A iniciativa tem como objetivo apoiar a manutenção da regularidade fiscal desse público
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Quanto custa não ter uma estratégia ESG?
De reputação a risco competitivo: como o ESG impacta sua empresa em 2026
Por muito tempo, ESG foi tratado como uma agenda de reputação. Algo importante, mas não necessariamente estratégico. Algo desejável, mas nem sempre prioritário. Contudo, em hoje, essa visão já não encontra respaldo na realidade dos negócios.
A pergunta que líderes empresariais deveriam estar fazendo não é quanto custa implementar uma estratégia ESG, mas sim quanto custa não ter uma.
A resposta passa por contratos que deixam de ser fechados, oportunidades que deixam de existir, mercados que se tornam inacessíveis e riscos que poderiam ter sido evitados. Em um ambiente comercial cada vez mais exigente, a ausência de uma estratégia ESG deixou de representar apenas uma lacuna institucional para se tornar um risco competitivo.
Os sinais dessa transformação estão em toda parte. O Brasil, inclusive, entrou definitivamente em uma nova etapa da agenda de sustentabilidade corporativa com o avanço das exigências relacionadas aos padrões internacionais de divulgação de informações ESG. Ao mesmo tempo, diferentes setores da economia passaram a incorporar critérios de sustentabilidade em processos de certificação, qualificação de fornecedores e atração de investimentos.
Não se trata apenas de atender a uma demanda regulatória, mas sim de uma nova lógica de mercado.
Um levantamento recente da RSM mostrou que 45% das empresas passaram a exigir informações ESG de seus fornecedores, destacando que 82% das organizações latino-americanas consideram essa agenda essencial para suas operações. O dado ajuda a explicar uma mudança silenciosa que vem ocorrendo dentro das cadeias produtivas, onde empresas estão sendo avaliadas não apenas pela qualidade de seus produtos ou serviços, mas também pela forma como gerenciam seus impactos, riscos e compromissos.
Na prática, isso significa que organizações sem indicadores, metas, governança e processos estruturados podem encontrar dificuldades crescentes para participar de concorrências, integrar cadeias globais de fornecimento ou atender às expectativas de clientes estratégicos. Muitas vezes, a perda de competitividade não acontece porque a empresa produz menos ou entrega pior, mas porque o mercado passou a exigir evidências que ela não consegue apresentar.
Em um cenário marcado por transparência, exposição permanente e acesso instantâneo à informação, questões relacionadas à governança, ao meio ambiente ou às relações de trabalho ganharam impacto direto sobre a percepção de valor das empresas. A confiança, que sempre foi um ativo importante, tornou-se um diferencial competitivo.
O problema é que a ausência de uma estratégia ESG raramente produz consequências imediatas e visíveis. Diferentemente de uma multa ou de uma queda brusca de receita, seus efeitos costumam aparecer de forma gradual. Eles se manifestam quando um potencial cliente escolhe outro fornecedor ou quando um investidor direciona recursos para empresas mais preparadas para lidar com riscos de longo prazo, por exemplo.
Por isso, reduzir ESG a uma obrigação regulatória ou um certificado bonito na parede é um erro crasso no mundo empresarial de hoje.
As empresas que estão obtendo os melhores resultados na implantação desse programa dentro de casa não o enxergam mais como um custo adicional. Elas o utilizam como ferramenta de gestão, tomada de decisão e geração de valor, pois entendem que sustentabilidade, governança e responsabilidade social não são objetivos isolados, mas elementos que fortalecem a resiliência do negócio e ampliam sua capacidade de adaptação.
O debate sobre ESG já deixou de ser uma discussão entre empresas pioneiras e empresas conservadoras. Hoje, trata-se de uma discussão entre empresas preparadas e empresas atrasadas. Em um mercado cada vez mais orientado por transparência, governança, rastreabilidade e gestão de riscos, a tendência é que organizações sejam pressionadas por aquilo que aprendi com um cliente sobre o tema: os três Cs do ESG: consciência, compliance ou constrangimento.
Consciência, porque empresas compreenderão que sustentabilidade e governança são elementos de geração de valor. Compliance, porque normas, cadeias produtivas e mercados exigirão padrões cada vez mais robustos de conformidade. E constrangimento, porque organizações que ignorarem essa transformação poderão simplesmente ficar para trás em um ambiente onde clientes, investidores e parceiros já passaram a exigir evidências concretas de compromisso e gestão.
A pergunta, portanto, deixou de ser se ESG gera valor. A pergunta correta é quanto valor sua empresa está deixando de capturar por ainda não tratá-lo como um ativo estratégico do negócio.
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