Escolha é facultativa e mantém a empresa no Simples Nacional, mas retira os dois novos tributos do DAS; nova oportunidade será aberta em março de 2027
Área do Cliente
Notícia
Por que freio brusco no crédito se tornou a maior ameaça para a economia
Com a Selic a 14% e a inadimplência batendo recordes, economistas alertam para uma desaceleração severa da atividade, embora projeções ainda não reflitam cenário de recessão
A desaceleração econômica projetada para 2027 é certa. Economistas concordam que o ambiente de juros altos deve restringir ainda mais a capacidade de pagamento das empresas e dos brasileiros, a inadimplência irá aumentar e o consumo, estagnar. Caso esta desaceleração ocorra de forma mais rápida que o recuo dos juros, o país poderá entrar em recessão e encarar um ano de aperto no bolso.
“As coisas estão gradualmente piorando e, se tiver um ‘sudden stop’ (parada brusca) no mercado de crédito, poderemos ter uma recessão”, afirma Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management. Ele explica que o mercado de crédito traduz melhor o cenário de risco em que vivemos porque reflete os desequilíbrios do endividamento, da política de crédito direcionado que tira poder da política monetária e mantém a Selic alta e do ambiente fiscal ruim que fez a dívida pública subir 12 pontos percentuais em quatro anos.
Caso a desaceleração ocorra a ponto de se tornar uma recessão, o país conviveria com um cenário de menor crédito, aumento do desemprego, inflação em alta e juros acima do ideal para a economia rodar. Atualmente, a taxa Selic está em 14%.
Pistas para uma recessão
Os sinais que a economia dá e que acendem o alerta para a recessão está na perda de dinamismo da atividade ainda neste ano.
A XP reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para a gestora, o ano de 2026 ainda deve fechar com avanço de 2% no PIB, mas em 2027, o ritmo deverá ser menor, de 1% e com viés de baixa, segundo a XP.
A agropecuária, um dos principais motores da economia, deve sofrer o baque do El Niño, o que afetará a produtividade das safras, segundo a XP.
Os estímulos fiscais, que ajudaram a segurar o consumo neste ano, devem ser reduzidos em 2027 – o mercado cobra um corte de gastos profundo para ajustar as contas do governo. Se este estímulo cair em meio a um alto endividamento e inadimplência, a desaceleração deverá ser ainda mais intensa.
“Os principais riscos que vemos para 2027 são do lado do crédito e da agropecuária”, avalia Alexandre Maluf, economista da XP. Sobre o crédito, ele destaca o elevado comprometimento de renda das famílias e a inadimplência elevada, além das menores concessões de crédito pelos bancos, “o que pode gerar uma espiral negativa”.
Do lado da agropecuária, a projeção da XP ainda é de avanço de 1,5% em 2027. “El Niño pode ser um risco baixista adicional, além, também, de uma contração mais acentuada no número de abates de bovinos”, afirma Maluf.
Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital, destaca que o principal risco para um cenário mais negativo viria de fora do controle doméstico, com uma parada súbita de fluxos de capital, seja por uma crise de confiança em relação ao próximo governo, seja por um choque externo, como um agravamento do conflito no Oriente Médio. “Nesse caso, a depreciação cambial poderia impedir o Banco Central de cortar juros mesmo diante de um ambiente recessivo, criando um cenário mais desafiador de estagflação”, afirma.
Risco do crédito
A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do Banco Central aponta a inadimplência e o comprometimento de renda como fatores para limitar o apetite dos bancos pela concessão de crédito ainda em 2026. E o balanço dos bancos do segundo trimestre comprova que as instituições estão fechando a torneira antes que o dinheiro fique na mão dos devedores.
Em um ambiente ainda mais desafiador em 2027, a projeção é de que haja ainda menos recursos para financiar os sonhos dos brasileiros e o crescimento das empresas.
Chermont destaca o alto número de empresas pedindo recuperação judicial e extrajudicial como indício de que a economia não está nada bem e não deve melhorar sozinha em 2027. A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que o Conselho de administração aprovou o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, uma semana depois da Casas Bahia e Marabraz entrarem em recuperação judicial.
Ajuste fiscal inevitável
A urgência em equilibrar as contas públicas federais é a raiz desse freio na atividade.
Para Ricardo Rocha, economista e professor do Insper, houve uma “voracidade no gasto público”, o que piorou a perspectiva econômica à frente. Ele cita que a projeção de juros futuros aponta uma redução na Selic, seguido de novo aumento de juros até 2028 próximo aos atuais 14%. A projeção de inflação também está elevada, na casa dos 5%. Sem corte de gastos, o governo seguiria estimulando a economia e pressionando a inflação, o que mantém o juro alto. “Qual é a combinação perversa? Juro alto, inflação alta. O que o governo deveria fazer? Reduzir drasticamente os gastos públicos”, afirma.
Em contrapartida, outras instituições projetam um pouso menos turbulento, afastando a tese de contração profunda. O Banco Daycoval projeta um avanço de 1,5% no PIB em 2027 e calcula que o governo precisará fazer um esforço de R$ 38 bilhões para cumprir o limite inferior do arcabouço fiscal, ou seja, só para ficar dentro da regra, sem fazer a economia necessária. A análise do banco aponta que, impulsionado por despesas obrigatórias de alto valor multiplicador como a Previdência, o impacto da política fiscal continuará positivo, de modo que o ajuste desacelera a economia, mas não a derruba.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, reforça que os riscos de recessão são baixos, prevendo que mesmo em um cenário de ajuste fiscal mais severo, o PIB avançaria em torno de 1%.
Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV/Ibre, acompanha a leitura mais cautelosa, argumentando que ainda é cedo para cravar uma recessão, pois as previsões apontam para expansão, mesmo após anos consecutivos de crescimento.
Tobler reconhece, no entanto, que a economia vai girar mais fraca dada o inevitável ajuste de contas após os impulsos fiscais recentes. “Acho que ainda não dá para falar em recessão com os dados que a gente tem visto, mas a tendência é essa”, pondera.
Como afeta o consumidor?
O freio econômico chegará rápido ao orçamento da população. O mercado de trabalho deve perder força, limitando os ganhos de massa salarial, ainda que em ritmo menor já que o emprego é a última variável a reagir às condições de aperto. Ainda assim, a proteção é de uma taxa de desemprego maior do que a de 2026 ao final do ano que vem.
Com uma economia desacelerando, a inadimplência das pessoas físicas — que já cresceu nos últimos anos e não caiu, mesmo com a renda recorde — tende a piorar substancialmente, diminuindo ainda mais o consumo. Tobler explica que os cidadãos já encontram extrema dificuldade em enxergar melhora em seus orçamentos por estarem endividados há bastante tempo, com taxas de juros elevando as dívidas, que ficam cada vez mais caras, mês a mês.
A pressão sobre o consumidor será intensificada pela dinâmica corporativa de sobrevivência. Rocha detalha que, diante do freio na atividade e da menor arrecadação, os setores produtivos precisarão subir suas margens de lucro, enquanto a alta do desemprego inibirá os reajustes salariais.
Em um cenário com cerca de 80 milhões de pessoas devedoras no país, o professor alerta que a ausência de um forte ajuste fiscal agravará a perda de renda e trará desdobramentos ruins para o cidadão no dia a dia.
Notícias Técnicas
Decisões do STF aumentam a atenção sobre contratos, pagamentos e riscos trabalhistas
Empresas podem consultar pelo CNPJ se fornecedores recolherão os novos tributos pelo Simples Nacional ou pelo regime regular em 2027
Indisponibilidade do Portal Único será no domingo (25), entre 1h e 5h, e atingirá declarações e outros serviços do comércio exterior
Confira datas, verbas, descontos e documentos antes de concluir a revisão
Mudanças envolvem CST, cClassTrib e cálculo da base de tributação e exigem atenção dos contadores e contribuintes
A Receita Federal publicou no Diário Oficial da União de 22 de outubro de 2026 as Soluções de Consulta nº 3.057, 3.058 e 3.059, assinadas em 21 de outubro de 2026
A Resolução CGSN nº 195/2026 altera as regras do Simples Nacional previstas na Resolução nº 140/2018. Contadores e empresas devem verificar as mudanças para adequar procedimentos fiscais e evitar erros no cumprimento das obrigações
A tributação dos créditos presumidos de ICMS voltou ao centro das discussões no Superior Tribunal de Justiça (STJ), especialmente diante das mudanças introduzidas pela Lei nº 14.789/2023, conhecida como Lei das Subvenções
A Receita Federal esclareceu atraves da Cosit 202 que a suspensão de tributos federais pelo RETID não se transforma em alíquota zero quando insumos são perdidos, deteriorados ou destruídos durante testes técnicos obrigatórios
Notícias Empresariais
Empresários podem usar os dados contábeis para planejar os próximos passos, identificar riscos e tomar decisões mais seguras. Mais do que acompanhar receitas e despesas, é importante usar essas informações para orientar o futuro do negócio
O caixa é frequentemente o lugar onde a crise se torna visível, não necessariamente onde ela nasce
O ambiente corporativo vive uma transformação cultural que convida as empresas a rever a forma como atraem, desenvolvem e retêm talentos
Conselho Jurídico da ACSP discute os limites da responsabilização dos sócios por débitos empresariais e os riscos para pequenos e médios negócios
Nova ferramenta, Escala Sebrae, indica cenários e ações, a partir da realidade de cada empreendedor, para se adequar ao novo regime de trabalho, de 5x2, sem perder eficiência
Iniciativa prevê recursos não reembolsáveis para melhorar pequenos negócios; edital tem expectativa de divulgação até o fim de 2026
Segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira inclui biodiversidade, uso sustentável do solo, economia circular e desigualdades regionais
Usar a conta pessoal para movimentar o dinheiro da empresa pode dificultar a gestão financeira, a contabilidade e a comprovação das receitas
Entenda como prazos de recebimento, estoque, dívidas e retiradas dos sócios podem comprometer o caixa do negócio
Febraban alerta para conferir dados do destinatário antes de concluir a transação
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade