Edital PGFN/RFB nº 4/2026 permite regularizar débitos de IRRF de investidores não residentes com descontos de até 65% e adesão até 29 de dezembro de 2026
Área do Cliente
Notícia
Por que freio brusco no crédito se tornou a maior ameaça para a economia
Com a Selic a 14% e a inadimplência batendo recordes, economistas alertam para uma desaceleração severa da atividade, embora projeções ainda não reflitam cenário de recessão
A desaceleração econômica projetada para 2027 é certa. Economistas concordam que o ambiente de juros altos deve restringir ainda mais a capacidade de pagamento das empresas e dos brasileiros, a inadimplência irá aumentar e o consumo, estagnar. Caso esta desaceleração ocorra de forma mais rápida que o recuo dos juros, o país poderá entrar em recessão e encarar um ano de aperto no bolso.
“As coisas estão gradualmente piorando e, se tiver um ‘sudden stop’ (parada brusca) no mercado de crédito, poderemos ter uma recessão”, afirma Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management. Ele explica que o mercado de crédito traduz melhor o cenário de risco em que vivemos porque reflete os desequilíbrios do endividamento, da política de crédito direcionado que tira poder da política monetária e mantém a Selic alta e do ambiente fiscal ruim que fez a dívida pública subir 12 pontos percentuais em quatro anos.
Caso a desaceleração ocorra a ponto de se tornar uma recessão, o país conviveria com um cenário de menor crédito, aumento do desemprego, inflação em alta e juros acima do ideal para a economia rodar. Atualmente, a taxa Selic está em 14%.
Pistas para uma recessão
Os sinais que a economia dá e que acendem o alerta para a recessão está na perda de dinamismo da atividade ainda neste ano.
A XP reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para a gestora, o ano de 2026 ainda deve fechar com avanço de 2% no PIB, mas em 2027, o ritmo deverá ser menor, de 1% e com viés de baixa, segundo a XP.
A agropecuária, um dos principais motores da economia, deve sofrer o baque do El Niño, o que afetará a produtividade das safras, segundo a XP.
Os estímulos fiscais, que ajudaram a segurar o consumo neste ano, devem ser reduzidos em 2027 – o mercado cobra um corte de gastos profundo para ajustar as contas do governo. Se este estímulo cair em meio a um alto endividamento e inadimplência, a desaceleração deverá ser ainda mais intensa.
“Os principais riscos que vemos para 2027 são do lado do crédito e da agropecuária”, avalia Alexandre Maluf, economista da XP. Sobre o crédito, ele destaca o elevado comprometimento de renda das famílias e a inadimplência elevada, além das menores concessões de crédito pelos bancos, “o que pode gerar uma espiral negativa”.
Do lado da agropecuária, a projeção da XP ainda é de avanço de 1,5% em 2027. “El Niño pode ser um risco baixista adicional, além, também, de uma contração mais acentuada no número de abates de bovinos”, afirma Maluf.
Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital, destaca que o principal risco para um cenário mais negativo viria de fora do controle doméstico, com uma parada súbita de fluxos de capital, seja por uma crise de confiança em relação ao próximo governo, seja por um choque externo, como um agravamento do conflito no Oriente Médio. “Nesse caso, a depreciação cambial poderia impedir o Banco Central de cortar juros mesmo diante de um ambiente recessivo, criando um cenário mais desafiador de estagflação”, afirma.
Risco do crédito
A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do Banco Central aponta a inadimplência e o comprometimento de renda como fatores para limitar o apetite dos bancos pela concessão de crédito ainda em 2026. E o balanço dos bancos do segundo trimestre comprova que as instituições estão fechando a torneira antes que o dinheiro fique na mão dos devedores.
Em um ambiente ainda mais desafiador em 2027, a projeção é de que haja ainda menos recursos para financiar os sonhos dos brasileiros e o crescimento das empresas.
Chermont destaca o alto número de empresas pedindo recuperação judicial e extrajudicial como indício de que a economia não está nada bem e não deve melhorar sozinha em 2027. A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que o Conselho de administração aprovou o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, uma semana depois da Casas Bahia e Marabraz entrarem em recuperação judicial.
Ajuste fiscal inevitável
A urgência em equilibrar as contas públicas federais é a raiz desse freio na atividade.
Para Ricardo Rocha, economista e professor do Insper, houve uma “voracidade no gasto público”, o que piorou a perspectiva econômica à frente. Ele cita que a projeção de juros futuros aponta uma redução na Selic, seguido de novo aumento de juros até 2028 próximo aos atuais 14%. A projeção de inflação também está elevada, na casa dos 5%. Sem corte de gastos, o governo seguiria estimulando a economia e pressionando a inflação, o que mantém o juro alto. “Qual é a combinação perversa? Juro alto, inflação alta. O que o governo deveria fazer? Reduzir drasticamente os gastos públicos”, afirma.
Em contrapartida, outras instituições projetam um pouso menos turbulento, afastando a tese de contração profunda. O Banco Daycoval projeta um avanço de 1,5% no PIB em 2027 e calcula que o governo precisará fazer um esforço de R$ 38 bilhões para cumprir o limite inferior do arcabouço fiscal, ou seja, só para ficar dentro da regra, sem fazer a economia necessária. A análise do banco aponta que, impulsionado por despesas obrigatórias de alto valor multiplicador como a Previdência, o impacto da política fiscal continuará positivo, de modo que o ajuste desacelera a economia, mas não a derruba.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, reforça que os riscos de recessão são baixos, prevendo que mesmo em um cenário de ajuste fiscal mais severo, o PIB avançaria em torno de 1%.
Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV/Ibre, acompanha a leitura mais cautelosa, argumentando que ainda é cedo para cravar uma recessão, pois as previsões apontam para expansão, mesmo após anos consecutivos de crescimento.
Tobler reconhece, no entanto, que a economia vai girar mais fraca dada o inevitável ajuste de contas após os impulsos fiscais recentes. “Acho que ainda não dá para falar em recessão com os dados que a gente tem visto, mas a tendência é essa”, pondera.
Como afeta o consumidor?
O freio econômico chegará rápido ao orçamento da população. O mercado de trabalho deve perder força, limitando os ganhos de massa salarial, ainda que em ritmo menor já que o emprego é a última variável a reagir às condições de aperto. Ainda assim, a proteção é de uma taxa de desemprego maior do que a de 2026 ao final do ano que vem.
Com uma economia desacelerando, a inadimplência das pessoas físicas — que já cresceu nos últimos anos e não caiu, mesmo com a renda recorde — tende a piorar substancialmente, diminuindo ainda mais o consumo. Tobler explica que os cidadãos já encontram extrema dificuldade em enxergar melhora em seus orçamentos por estarem endividados há bastante tempo, com taxas de juros elevando as dívidas, que ficam cada vez mais caras, mês a mês.
A pressão sobre o consumidor será intensificada pela dinâmica corporativa de sobrevivência. Rocha detalha que, diante do freio na atividade e da menor arrecadação, os setores produtivos precisarão subir suas margens de lucro, enquanto a alta do desemprego inibirá os reajustes salariais.
Em um cenário com cerca de 80 milhões de pessoas devedoras no país, o professor alerta que a ausência de um forte ajuste fiscal agravará a perda de renda e trará desdobramentos ruins para o cidadão no dia a dia.
Notícias Técnicas
Eventos D-1001 e D-1011 poderão ser enviados a partir de 1º de outubro e deverão ser processados antes da escrituração mensal
Mudança foi postergada por duas semanas para dar mais estabilidade às instituições financeiras durante o período de entrega e retificação das informações
Testes realizados pela Receita Federal confirmaram o funcionamento do serviço para usuários de Pessoa Física e Pessoa Jurídica
Solução de consulta detalha os requisitos para caracterizar o uso de equipamentos como emprego de materiais e permitir a aplicação da alíquota reduzida
A Receita Federal reconheceu a aplicação de alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins em operações de microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica, conforme a Solução de Consulta COSIT nº 168/2026
Documento reúne orientações sobre registro, execução dos trabalhos de auditoria, fundos de investimento e asseguração de informações de sustentabilidade
O Portal da NFe (Nota Fiscal Eletrônica) divulgou na 4ª feira (2.set.2026) a tabela da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) com as respectivas uTrib (unidades tributárias) para o comércio exterior
O coeficiente do IBS que definirá a participação de estados e municípios na distribuição da receita do novo imposto deverá ser divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) em 31 de agosto de 2027
O TSE publicou a Resolução nº 23.755/2026, reforçando a proibição de propaganda e assédio eleitoral no ambiente de trabalho, práticas que já são proibidas pela legislação eleitoral
Notícias Empresariais
Empresas dizem valorizar colaboração, autonomia e planejamento. Mas aquilo que realmente se repete costuma ser o comportamento que recebe reconhecimento
O desenvolvimento profissional exige competências técnicas e comportamentais, além de conhecimentos multidisciplinares
Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores até 2027; especialista aponta seis competências que combinam domínio tecnológico, pensamento crítico e capacidade de enfrentar mudanças
Uso de IA chega a 50% entre as grandes empresas brasileiras, mas ainda alcança apenas 15% das pequenas
Saiba como balanço, DRE e fluxo de caixa influenciam a liquidez e capital de giro
Ferramenta indispensável para atrair clientes, fortalecer marcas e garantir a competitividade no mercado contábil
A data comercial é uma grande oportunidade para as empresas testarem um "esquenta" da Black Friday
Recebedor terá acesso ao valor integral de forma instantânea
Nem todo problema chega acompanhado de conflito. Às vezes, alguém para de reclamar porque também parou de acreditar que alguma coisa vai mudar
Expandir sem perder a cultura: esse é o desafio. Entenda como evitar o “copia e cola”, alinhar lideranças e transformar valores em comportamentos, mantendo autonomia sem perder a direção estratégica
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade