A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
Área do Cliente
Notícia
Política interfere em juros, dólar e Bolsa? Saiba como investir em ano eleitoral
Saiba montar uma estratégia sólida para enfrentar a volatilidade de 2026, proteger seu capital e aproveitar as oportunidades na Bolsa e Renda Fixa
A pauta econômica costuma render debates relevantes durante a corrida eleitoral. Enquanto os candidatos sinalizam a política macroeconômica que deverá ser colocada em prática, os investidores tentam ler sinais que indiquem onde podem ganhar mais (ou evitar perdas) de acordo com cada cenário. No geral, a dúvida que paira no ar é: como se proteger da volatilidade e tirar maior proveito da situação?
Em 2026, o Brasil deverá registrar uma queda na inflação e na taxa básica de juros, aliado a um cenário internacional de desvalorização do dólar. Esse combo tende a impactar o câmbio, a curva de juro e o fluxo de capital estrangeiro, e as incertezas trazem maiores prêmios de risco — ou seja, quem se arrisca mais, tende a obter maior retorno.
‘Investir em ano eleitoral exige método’
Na avaliação de Priscilla Cacavallo, gerente da Daycoval Investe, o ano eleitoral adiciona uma camada extra de incerteza ao mercado, que se soma às variáveis tradicionais da economia.
Mais do que o resultado da eleição em si, o que efetivamente move os preços é a percepção sobre a condução futura da política econômica, especialmente no campo fiscal – ou seja, nos gastos do governo.
“Não devemos enxergar esse período como um risco extremo, mas como um ciclo que exige estratégia e clareza sobre o papel de cada classe de ativo. Investir bem em ano eleitoral passa, necessariamente, por método”, afirma.
E, ao se referir a método, Cacavallo sugere que o investidor comece pelo básico: conheça seu perfil e sua necessidade de liquidez.
Um estudo da XP indica que, historicamente, quatro vetores atuam sobre a volatilidade em anos eleitorais: choques globais, como a crise da dívida europeia em 2010 ou a guerra Rússia-Ucrânia em 2022; ruídos locais com impacto macroeconômico, como a greve dos caminhoneiros em 2018 ou as discussões fiscais em 2022; mudanças abruptas no cenário eleitoral, como a entrada inesperada de candidaturas competitivas, caso de Marina Silva em 2014 e, em menor escala, Fernando Haddad em 2018; e discrepâncias entre pesquisas e resultados efetivos das urnas, com 2014 sendo o exemplo mais emblemático.
Prepare-se para a oscilação
Diante desse cenário, as decisões de investimento devem focar mais nas oscilações (e em como se blindar delas) do que na tentativa de prever o resultado das urnas. Isso ajudará o investidor a atravessar este período com consistência, segundo Cacavalho
O primeiro reflexo desse ambiente aparece na volatilidade. Pesquisas eleitorais, discursos e sinalizações de programas de governo passam a influenciar preços de forma mais intensa, provocando movimentos rápidos e, muitas vezes, assimétricos.
Neste período de corrida eleitoral, o mercado se torna mais reativo às manchetes e menos tolerante a ambiguidades, o que reforça a importância da disciplina. Mas, como isso funciona?
O câmbio vai variar, saiba como aproveitar
Os investimentos não mudam devido ao candidato, mas sim devido às expectativas quanto à condução da economia que determinados candidatos representam.
Dúvidas sobre o compromisso com o equilíbrio fiscal tendem a pressionar o dólar, enquanto sinais de responsabilidade e previsibilidade geram alívio rápido. Não por acaso, movimentos cambiais em anos eleitorais costumam anteceder ajustes mais amplos em outros ativos, explica Cacavallo.
“O câmbio costuma ser o primeiro ativo que reage ao aumento de incertezas políticas”, afirma Cacavalho.
Para se proteger, o investidor pode buscar a diversificação internacional. Cacavalho explica que isso pode ser feito com ativos diretamente no exterior, fundos cambiais que o investidor encontra nas plataformas aqui no Brasil – com valor mínimo de aplicação próximo de R$100,00, por meio de BDRs – e até mesmo via ETF, como o DOLA11, que replica o índice futuro de dólar.
“Para aproveitar as oscilações, é preciso cautela. O câmbio é um ativo de difícil previsão e muito sensível a ruídos. Movimentos bruscos podem abrir oportunidades táticas, mas isso faz mais sentido para investidores com perfil mais arrojado e visão de curto prazo. De forma geral, o câmbio deve ser tratado mais como instrumento de proteção e diversificação do que como aposta direcional. Em ano eleitoral, ele ajuda a equilibrar risco, mas não deve concentrar estratégia”, sugere.
Navegue na curva de juros
A curva de juros mostra a rentabilidade de um investimento versus o prazo de vencimento deste ativo. Na essência, ela reflete as expectativas do mercado sobre inflação, crescimento e trajetória fiscal.
Se o mercado vê maior probabilidade de inflação à frente, a curva de juros tende a “abrir” (inclinar para cima). Isso significa taxas de juros mais altas para prazos mais longos e menores para prazos mais curtos. Isso porque o mercado antecipa que, com inflação mais alta, será preciso subir a taxa básica de juros, o que aumenta as taxas futuras. O contrário ocorre quando há uma projeção de inflação mais controlada.
Aqui, o ponto central não é o resultado da eleição, pontua Cacavalho, mas os projetos econômicos e a sinalização sobre a gestão fiscal nos anos seguintes – um debate que hoje está no centro da agenda no Brasil e no mundo.
“Quando o mercado enxerga compromisso fiscal e previsibilidade, a curva tende a melhorar, especialmente nos vértices mais longos, com expectativa de juros estruturalmente mais baixos à frente. Por outro lado, sinais de menor disciplina fiscal pressionam as taxas longas, encarecendo o custo do capital”, afirma.
Essa leitura de cenários, aliado ao perfil do investidor e às necessidades de resgate do investimento (prazo de liquidez), pode permitir mudar estratégias ao longo do ano, observando tendências futuras.
Se um investidor tiver um título longo atrelado à inflação, como o Tesouro IPCA+ 2045, por exemplo, ele pode ficar atento a oportunidades.
“Os títulos indexados ao IPCA ou Pré-fixados podem sofrer variações quando estamos falando da marcação a mercado – dinâmica de calcular o quanto está valendo aquele ativo no dia (d+0) caso o investidor vá fazer a compra ou a venda. Para investidores que possuem o título na carteira, mas pretendem carregar até o vencimento, estas variações não irão impactar o resultado final”, afirma.
Por outro lado, as oscilações geram oportunidades de se desfazer do papel e colocar “dinheiro no bolso”. Cacavalho que se as taxas longas sobem por aumento de percepção de risco fiscal ou incerteza política, o preço do título cai no curto prazo. “Isso não significa perda definitiva, desde que o investidor leve o papel até o vencimento e este pode até ser um bom momento para comprar mais”, explica.
Já se as taxas longas caem, o movimento é inverso e pode ser um bom momento de realizar ganhos e sair da posição. “A decisão de se desfazer ou não depende do horizonte. Se o título foi comprado com planejamento e está alinhado ao prazo do objetivo, a volatilidade é parte do caminho. Para quem estiver desconfortável com a volatilidade, é prudente ajustar a alocação e equilibrar com ativos pós-fixados ou então reduzindo o prazo dos títulos”, afirma.
Bolsa: oportunidades em setores sólidos
Na Bolsa de Valores, o impacto raramente é homogêneo. Setores mais sensíveis ao ciclo doméstico e à política econômica tendem a sofrer mais, enquanto empresas de maior qualidade, com balanços sólidos e geração de caixa previsível, costumam se destacar em ambientes de maior incerteza.
Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, sugere investimentos em ativos de utilidade pública, como saneamento, energia elétrica e telefonia, além dos bancos.
Outras oportunidades podem aparecer em empresas “maduras e com forte geração de caixa”, afirma Perri, sem citar nomes específicos.
Proteção ou oportunidade?
Considerando todo o cenário, os anos eleitorais não são ruins para investir, mas exigem estratégia, diversificação e disciplina.
Segundo Cacavallo, a “chave” está em equilibrar proteção e oportunidade, mantendo foco em fundamentos e evitando decisões pautadas exclusivamente pelo ruído político de curto prazo.
Para o perfil conservador, o foco deve ser preservação de capital, com maior peso em pós-fixados e inflação, evitando alongar demais o prazo da carteira em momentos de maior incerteza.
O moderado precisa equilibrar proteção e oportunidade, mantendo uma base defensiva em renda fixa, mas preparado para aproveitar distorções pontuais na bolsa
Já o arrojado pode usar a volatilidade a favor, buscando empresas com fundamentos sólidos, mas sempre com diversificação e gestão de risco.
| Estratégias de investimento em ano eleitoral, por perfil | ||
| PERFIL | PROTEÇÃO | OPORTUNIDADES |
| Conservador | Pós-fixados atrelados ao CDI, IPCA+ de prazo curto a intermediário e reserva de liquidez bem dimensionada. Evitar exposição excessiva a vencimentos longos. | Travar boas taxas em renda fixa quando a curva abrir além do razoável, sempre respeitando prazo e objetivo. |
| Moderado | Base relevante em CDI e inflação, com diversificação internacional como hedge cambial. Equilíbrio de prazos na renda fixa. | Ações de empresas com geração de caixa previsível e baixa alavancagem quando houver estresse político exagerado. |
| Arrojado | Diversificação global e renda fixa como amortecedor de volatilidade. Gestão ativa de duration. | Bolsa doméstica em momentos de prêmio elevado e prefixados longos se houver abertura excessiva das taxas diante de ruído eleitoral. |
Fonte: Daycoval
Independentemente do perfil, Cacavalho destaca alguns pontos que merecem atenção: trajetória fiscal, sinalizações sobre política econômica, comportamento da curva longa de juros e fluxo estrangeiro. “São esses fatores que realmente mexem com os preços. Em ano eleitoral, disciplina pesa mais do que opinião”, afirma.
A lógica proposta por Priscilla Cacavallo parte de uma ordem clara de prioridades. Primeiro, é preciso pensar em proteção: ajuste de liquidez, travamento de reservas e revisão da proporcionalidade entre pós-fixados, prefixados e papéis atrelados ao IPCA.
Depois, oportunidade, quando a volatilidade amplia pontos de entrada e setores passam a precificar incertezas de forma exagerada.
“Um bom investidor não foge da volatilidade. Ele a utiliza com inteligência”, resume.
A travessia eleitoral tende a separar movimentos táticos de estratégias duradouras e a alocação vencedora será aquela capaz de proteger capital sem abrir mão das assimetrias que surgem quando o mercado exagera nas incertezas.
Notícias Técnicas
A Receita Federal definiu que a imunidade tributária para livros não se estende ao PIS/Pasep e à Cofins sobre livros digitais, pois o benefício constitucional abrange apenas impostos
Empresas de serviços de saúde no lucro presumido podem aplicar presunção reduzida de 8% para IRPJ e 12% para CSLL, desde que sejam sociedade empresária e cumpram normas da Anvisa
Estudo do IBPT indica que o trabalhador brasileiro destinou os primeiros meses de 2026 exclusivamente ao pagamento de impostos, até 30 de maio
Omissão da DASN-SIMEI gera multa automática, bloqueios fiscais e pode levar ao cancelamento definitivo do cadastro empresarial
Falhas na escrituração ou divergências entre obrigações acessórias podem gerar inconsistências identificadas nos cruzamentos eletrônicos da Receita Federal
Empresas de segmentos específicos do comércio passam a depender de negociação coletiva para funcionar em feriados, além de cumprir regras previstas na legislação municipal
Confira o novo cronograma de pagamento da restituição do Imposto de Renda 2026
Versão passa a ser permitida a utilização de caracteres alfabéticos e numéricos no registro do CNPJ Alfanumérico
Bloqueio do sistema afetará quem não elevar o nível de segurança da conta. Folha de maio é a última no formato antigo
Notícias Empresariais
O mercado finalmente percebeu o que o burnout custa. Mas poucos sabem o que a saúde emocional organizacional produz — e o número é mais alto do que você imagina
Estudos e práticas adotadas por grandes empresas mostram que excesso de reuniões pode prejudicar produtividade, decisões e inovação
Empresas precisam criar regras claras para evitar vazamento de dados, decisões sem controle e uso inseguro da inteligência artificial
Conheça os gargalos financeiros que destroem o lucro do seu negócio e aprenda estratégias para blindar as finanças
Organização contábil e transparência financeira são os fatores decisivos para multiplicar o valor de mercado de um negócio ou afastar investidores
Análise de desempenho, motivação e conflitos são cruciais para entender as mudanças no topo das empresas
Especialista em recrutamento de CEOs e conselheiros explica as competências que aceleram ou travam a ascensão à alta liderança
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em resposta a uma investigação do USTR, segundo comunicado divulgado na noite de segunda-feira (1º.jun.2026).
Em um mercado mais competitivo, a forma como o empresário decide, lidera e aprende pode ser tão importante quanto o produto que vende
Aristóteles diria aos novos líderes que liderança não começa no cargo, mas na formação do caráter capaz de decidir, responder e sustentar consequências
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade