Mais de 11 mil produtores rurais foram alertados e têm até 31 de julho para regularizar pendências
Área do Cliente
Notícia
Mudança no auxílio-doença pode fragilizar relações de trabalho
Especialistas avaliam que a proposta de delegar o pagamento do benefício às empresas onera o empregador e pode funcionar apenas para negócios de maior porte, que dispõem de caixa robusto e organização tributária
Sob o argumento de proporcionar melhores condições aos trabalhadores, o Governo Federal propõe que o pagamento do auxílio-doença passe a ser efetuado pelas próprias empresas empregadoras. A justificativa é a demora do segurado em conseguir uma perícia médica para que o benefício seja concedido. Especialistas avaliam, no entanto, que a medida fragiliza o trabalhador, onera as empresas e que a estratégia não se configura como a melhor solução.
Na prática, a ideia é seguir o modelo do salário-maternidade: as empresas pagam o benefício e depois são compensadas na contribuição previdenciária. Conforme explica o coordenador estadual do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Paulo Bacelar, se a empresa deve, por exemplo, R$ 50 mil à Previdência naquele mês, será descontado desse valor a cifra do auxílio-doença, havendo, assim, a compensação.
"No caso do auxílio-doença, são pessoas que não sabem quanto tempo vão ficar afastadas. Para as empresas que têm poucos funcionários, que têm pouco a pagar de Previdência, terão de arcar com o valor do benefício para o segurado e ainda vai ter de contratar uma outra pessoa para substituir a que está afastada", ressalta Bacelar.
Para ele, a medida irá causar um aumento das demissões. "A empresa não vai querer uma pessoa doente sabendo que vai ter que pagar o auxílio. É retirar do Estado o dever de acolher as pessoas na hora que elas mais precisam, porque ela contribui para a Previdência para ter uma resposta do Estado e ganhar um salário, enquanto ela está doente", argumenta o coordenador estadual do IBDP.
Precarização
Para o professor do departamento de Administração da Universidade Federal do Ceará (UFC), David Barbosa de Oliveira, a transferência só funciona para empresas de porte maior, que tenham caixa robusto e uma boa organização tributária inerentes. "Isso desonera o Estado e joga o encargo para a empresa, tornando mais caro para ela manter seu empregado. Me parece que eles querem desonerar a folha de pagamento, mas é uma forma de precarizar o mercado de trabalho e fomenta o emprego barato, o que causa vários danos sociais", alerta o professor.
Oliveira ainda destaca que um dos prováveis efeitos para o Governo com a mudança é que, com a compensação, sobraria dinheiro para as empresas realizarem novos investimentos. "Mas isso não aconteceu, por exemplo, em 2014 quando tentaram desonerar parte da folha. As empresas pegaram essa sobra e aplicaram em fundos de seguros, não investiram. Ou seja, não é um modelo eficiente", afirma David Barbosa.
Economia
Segundo cálculos do governo, a medida irá gerar uma economia de R$ 7 bilhões nos gastos da União, o que deixaria uma folga no limite do teto de gastos. Apesar da previsão, o presidente da Comissão de Direito Previdenciário e Assistência Social da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Ceará, João Ítalo Pompeu, não consegue ver como essa redução de gastos irá acontecer. "O INSS vai continuar pagando, cobrindo o que será descontado da dívida das empresas com a Previdência. Acaba saindo dos cofres do INSS do mesmo jeito", diz.
Ele reforça o argumento de que as pequenas empresas, principalmente, serão prejudicadas. "Imagine uma empresa com 3 ou 4 funcionários. A dívida com a Previdência dela é muito pequena. A compensação poderá demorar muitos meses para ser concluída. Em vez de desonerar, a medida poderá prejudicar. Se é um governo liberal, que quer fomentar o empreendedorismo, a proposta não condiz, porque não vai beneficiar empresa nenhuma", dispara Pompeu.
O presidente da Comissão ainda aponta que, no caso dos moradores de Fortaleza, o processo para conseguir perícia médica demora cerca de uma semana, apenas. "Até o pagamento começar a ser realizado, o período é de cerca de 15 dias, intervalo que, segundo ele, não comprometeria a sobrevivência do segurado. "No caso do interior é que realmente pode haver a demora de 40 dias para a perícia que eles alegam", admite.
Alternativas
O coordenador estadual do IBDP, Paulo Bacelar, aponta que o INSS não repõe o seu quadro de funcionários. "Ficamos mais de 20 anos, de 1983 a 2003, sem concurso. É preciso que haja a contratação de novos médicos para agilizar esse processo".
Ele ainda lembra que, há alguns anos, a perícia médica era terceirizada, realizada por clínicas e médicos conveniados ao INSS. "Isso poderia voltar a acontecer para que houvesse uma rapidez na perícia médica. Talvez, saísse até mais barato que o pagamento de juros e correção que tem de ser feito por conta da demora na concessão do benefício", acrescenta.
João Ítalo Pompeu, da OAB Ceará, também indica a parceria com o setor privado como uma alternativa melhor que a transferência de pagamento para as próprias empresas empregadoras. "O INSS poderia pagar por perícias particulares no interior, já que na Capital isso é feito com certa agilidade. Como muitos municípios não têm mais o serviço de perícia, o INSS tem de pagar pelo transporte dos solicitantes até Fortaleza. Terceirizando esse serviço, ainda há uma chance de o órgão conseguir reduzir custos", revela.
Ceará
Em setembro, o INSS pagou 6.118 auxílios-doença somente no Ceará, totalizando mais de R$ 8 milhões. Na comparação com igual mês do ano passado, quando foram pagos R$ 7,48 milhões a 6.155 segurados, há uma queda de 0,5% no volume de benefícios e alta de 7,35% em todo o valor aplicado.
Já no acumulado de janeiro a setembro, o número de beneficiados no Estado do Ceará chegou a 53.475, 28% a menos que em igual período do ano passado. Em termos monetários, o órgão destinou R$ 68,5 milhões para o pagamento de auxílios-doença ante R$ 90,8 milhões - cerca de 24,5% a menos.
Notícias Técnicas
Procedimento exige uso do sistema CNES e envio de documentos como ata de assembleia e estatuto social para validação da alteração de enquadramento sindical
Novo formato do CNPJ começa em julho para empresas recém-abertas e exigirá atualização de sistemas fiscais, contábeis e financeiros
Preenchimento correto depende do cruzamento com EFD-Reinf, eSocial e demais obrigações acessórias para evitar inconsistências na Escrituração Contábil Fiscal
Portaria Codar nº 325/2026 institui grupo especializado para analisar pedidos de restituição, ressarcimento e compensação relacionados a créditos de saldo negativo do IRPJ
Foi publicada no DOU a reformulação das regras do programa Crédito do Trabalhador, alterando o tratamento dos empréstimos consignados na rescisão contratual no eSocial
Receita Federal dita regras claras sobre incidência de INSS, exigindo atenção redobrada dos escritórios de contabilidade
Com fiscalização automatizada e em tempo real, Receita Federal cruza informações bancárias e notas fiscais
O prazo final de entrega se encerra no dia 31 de julho
A Zona Franca de Manaus voltou ao centro das discussões tributárias após a Receita Federal divulgar um novo entendimento sobre a redução de incentivos fiscais federais
Notícias Empresariais
Em um ambiente de pressão constante, a inteligência emocional deixou de ser um diferencial para se tornar uma das competências mais importantes da liderança moderna
A geração que quer tudo para ontem; e como isso pode ser a melhor coisa para a sua empresa
Empresas treinam funcionários para funções que ainda não existem. Em um mercado moldado pela IA, aprender virou a habilidade mais valiosa
Trabalhadores formais, informais e quem usa o Fies serão beneficiados
O “nanoempreendedor” beneficia quem fatura até R$ 40,5 mil por ano com burocracia reduzida e uso do CPF
Ferramenta lançada pela ApexBrasil mapeia oportunidades por estado, destaca mercados estratégicos na União Europeia e busca impulsionar exportações brasileiras com base no acordo Mercosul-UE
Durante evento em Niterói, será apresentado o Cartão do Empreendedor para dar visibilidade ao MEI da classe C e facilitar acesso a benefícios
Lote é o maior da História em número de pessoas beneficiadas, contemplando mais de 9,5 milhões de contribuintes com um total de R$ 16 bilhões de créditos depositados
Todos os dias, profissionais tomam inúmeras decisões sobre oportunidades, riscos e limites, acreditando agir de forma totalmente racional
Levantamento da Flash mostra que o maior desafio das PMEs está na qualidade das contratações; participação limitada das lideranças e processos pouco estruturados ampliam o problema
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade