A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Notícia
Executivos estão cada vez mais informados e menos conscientes
O excesso de dados e tecnologia aumentou o acesso à informação, mas reduziu o espaço para decisões de qualidade
Nunca houve tanto acesso à informação dentro das empresas. Executivos agora monitoram seus negócios de maneira diferente, com dashboards em tempo real, relatórios automatizados, alertas constantes e sistemas cada vez mais avançados. Atualmente, quase tudo é passível de medição, análise e monitoramento.
Mesmo assim, uma sensação persiste nos níveis mais altos das organizações: decidir continua difícil. Em muitos casos, mais difícil do que antes.
O paradoxo é evidente. Executivos estão mais informados do que nunca e, ao mesmo tempo, parecem cada vez menos conscientes do contexto completo das decisões que tomam.
Informação nunca foi o problema
Durante anos, a narrativa dominante era clara: faltavam dados. Decisões eram tomadas com base em intuição, experiência limitada ou informações incompletas. A digitalização prometia resolver isso, trazendo visibilidade, precisão e controle.
Essa promessa foi cumprida. O desafio já não está na falta de informação, mas na incapacidade de lidar com seu excesso.
As empresas começaram a funcionar rodeadas de indicadores, métricas e análises que, em teoria, deveriam aprimorar a tomada de decisões. No entanto, na prática, eles frequentemente têm o efeito contrário: complicam as coisas, dispersam a atenção e tornam mais difícil formar uma visão clara.
Mais informação não eliminou a incerteza. Apenas mudou sua forma.
O excesso de dados está substituindo reflexão por reação
A disponibilidade de informação em tempo real criou uma nova dinâmica dentro das organizações. Decisões que antes eram tomadas em ciclos mais longos agora acontecem continuamente. Alertas chegam a todo momento, métricas variam em intervalos curtos e sistemas sugerem ajustes quase imediatamente.
Nesse ambiente, a pressão por resposta rápida cresce.
Executivos começam a agir impulsivamente em vez de ponderar. Ajustam caminhos por causa de uma variação pontual, reagem a um indicador isolado, acatam uma recomendação automática sem entender o que está por trás dela e quais são suas consequências mais amplas.
A tecnologia aumentou a rapidez das respostas, mas diminuiu o tempo para pensar, e isso tem um custo. Decisões mais rápidas nem sempre são decisões melhores. Em muitos casos, são apenas decisões menos pensadas.
Quando tudo importa, nada importa
Outro efeito do excesso de informação é a perda de hierarquia entre os dados. Quando tudo é monitorado, tudo parece relevante. Indicadores operacionais ganham o mesmo peso que métricas estratégicas. Sinais de curto prazo passam a competir com tendências de longo prazo.
Sem critérios claros, o volume de informação não orienta, confunde.
Executivos passam a navegar entre múltiplas fontes, múltiplas métricas e múltiplas interpretações, sem uma estrutura que organize o que realmente importa. O resultado é uma sensação constante de acompanhamento, mas não necessariamente de controle. Ver mais não significa entender melhor.
Consciência virou o novo diferencial
Nesse sentido, a competência executiva mais importante deixou de ser acesso à informação e passou a ser consciência.
Consciência, nesse caso, não é apenas saber o que está acontecendo, mas entender o contexto, as interdependências e as consequências das decisões. É conseguir distinguir sinal de ruído, identificar o que realmente importa e, sobretudo, saber o que ignorar.
Essa capacidade não vem da tecnologia. Vem da combinação entre experiência, julgamento e tempo para pensar.
Empresas mais maduras começam a perceber isso. Em vez de ampliar indiscriminadamente o volume de dados, buscam estruturar melhor suas decisões. Definem quais indicadores são realmente críticos, estabelecem critérios claros de ação e criam espaços para análise mais profunda.
Elas entendem que a tecnologia deve auxiliar a tomada de decisão, não substituí-la completamente.
O novo desafio da liderança
A liderança moderna enfrenta um desafio diferente do passado. Não se trata mais de obter informação, mas de filtrar, interpretar e dar significado a ela.
Isso exige disciplina. Exige dizer não a determinados dados, resistir à pressão por respostas imediatas e preservar momentos de reflexão estratégica em meio à operação contínua.
Também exige reconhecer que nem toda decisão deve ser tomada no ritmo da tecnologia. Há decisões que exigem um tempo de reflexão.
Conclusão: mais dados, menos clareza
A evolução tecnológica resolveu o problema da escassez de informação, mas criou um novo desafio: o excesso dela.
Hoje, praticamente qualquer empresa pode ter acesso a dados sofisticados, sistemas avançados e análises em tempo real. Isso, por si só, não diferencia mais ninguém. O diferencial passou a estar na capacidade de transformar informação em clareza.
No fim, o problema não é a falta de dados, mas a falta de espaço e disciplina para pensar sobre eles. Em um ambiente onde todos estão bem-informados, decide melhor não quem vê mais, mas quem entende com mais profundidade o que realmente importa.
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