Em reunião do Caeft da ACSP, tributaristas convidados abordam os aspectos práticos da Lei 15.270, que já tem pontos contestados no Judiciário
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Notícia
Preço baixo atrai clientes ou enfraquece a empresa?
Reduzir valores pode aumentar vendas no curto prazo, mas comprometer margem, percepção de valor e crescimento sustentável
Baratear o preço do serviço costuma parecer uma solução rápida para vender mais. Em mercados competitivos, muitas empresas recorrem a descontos, mensalidades reduzidas ou propostas abaixo do valor ideal para atrair clientes, vencer objeções e fechar contratos com mais facilidade. A estratégia pode funcionar em situações específicas, como entrada em um novo mercado ou negociação pontual, mas se torna perigosa quando vira regra. O problema aparece quando a empresa vende mais, trabalha mais e, ainda assim, lucra menos.
Para Robson V. Leite, mentor de agências e estrategista digital, a precificação é uma das decisões mais sensíveis para negócios de serviço, especialmente em empresas digitais, agências e consultorias. Quando o preço é definido apenas para "ganhar do concorrente", sem considerar margem, entrega e posicionamento, o crescimento pode se transformar em sobrecarga.
Desconto constante pode ser mais caro do que parece
A discussão não é apenas comercial. O estudo "The Hidden Power Of Pricing", da McKinsey (consultoria global referência em estratégia e gestão), mostra que uma melhora de apenas 1% no preço médio pode gerar aumento de 8,7% no lucro operacional, considerando a estabilidade no volume de vendas. O mesmo raciocínio funciona no sentido contrário: pequenas reduções mal calculadas podem corroer rapidamente a rentabilidade. A própria consultoria também aponta que até 30% das decisões de preço tomadas pelas empresas deixam dinheiro na mesa por falta de estrutura e análise.
O dado ajuda a explicar por que o desconto constante pode ser mais caro do que parece. Em uma empresa de serviços, preço baixo raramente afeta apenas a receita. Ele influencia o tipo de cliente que entra, a expectativa sobre a entrega, a pressão sobre o time e a capacidade de investir em melhoria. Quando uma agência reduz valores para fechar contratos, mas mantém o mesmo nível de atendimento, reuniões, produção e acompanhamento, a conta costuma aparecer na margem.
"Preço baixo pode até acelerar a venda, mas também pode atrair clientes desalinhados, aumentar a demanda operacional e reduzir a percepção de valor. A empresa precisa entender se está vendendo barato por estratégia ou por insegurança comercial", analisa Robson V. Leite.
Visão estratégica é essencial
Essa leitura estratégica também passa pela forma como a empresa estrutura sua operação. Segundo Robson V. Leite, muitas agências tentam resolver problemas de margem apenas ajustando preço, quando parte do desafio está na falta de clareza sobre processos, ferramentas e capacidade de entrega. Antes de contratar uma nova plataforma, ampliar o time ou oferecer um desconto para fechar negócio, é preciso entender se aquela decisão faz sentido dentro da estrutura real da empresa.
No trabalho com mentorados, o especialista afirma que esse diagnóstico é essencial para evitar escolhas impulsivas. "Quando ajudamos uma agência a olhar para a operação, o objetivo não é indicar ferramenta por tendência ou cortar preço para vender mais rápido. É entender qual tecnologia, processo ou ajuste faz sentido dentro daquela estrutura, naquele momento e para aquele tipo de desafio. Essa visão estratégica faz toda a diferença", explica.
Cliente deixa de comparar valor e passa a comparar apenas preço
A diferença entre uma ação comercial saudável e uma política de preço frágil está na intenção. Um desconto pode fazer sentido quando existe critério, prazo, objetivo claro e impacto calculado. Já a redução recorrente, usada como principal argumento de venda, tende a educar o mercado a comprar pela barganha. Com o tempo, o cliente deixa de comparar valor e passa a comparar apenas preço.
Esse movimento também afeta o posicionamento. Empresas que competem sempre pelo menor valor entram em uma disputa difícil de sustentar, porque sempre haverá alguém disposto a cobrar menos. Para fugir dessa lógica, é preciso deixar claro o que está incluído na entrega, quais resultados são esperados, qual problema será resolvido e por que aquela solução tem um valor específico.
No mercado de agências digitais, esse ponto é ainda mais relevante. Muitos serviços envolvem estratégia, análise, criação, atendimento e acompanhamento contínuo. Quando tudo isso é vendido como pacote barato, a empresa pode acabar presa a contratos que exigem muito e retornam pouco. O resultado é um ciclo de equipe sobrecarregada, cliente insatisfeito e dificuldade para manter padrão de qualidade.
Como definir preços sem comprometer a lucratividade
Segundo o estrategista digital, precificar bem não significa cobrar mais sem justificativa. Significa entender custo, margem, capacidade de entrega e valor percebido. "O preço precisa sustentar a promessa feita ao cliente. Se a empresa cobra pouco demais para entregar bem, em algum momento ela vai sacrificar lucro, qualidade ou equipe. Nenhum desses caminhos sustenta crescimento por muito tempo", explica.
A saída está em tratar preço como decisão estratégica, e não como reação imediata à pressão do mercado. Empresas mais maduras analisam perfil de cliente, custo de atendimento, tempo de equipe, recorrência, potencial de expansão, ferramentas necessárias e margem antes de definir uma proposta. Essa leitura permite recusar contratos que parecem bons no faturamento, mas comprometem a saúde do negócio.
Preço baixo pode abrir portas, mas também pode fechar caminhos. Quando a empresa depende dele para vender, perde força na negociação e reduz sua capacidade de construir valor. O desafio é encontrar um ponto em que a oferta seja competitiva para o cliente e sustentável para o negócio. Sem esse equilíbrio, a venda entra, mas o lucro fica pelo caminho.
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