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Decisões malfeitas quebram empresas lucrativas
As empresas lucrativas também quebram. Não por azar e não por crises, mas sim por decisões mal construídas
As empresas lucrativas também quebram. Não por azar e não por crise, mas por decisões mal construídas. A questão é que o erro raramente aparece no momento da decisão, mas sim posteriormente quando as consequências negativas já ganham escala e a busca por soluções é complexa.
Quando os sintomas se manifestam, o momento ideal para a administração do remédio de rotina já foi ultrapassado, comprometendo sua eficácia.
A origem do problema nas decisões pode estar em premissas frágeis do negócio. Por exemplo, projeções de crescimento baseadas em demanda que pode não se concretizar ou sem a devida análise do ciclo econômico do negócio.
Imagine que haja potencial real de entrada em um novo mercado, com abertura de novas unidades de negócio e captação de novos clientes. Porém, investimentos em imobilizado e estoque são necessários, assim como promoções de produtos com condições atrativas de pagamento fazem parte dos mecanismos utilizados para aumento no faturamento.
E se o mercado reagir brigando por esse novo cliente alvo e as vendas não realizarem conforme o esperado? Ainda, mesmo que as vendas ocorram conforme esperado, a empresa que lutou por melhor preço de compra no fornecedor e esticou o prazo de pagamento para o cliente analisou qual seria o impacto no fluxo de caixa?
Nesse cenário a empresa se torna dependente de um ritmo crescente e positivo de vendas e aumento de demanda. Caso contrário, no financeiro, os efeitos aparecem rápido em forma de redução da margem bruta, pressão sobre o capital de giro e aumento do risco de liquidez.
Por isso, decisões sólidas exigem priorizar retorno ajustado ao risco e geração de caixa. Sem essa disciplina, as empresas passam a apostar sem perceber.
O desafio de caixa que aparece no mês 18 quase sempre foi uma decisão do mês 1. Tratar a liquidez sem revisar o método que gerou a decisão é trocar o curativo sem fechar o corte. A empresa resolve o sintoma e preserva a causa.
Nem sempre boas empresas quebram por falta de informação, mas sim por excesso de confiança no próprio processo decisório. O erro está em acreditar que o crescimento valida a decisão, o lucro confirma a estratégia e o mercado sempre continuará favorável. Mas a verdade é que nenhuma dessas premissas é garantida.
O dilema que quase ninguém explicita é que existe uma balança entre velocidade de crescimento e disciplina de capital. É possível crescer rápido, mas quase sempre isso aumenta o risco. O papel da liderança financeira é tornar evidente que escolher um desses caminhos torna o outro menos provável.
Empresas lucrativas não estão protegidas contra decisões ruins, inclusive o lucro satisfatório pode mascarar as adversidades por mais tempo. Qual o método que sustenta as decisões da empresa? Pois essa resposta é o verdadeiro teste para organizações garantirem a qualidade das decisões e não é o resultado atual o melhor indicador para validar a estratégia.
Quando o ciclo econômico muda, o lucro do passado não protege a empresa. Na verdade, ele pode retardar a reação. O que realmente protege as empresas não é o resultado final, mas sim a disciplina das escolhas e decisões tomadas antes da crise aparecer. Esse é o trabalho que não pode ser visto no resultado, até o dia em que faz toda a diferença.
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