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Mobilidade também é pauta de RH. E começa antes do colaborador chegar ao trabalho
O vale-transporte pode revelar dados importantes sobre a jornada dos colaboradores e ajudar o RH a tomar decisões mais eficientes, humanas e conectadas à realidade do trabalho
Durante muito tempo, falar de vale-transporte dentro das empresas foi quase sinônimo de obrigação legal e rotina administrativa. Um tema importante, mas muitas vezes tratado como operacional demais para participar das grandes discussões estratégicas do RH.
Essa visão vem mudando. A experiência do colaborador começa antes mesmo do início do expediente. O tempo gasto no trânsito, a previsibilidade do trajeto, o custo do deslocamento e o desgaste da jornada impactam diretamente o bem-estar, a produtividade e a percepção de cuidado.
Por isso, a mobilidade deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar uma dimensão relevante da gestão de pessoas.
O vale-transporte continua sendo um direito garantido por lei e uma obrigação das empresas. Mas a discussão atual vai além da conformidade. Uma gestão mais eficiente do benefício pode trazer previsibilidade, reduzir desperdícios e ajudar o RH a compreender melhor como os colaboradores chegam ao trabalho.
Quando bem administrada, a mobilidade deixa de ser apenas uma linha na planilha de benefícios e passa a oferecer informações importantes sobre rotina, qualidade de vida e necessidades das pessoas.
O impacto do deslocamento no dia a dia
Uma pesquisa proprietária da Pluxee Brasil, realizada em 2026 com 680 trabalhadores formais, mostra como o deslocamento ainda influencia a rotina dos profissionais. Segundo o levantamento, 49% dos trabalhadores enfrentam algum tipo de incômodo no trajeto até o trabalho.
Entre os principais desafios, 46% apontam a imprevisibilidade do deslocamento e 35% relatam cansaço físico e mental causado pelo percurso.
O tempo também chama atenção. Em média, os trabalhadores levam 41 minutos para chegar ao trabalho e 45 minutos para retornar para casa. Em uma rotina presencial frequente, são várias horas por semana dedicadas apenas ao deslocamento — um período que influencia energia, concentração e qualidade de vida.
Outro dado relevante é que 60% dos trabalhadores acreditam que o tempo de deslocamento poderia ser melhor aproveitado. Além disso, 47% associam a jornada a estresse e cansaço, enquanto 44% afirmam que esse período prejudica momentos de lazer e convivência com a família.
Esses números ampliam a discussão sobre benefícios corporativos. Hoje, além do valor financeiro, também é preciso considerar quanto um benefício contribui para reduzir atritos na rotina, gerar previsibilidade e preservar tempo para as pessoas.
No caso da mobilidade, isso significa garantir que o benefício acompanhe a realidade do trajeto dos colaboradores. Segundo a pesquisa da Pluxee, o gasto médio mensal declarado pelos trabalhadores com deslocamento é de R$ 310, enquanto o valor médio recebido em benefício fica em torno de R$ 300. Ainda de acordo com o levantamento, 27% afirmam complementar o deslocamento com recursos do próprio salário.
Quando o benefício não acompanha a realidade do trajeto, a diferença aparece em algum lugar: no bolso do trabalhador, na percepção de cuidado ou na eficiência da gestão.
Mobilidade também influencia atração e permanência
A pesquisa da Pluxee também mostra que a mobilidade está relacionada a diferentes realidades dentro das organizações. Entre os profissionais presenciais cinco vezes por semana, 55% pertencem às classes CDE. Já entre os cargos operacionais, 63% dependem de ônibus municipais e intermunicipais.
Esses dados reforçam que a mobilidade não pode ser pensada como uma experiência única. Dentro de uma mesma empresa, diferentes grupos enfrentam desafios distintos para chegar ao trabalho.
Essa percepção também influencia a atração de talentos. Segundo o levantamento, 85% dos trabalhadores afirmam que os benefícios de mobilidade influenciam a decisão de aceitar uma proposta de emprego.
Para quem se desloca diariamente, a qualidade do benefício, a previsibilidade da jornada e a compatibilidade com os custos reais do trajeto podem pesar tanto na escolha de uma nova oportunidade quanto na decisão de permanecer em uma empresa.
Do operacional ao estratégico
Uma gestão mais inteligente da mobilidade permite ao RH identificar padrões, revisar rotas, entender necessidades diferentes e tornar os processos mais eficientes para áreas como recursos humanos, financeiro e fiscal.
Mas talvez o principal ganho seja reconhecer que a jornada de trabalho começa antes da chegada à empresa.
Em um cenário em que experiência, bem-estar e retenção ocupam espaço crescente na agenda corporativa, entender como as pessoas chegam ao trabalho é tão importante quanto acompanhar o que acontece dentro dele. Afinal, a experiência do colaborador começa no caminho.
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