Por voto de qualidade, o colegiado negou o recurso de uma indústria cerâmica e manteve a autuação fiscal referente ao IRPJ e à CSLL.
Área do Cliente
Notícia
A geração seguinte quer assumir a empresa. Mas ela quer administrar a mesma empresa?
Talvez esse seja um dos legados mais difíceis de construir: uma empresa preparada para continuar relevante depois que as decisões que a criaram já não responderem da mesma forma ao presente
Em uma sucessão familiar, boa parte da atenção costuma se concentrar em quem ocupará a cadeira do fundador. Antes disso, há uma questão mais decisiva: a empresa que está sendo entregue ainda é a empresa que precisa existir nos próximos dez ou vinte anos?
O sucessor recebe ativos, responsabilidades e uma história. Recebe também escolhas feitas para um determinado contexto competitivo e, algumas delas, embora tenham sido fundamentais para construir o negócio, podem já não ser as que vão conduzi-lo adiante.
É isso que torna a sucessão mais complexa do que uma transferência de comando. Quem construiu uma empresa conhece profundamente o valor das decisões que a trouxeram até aqui. Quem chega para assumir olha para o mesmo negócio depois de ter sido formado por outra relação com a tecnologia, por novos hábitos de consumo e por outras possibilidades de crescimento.
O estudo Family Business Succession Planning and the Next Generation, publicado pela Deloitte em julho de 2026, que ouviu 1.587 empresas familiares de 35 países, dá dimensão a esse movimento. Questionadas sobre como a próxima geração deve remodelar o futuro dos negócios que vai herdar, 42% das empresas apontaram modernização tecnológica, e outros 42%, inteligência artificial. Novos produtos e serviços apareceram em 40% das respostas, e a expansão para mercados internacionais, em 39%.
Os números sugerem que uma parcela relevante dessa geração enxerga na sucessão mais do que continuidade de gestão. Ela chega também com uma agenda de transformação.
O legado e as decisões que o construíram são patrimônios distintos
Preservar um legado e preservar todas as decisões que o construíram são compromissos diferentes, e empresas familiares com frequência os tratam como se fossem um só.
Uma empresa pode ter crescido durante décadas com lojas próprias e descobrir que a próxima etapa exige combinar franquias, digital, marketplaces e novos canais. Um produto que sustentou a rentabilidade do negócio pode continuar importante sem conservar o mesmo peso no portfólio. Uma marca reconhecida pode precisar mudar a forma de conversar com consumidores mais jovens. E processos que deram segurança durante vinte anos começam, em algum momento, a limitar velocidade e capacidade de resposta.
Nada disso diminui o que veio antes. Uma das responsabilidades mais importantes de quem assume é justamente distinguir aquilo que constitui a força do negócio daquilo que foi a melhor resposta disponível em determinado momento.
Essa separação nem sempre é simples. Para o fundador, um processo carrega história, aprendizado e identidade. Para o sucessor, o mesmo processo representa uma oportunidade de simplificação. O fundador olha para uma loja e reconhece ali parte importante da construção da empresa. Para a nova geração, aquele mesmo ponto físico existe dentro de uma estratégia conectada a dados, relacionamento digital, conteúdo e serviços.
As duas leituras podem ser legítimas. A dificuldade começa quando uma decisão de negócio passa a ser interpretada como julgamento sobre a trajetória de quem a tomou.
Divergência estratégica tratada como conflito pessoal
Tenho observado que esse é um dos pontos mais delicados das empresas familiares.
Quando o sucessor questiona um canal, uma estrutura ou uma forma de operar, a discussão ganha rapidamente uma dimensão pessoal. Na direção oposta, a resistência do fundador é lida como conservadorismo, mesmo quando existe conhecimento acumulado por trás dela. Nos dois casos, a empresa perde qualidade de decisão: a conversa deixa de avaliar alternativas e passa a defender posições.
Há uma pergunta que ajuda a recolocar a discussão em terreno estratégico: qual decisão amplia a capacidade desta empresa de continuar competitiva?
A nova geração tende a ocupar espaço crescente em áreas mais associadas à renovação do negócio como tecnologia, vendas, marketing, inovação e em pesquisa e desenvolvimento. E, naturalmente, sucessão e transformação empresarial passam, assim, a fazer parte da mesma conversa. Quem assume chega com outra idade e, sobretudo, com referências construídas em outro mercado e, por que não, mundo.
O legado precisa ter fronteiras claras
Uma sucessão madura torna explícito o que pertence à essência da empresa e o que permanece aberto à revisão. Propósito, valores, princípios éticos, compromissos da família e determinados atributos da marca compõem o patrimônio a ser protegido. Canais de venda, processos, sistemas, estruturas organizacionais, portfólio e modelos de expansão pertencem ao campo das escolhas estratégicas.
A governança tem papel importante nessa distinção. Quanto mais clara for a fronteira antes da transição, menor o risco de uma discussão operacional ser recebida como ameaça ao legado.
Preparar o sucessor também exige mais do que ensiná-lo a administrar a operação existente. Ele precisa desenvolver capacidade de decisão, leitura de mercado, responsabilidade por resultados e discernimento para assumir riscos.
Nesse aspecto, ainda existe uma distância importante entre intenção e prática. Muitas empresas familiares já estabelecem critérios para a preparação da nova geração, como a atribuição gradual de responsabilidades, a avaliação de desempenho e a exigência de experiência profissional fora do negócio antes do ingresso na empresa.
O desafio está em fazer com que essas diretrizes deixem de existir apenas como regras formais e se transformem, de fato, em uma jornada consistente de desenvolvimento. Definir o que se espera de quem pretende assumir é uma etapa. Criar as experiências, responsabilidades e aprendizados necessários para prepará-lo para esse papel é outra, bem mais complexa.
A melhor sucessão costuma ser a que transforma a empresa
Transformar, nesse caso, significa preservar a capacidade que sustentou o crescimento da empresa até agora: tomar boas decisões diante das condições disponíveis.
As escolhas que sustentaram o crescimento de uma geração não precisam ser reproduzidas para serem respeitadas. Algumas continuarão válidas. Outras terão de ganhar nova forma. É essa capacidade de separar identidade de configuração que torna uma empresa menos dependente do contexto em que nasceu.
Uma sucessão bem-sucedida entrega à geração seguinte um negócio forte o suficiente para ser revisto sem perder sua essência. Talvez esse seja um dos legados mais difíceis de construir: uma empresa preparada para continuar relevante depois que as decisões que a criaram já não responderem da mesma forma ao presente.
Notícias Técnicas
O STJ, em julgamento repetitivo, decidiu que a CPRB deve permanecer na base de cálculo do PIS e da Cofins, rejeitando a possibilidade de sua exclusão
Falhas de preenchimento em documentos já autorizados pelo Fisco exigem procedimentos específicos. Confira
Medida foi anunciada durante coletiva de imprensa que marcou o lançamento da força-tarefa da Receita Federal, Fenacon, CFC e Sebrae para orientar empresas sobre a Reforma Tributária
Portaria estabelece diretrizes para implementação gradual de critérios ambientais, sociais e de governança na gestão de investimentos das EFPC
O STJ definiu que só créditos presumidos de ICMS ficam fora do IRPJ/CSLL; demais incentivos exigem cumprir regras das leis 160/17 e 12.973/14 para exclusão
Lei complementar restringe benefícios fiscais e impacta planejamento tributário das empresas
Antes de corrigir a declaração, contribuinte deve consultar as pendências, conferir os comprovantes e identificar o tipo de comunicação recebida da Receita
Período de transição para CBS e IBS demanda delimitação clara de novas obrigações operacionais, parametrização de sistemas e proteção jurídica para ambas as partes
Levantamento de dados financeiros, composição societária e estrutura de gastos com pessoal são requisitos para que o profissional de contabilidade valide a viabilidade legal e econômica do modelo simplificado
Notícias Empresariais
No início de cada ano, lideranças definem metas e traçam planos ambiciosos, criando a sensação de que a empresa sabe exatamente para onde vai
Liderança sempre esteve ligada a metas, resultados e decisões. Hoje, ganha força a percepção de que, por trás dos indicadores, existem pessoas com diferentes expectativas, talentos e desafios
Personalização, bem-estar, saúde financeira, tecnologia e gestão orientada por dados redesenham a forma como empresas estruturam sua proposta de valor aos colaboradores
Seminário do Sebrae apresentou resultados da Pesquisa GEM 2024/2025, que destacou também a representatividade do empreendedorismo sênior e preferências de atuação
Levantamento inédito mostra que 77% das empresas atendidas pela instituição permanecem ativas após cinco anos de funcionamento, contra 55% das empresas que não buscaram apoio da instituição
Empresas em que profissionais se sentem seguros para questionar, discordar e admitir erros têm cerca de três vezes mais chances de estar entre as organizações de alta performance, aponta estudo da Fundação Dom Cabral
Cumprir a Lei de Cotas não é suficiente: acessibilidade, desenvolvimento profissional e oportunidades de carreira ainda são desafios para as empresas
Um líder pode dominar a técnica e bater metas, mas ainda assim liderar mal. Muitas vezes, o que falta não é capacidade de executar, mas de escutar e se enxergar com clareza
Talvez esse seja um dos legados mais difíceis de construir: uma empresa preparada para continuar relevante depois que as decisões que a criaram já não responderem da mesma forma ao presente
Regras que ampliam segurança e funcionalidades valem a partir de 2027
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade