A partir de 1º de junho o Ministério do Trabalho e Emprego já receberá as declarações
Área do Cliente
Notícia
A nova realidade tributária do agro: Desafios do IBS e do Imposto Seletivo
A competitividade do agro mudou. Este artigo analisa o fim dos benefícios fiscais e os novos regimes da reforma, oferecendo um guia estratégico para a tomada de decisão no setor
Pilar da economia brasileira e potência no cenário global, o agronegócio sempre operou sob regras tributárias com particularidades que buscavam refletir a complexidade de suas cadeias produtivas. Com a chegada da reforma tributária (EC 132/23), o setor se depara com uma nova realidade fiscal, um ecossistema redesenhado que, ao mesmo tempo em que acena com simplificações, impõe uma reavaliação completa de custos e estratégias, seja pelas novas regras, seja pela extinção de benefícios fiscais historicamente consolidados.
A discussão para o setor vai muito além da simples unificação de impostos. Ela se desdobra em três pilares centrais que definirão a competitividade e a rentabilidade do campo nas próximas décadas: a navegação no novo regime especial do IBS/CBS, a perda de incentivos cruciais do sistema antigo, e a ameaça do novo Imposto Seletivo. Este artigo analisa esses desafios e os caminhos do planejamento tributário para o agro neste ponto de inflexão.
O regime especial do IBS/CBS para o agronegócio
Reconhecendo as especificidades do setor, onde transações frequentemente ocorrem entre produtores rurais pessoa física e grandes indústrias, a reforma criou um regime especial para o agronegócio. O objetivo é simplificar a apuração do imposto e resolver um problema crônico: a dificuldade do produtor rural em gerar e gerenciar créditos tributários. A principal ferramenta para isso é o crédito presumido.
O crédito presumido: A moeda de troca
Em termos simples, o crédito presumido funciona como uma moeda de troca. Quando uma indústria ou cooperativa adquire produtos de um produtor rural optante pelo regime especial, a legislação permite que este adquirente tome um crédito "fictício" de IBS/CBS, calculado como um percentual sobre o valor da compra. Isso desonera o produtor da complexa burocracia de apurar débitos e créditos, garantindo, ao mesmo tempo, a não cumulatividade para o elo seguinte da cadeia.
Apesar da vantagem da simplicidade, a questão estratégica reside no percentual desse crédito. Se for muito baixo, o adquirente terá menos imposto a abater, o que pode pressionar para baixo o preço pago ao produtor. A definição dessa alíquota de crédito presumido é, portanto, um dos pontos mais sensíveis da nova legislação.
A escolha estratégica: Optar ou não pelo regime especial?
A adesão ao regime especial é opcional. Um produtor ou uma agroindústria pode escolher ser tributado pelo regime padrão do IBS/CBS. Essa decisão dependerá fundamentalmente de sua posição na cadeia de valor e de sua estrutura de custos. Para um produtor rural que vende sua produção para cooperativas ou grandes empresas, a simplicidade do regime especial é quase sempre o caminho mais vantajoso. Já para uma agroindústria verticalizada, que compra muitos insumos geradores de crédito e possui uma estrutura contábil robusta, a opção pelo regime padrão pode ser mais benéfica para maximizar o aproveitamento de créditos reais.
O fim de uma era: A extinção dos benefícios fiscais históricos
Talvez o impacto mais imediato e profundo da reforma para o agronegócio não esteja no que ela cria, mas no que ela revoga. A competitividade de muitas operações do setor foi construída sobre décadas de incentivos fiscais específicos para insumos e produtos agrícolas, e a regra geral da reforma é o fim dos benefícios setoriais.
O adeus aos incentivos de PIS/Cofins e ICMS
Atualmente, uma vasta gama de insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos, sementes, mudas e rações, goza de alíquota zero ou suspensão de PIS/Cofins. Na esfera estadual, o Convênio ICMS 100/97, um marco que há décadas reduz a carga tributária na comercialização de insumos, é um dos pilares do setor. Com a reforma, toda essa estrutura está com os dias contados. Esses produtos passarão a ser tributados pela alíquota padrão do IBS/CBS, e o benefício será transferido para o final da cadeia, através do sistema de crédito. O resultado é uma mudança drástica no fluxo de caixa do produtor e na mecânica de formação de preços.
Um cronograma para o fim: A transição programada
A extinção desses benefícios seguirá um cronograma preciso. Os incentivos de PIS/Cofins serão extintos de forma mais rápida, deixando de vigorar em 1º/1/27, quando a nova CBS for plenamente implementada.
Já para os complexos benefícios de ICMS, a reforma estabeleceu uma "escada" de redução gradual entre 2029 e 2032. A eficácia desses incentivos será reduzida progressivamente: manterão 90% de seu valor em 2029, 80% em 2030, e assim por diante, até sua extinção total em 31/12/32.
Imposto Seletivo: A ameaça sombria sobre a competitividade
Se o regime especial do IBS/CBS é o desafio operacional, o IS - Imposto Seletivo é o grande desafio político e econômico. Concebido como um "imposto do pecado" para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, sua aplicação potencial gera enorme apreensão no campo.
A controvérsia dos defensivos agrícolas
O epicentro do debate é a possível inclusão dos defensivos agrícolas na lista de produtos sujeitos ao Imposto Seletivo. De um lado, grupos ambientalistas defendem a tributação como forma de desincentivar o uso de agrotóxicos. De outro, o setor produtivo argumenta, com razão, que esses produtos são insumos essenciais para garantir a produtividade e a segurança alimentar, e que sua oneração extra resultaria em um efeito cascata, aumentando o custo de produção e o preço dos alimentos.
A definição da lista de produtos sujeitos ao IS está em disputa no Congresso Nacional, o que torna a articulação política do setor uma tarefa vital neste momento.
O planejamento tributário no novo cenário
A nova realidade fiscal exige do empresário do agronegócio uma postura proativa. O planejamento passa a envolver uma análise integrada dos três desafios apresentados:
Revisão da estrutura de custos: Com o fim dos benefícios fiscais para insumos, é preciso recalcular o custo de produção, considerando a nova carga de IBS/CBS e seu impacto no fluxo de caixa.
Análise estratégica de regime: Simular cenários para decidir entre o regime especial (com crédito presumido) ou o regime padrão, analisando o impacto na relação com fornecedores e clientes.
Análise de risco (Imposto Seletivo): Identificar a dependência da operação em relação a insumos que estão na mira do IS e monitorar de perto as discussões legislativas.
Revisão contratual: Adaptar contratos de compra e venda, parceria e arrendamento para refletir as novas obrigações e a sistemática de crédito do IBS/CBS.
Conclusão
O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de tripla complexidade: precisa decifrar as engrenagens do novo IBS/CBS, se preparar para a perda de benefícios fiscais históricos que sempre sustentaram sua estrutura de custos e, simultaneamente, gerenciar a ameaça econômica do Imposto Seletivo. A era do planejamento tributário reativo chegou ao fim. A sobrevivência e a prosperidade no novo cenário dependerão da capacidade de simular cenários, recalcular custos e se adaptar rapidamente. A assessoria jurídica e contábil especializada deixa de ser um suporte para se tornar uma ferramenta essencial de navegação neste novo e desafiador campo.
Notícias Técnicas
Publicação do manual e do Swagger marca o início da preparação tecnológica para implementação do Split Payment da CBS e do IBS
A Receita Federal esclarece que os saldos credores de PIS/Pasep e Cofins serão preservados na transição para a CBS e poderão ser compensados ou ressarcidos via PER/DCOMP Web, com procedimentos simplificados
Estímulo à autorregularização alcança mais de 29 mil empresas, com divergências de R$ 4,9 bilhões
Ministério do Trabalho e Emprego emite novo comunicado sobre irregularidades no FGTS Digital e esclarece que desatenção a notificações pode bloquear emissão de certidões e causar cobranças judiciais imediatas
Receita Federal recebeu mais de 44 milhões de declarações dentro do prazo; quem perdeu a data deve enviar o documento o quanto antes para evitar novos transtornos fiscais
Omissão de rendimentos, erros médicos e divergência de dados lideram retenção da Receita; declaração pode ser corrigida por meio de retificação
Com a proximidade das eleições, especialistas esclarecem o que pode ser restringido no ambiente de trabalho e quais direitos dos trabalhadores devem ser preservados
Desde 1º de junho de 2026, o prazo de Manifestação do Destinatário passou de 180 para 90 dias, contado da autorização da NF-e, conforme o Ajuste SINIEF nº 14/26 e a Nota Técnica 2020.001 v.1.60
A cada quatro anos, o país para quando o Brasil joga. Mas será que o trabalho também precisa parar? A CLT obriga empresas a liberarem os funcionários para os jogos da seleção ou isso não é feriado nacional?
Notícias Empresariais
A confiança é um pilar de equipes de alta performance, mas muitos gestores ainda a associam sobretudo a empatia, proximidade ou carisma
Uma reunião importante. Ao redor da mesa, pessoas formadas em épocas radicalmente diferentes
Crescer em receita não garante solidez e pode esconder fragilidades estruturais que comprometem o futuro do negócio
A FENACON lança a série MEI Sem Dúvidas para orientar microempreendedores individuais com conteúdo educativo acessível
Analistas apontam que empresas usam o discurso da inteligência artificial para justificar cortes e agradar investidores
Governança de dados, análise de risco e conformidade com a LGPD passaram a ser elementos centrais para o uso legítimo de imagens pelas empresas
Empresas com perda de 1% podem pedir crédito a partir de segunda
Uma economia que paga demais à gestão financeira em detrimento da inovação e da técnica tende a se tornar rentista, eficiente em otimizar o existente, mas incapaz de gerar relevância global
O mercado finalmente percebeu o que o burnout custa. Mas poucos sabem o que a saúde emocional organizacional produz — e o número é mais alto do que você imagina
Estudos e práticas adotadas por grandes empresas mostram que excesso de reuniões pode prejudicar produtividade, decisões e inovação
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade