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Precisamos trabalhar menos para o Fisco e mais para as empresas
Para o presidente do Sescon-SP, Marcio Massao Shimomoto, esses temas ganharam ênfase sob sua gestão
O setor contábil brasileiro passa por uma grande transformação. A tecnologia, as constantes mudanças na legislação e o atual cenário econômico e político tornam fundamental e aceleram a necessidade de atualização constante dos profissionais e das empresas que atuam na área.
O desafio é grande, já que tradicionalmente esses empresários sempre tiveram um perfil mais conservador e agora se deparam com a necessidade de se tornarem mais dinâmicos, estratégicos e multidisciplinares para atuarem mais diretamente na gestão de seus clientes.
Para o presidente do Sescon-SP, Marcio Massao Shimomoto, esses temas ganharam ênfase sob sua gestão e a entidade está cada vez mais apta a apoiar seus representados para esses desafios.
Nesta entrevista, Shimomoto destaca o papel do Sescon e de sua universidade corporativa diante da deficiente graduação de profissionais e fala também sobre o papel do Sindicato na defesa de direitos de empresários da categoria. Entre as mais recentes conquistas da entidade, o líder sindical destaca a ampliação do prazo do eSocial. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.
Quais sâo os desafios do Sescon-SP para os próximos anos?
Temos como finalidade principal representar, da melhor maneira possível, nossos associados e filiados perante órgãos públicos e a sociedade, além de levar educação continuada a toda a categoria. Nossa profissão evolui muito rapidamene e somos bombardeados de forma constante por novas legislações e tecnologias, criando sempre novos desafios. A missão do Sescon-SP é representar seus associados e ajudar o governo a construir uma agenda positiva para o setor produtivo. Podemos, inclusive, ajudar com uma proposta consistente e factível de reforma tributária, já que este é um assunto que conhecemos profundamente. E, como sindicato patronal, temos sugestões também para a reforma trabalhista. Colaborar com as empresas do setor em diversas frentes, principalmente desenvolvendo a capacitação, para que elas possam prestar serviços cada vez mais estratégicos para seus clientes, também é uma das missões do Sescon-SP.
Como a categoria está se posicionando para fortalecer e ampliar a visibilidade para o papel cada vez mais estratégico do contador nas empresas?
Através da educação continuada e dos eventos que realizamos. Sempre discutimos as tendências e os desafios da profissão, mas minha gestão deu uma ênfase ainda maior para este tema. Quero discutir como a profissão será no futuro e projetar como deverão se posicionar e se preparar as empresas de contabilidade.O objetivo do Sescon-SP é apontar para nossos profissionais o caminho correto para que eles possam, cada vez mais, atuar como gestores de suas empresas-clientes. O papel do Sescon-SP é ajudar a colocar toda a categoria no patamar exigido por essa visão de futuro por meio da educação continuada. E, para isso, os debates em nossos eventos são fundamentais.
Quais os principais destaques do programa de educação continuada do Sescon-SP?
Temos uma universidade corporativa. Queremos capacitar melhor os colaboradores das empresas de contabilidade porque, infelizmente, os profissionais oriundos dos cursos de graduação estão despreparados para atuar na área. A universidade corporativa é importante por vários aspectos. Primeiro, para capacitar estes novos profissionais. Em segundo lugar, para mantê-los atualizados. E, por fim, porque pela nova resolução do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) há a exigência de um exame de suficiência para que técnicos possam exercer a profissão nos departamentos de contabilidade. Há poucas opções para estes técnicos: abandonar a profissão, mudar de função no departamento ou se graduar em uma faculdade. O Sescon-SP tem feito parceria para fornecer uma graduação a distância.
Na sua avaliação, quais são as novas frentes de oportunidades para os profissionais de contabilidade?
Temos um amplo campo de trabalho na consultoria e gestão de empresas. Quanto mais a economia se torna estável, mais importante se torna a contabilidade, por ela demonstrar os custos das empresas, demonstrar financeiramente para onde vão os recursos e de onde vêm os recursos. Esta é função da contabilidade. Interpretar números, fazê-los inteligíveis e mostrar aos empresários como ela é e como deveria ficar, colaborar na gestão e crescimento da empresa.
Nas próximas eleições, os contadores terão um novo papel: registrar e contabilizar atos e fatos praticados no processo de arrecadação e gastos. De que forma o Sescon-SP está atuando para ajudar os profissionais na prestação deste serviço?
O CFC recentemente fez uma palestra sobre as regras eleitorais. E teremos, em breve, uma palestra com o desembargador do TRE, que também demonstrará para os nossos profissionais quais são as mudanças na legislação eleitoral e como poder atuar na prestação de contas eleitorais.
Quais são os maiores desafios da categoria?
O grande desafio é evoluir constantemente. Devemos ser mais dinâmicos, menos técnicos e aprender mais sobre técnicas de gestão. E também deixarmos de fazer simplesmente a contabilidade fiscal. Precisamos trabalhar mais para o fortalecimento do cliente e menos para o Fisco.
O eSocial deve ser adiado, graças a entidades contábeis. O Sescon-SP conseguiu ampliar também a entrega das Declarações de Substituição Tributária, Diferencial de Alíquota e Antecipação (DeSTDAs). Quais outras iniciativas a favor de empresas e contadores?
O Sescon-SP, junto com entidades do estado, como o CRC, Sindcont e Apejesp, é demandado quando há algum problema com o Fisco. E o Sescon-SP, juntamente com outras entidades, atua fortemente junto à Secretaria da Fazenda e à Receita Federal para a melhoria do sistema tributário. Além disso, é uma das únicas entidades estaduais no Grupo de Trabalho Confederativo do eSocial.
O Eescon chegou a sua 25ª edição. Na sua opinião, qual o legado do encontro?
Além das informações e do network, estimular a reflexão sobre o futuro da profissão. As pessoas estão mudando, há novas tecnologias, novos desafios e novos mercados.
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