fôlego ao giro
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade