A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Notícia
O espelho retrovisor da inovação: por que tantas empresas erram ao adotar IA
Ao adotar inteligência artificial sem revisar processos, cultura e modelos de decisão, muitas empresas acabam apenas acelerando velhas ineficiências
Há um padrão que se repete na história da tecnologia: quando uma novidade surge, tendemos a enxergá-la com os olhos do passado.
Nos primeiros projetos de ERP, muitas empresas replicaram seus processos antigos dentro de um sistema novo. Automatizaram a desorganização. O software era moderno, mas o pensamento continuava analógico.
Com a inteligência artificial, estamos vivendo algo semelhante — mas em uma escala ainda maior. Diferentemente de outras tecnologias, a IA não apenas automatiza tarefas; ela começa a alterar a forma como o trabalho é organizado dentro das empresas.
Muitas organizações ainda adotam a IA como uma versão mais potente das ferramentas que já conhecem: um Excel que pensa, um buscador mais sofisticado ou um atendente que executa processos que nunca foram revisados.
Essa visão não está errada. Mas é incompleta. E é exatamente essa incompletude que explica por que tantos projetos de IA não geram valor real.
A pergunta errada gera a estratégia errada
O problema começa com uma pergunta mal formulada. Em vez de perguntar “o que a IA pode fazer por nós?”, talvez devêssemos perguntar: “o que precisamos deixar de fazer por causa da IA?”
A diferença é sutil, mas estratégica. A primeira pergunta leva à otimização; a segunda leva à reinvenção.
Quando uma empresa automatiza um processo ineficiente, ela ganha velocidade, mas mantém a ineficiência. Quando decide eliminar o processo e redesenhar a lógica operacional, ela muda o jogo.
Em muitos casos, isso significa deixar de pensar em termos de cargos ou departamentos e passar a pensar em termos de capacidades e decisões. A inteligência artificial tende a reduzir o custo de executar tarefas, mas aumenta a importância de desenhar bem os problemas e os critérios de decisão.
É aqui que começa o desconforto.
Porque reinventar exige abrir mão de estruturas, fluxos, controles e até funções que hoje parecem indispensáveis. Exige maturidade organizacional, disciplina e lideranças que não fujam das conversas difíceis.
IA não corrige cultura, ela amplifica o que já existe
Se a organização tolera ruído, a IA escala o ruído.
Se tolera decisões adiadas, a IA digitaliza a indecisão.
Se a governança é frágil, a IA apenas acelera o problema.
Quanto mais poderosa a tecnologia, maior a capacidade de amplificar padrões organizacionais — bons ou ruins. Por isso, antes de discutir como usar IA, muitas empresas precisarão refletir sobre quais práticas e estruturas ainda fazem sentido manter.
A fantasia da tecnologia salvadora
Outro erro recorrente é tratar a IA como uma entidade autônoma, quase mágica. Surge uma expectativa silenciosa de que basta alimentar a tecnologia com dados e aguardar respostas.
Mas a inteligência artificial precisa de contexto. Ela opera com aquilo que recebe. Repertório estratégico e responsabilidade pelas consequências continuam sendo atividades humanas.
Se os dados são frágeis, os resultados serão frágeis.
Se os critérios são enviesados, o viés será escalado.
A tecnologia não substitui a necessidade de pensar. Ela apenas amplifica a qualidade — ou a falta — do pensamento que a orienta.
Na prática, quanto mais avançadas se tornam as ferramentas, mais relevante se torna o papel humano na definição de contexto, prioridades e responsabilidade sobre as decisões.
Por isso, a discussão sobre IA nunca é apenas técnica. É, acima de tudo, uma discussão sobre clareza estratégica.
O erro da “caixinha da inovação”
Muitas empresas tentam organizar a IA criando comitês, núcleos de excelência ou áreas isoladas de inovação. A intenção é boa, mas o efeito costuma ser o oposto.
Quando a IA vira assunto de especialistas, ela deixa de ser uma competência organizacional e perde conexão com as decisões reais do negócio.
A inteligência artificial não deveria ser um tópico à parte no organograma. Ela deveria estar presente nas discussões de marketing, operações, finanças, produto e RH — como pano de fundo permanente das decisões.
As perguntas do negócio devem vir antes das perguntas de tecnologia:
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Como reduzir o tempo entre pedido e entrega?
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Como personalizar a experiência sem invadir a privacidade?
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Como antecipar necessidades que o cliente ainda não verbalizou?
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Como melhorar a qualidade das decisões humanas antes de escalá-las com tecnologia?
Quando a tecnologia serve a essas perguntas, ela ganha direção.
Em muitos setores, a inteligência artificial também começa a alterar a própria arquitetura do trabalho. Processos que antes exigiam múltiplas camadas de execução passam a depender mais de coordenação, julgamento e integração entre humanos e sistemas.
Isso exige novos modelos de gestão, novas competências e uma revisão cuidadosa de como as organizações distribuem responsabilidade e tomada de decisão.
É tentador tratar a inteligência artificial como um projeto de inovação, mas, na prática, ela funciona mais como um teste de maturidade organizacional.
A tecnologia está disponível para todos. O diferencial competitivo não é o acesso, e sim a postura.
Empresas que tratam a IA apenas como ferramenta de eficiência tendem a capturar ganhos marginais. Já aquelas que a utilizam como alavanca para repensar processos, estruturas e decisões têm a chance de redesenhar seus modelos operacionais.
O futuro provavelmente não será apenas uma versão melhorada do presente. Em muitos casos, ele exigirá repensar a forma como o trabalho é organizado, como as decisões são tomadas e como a tecnologia se integra à inteligência humana.
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