A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Notícia
É urgente repensar como as empresas entendem o aprender
Entre metas, tecnologia e propósito, a educação corporativa precisa reconectar o aprendizado à prática, ao contexto e à autonomia do profissional para gerar impacto real
No ambiente empresarial contemporâneo, marcado por metas agressivas e aceleradas, a educação corporativa corre o risco de se distanciar de sua essência: formar pessoas que aprendem continuamente e conseguem aplicar e contextualizar o que aprendem. Durante anos, prevaleceu um modelo transacional, focado em transmissão de conteúdo ou treinamento em ferramentas, como se o aprendizado fosse um processo mecânico e controlável. Nesse movimento, muitas organizações deixaram de olhar para o aprendiz, o profissional que busca se desenvolver e construir uma carreira mais consciente. O ponto é que agora, nessa intensa transformação, não haverá futuro para os negócios sem aprendizes autônomos e conscientes. Por isso, é urgente retomar a dimensão humana do aprendizado.
As expectativas são claras. Os profissionais precisam que cada ação formativa venha acompanhada de condições reais de aplicação, seja ela fazer algo diferente ou para interpretar o contexto de forma mais consistente. As ações formativas são o início do aprendizado, e não seu fim. De pouco adianta estimular a experimentação sem oferecer ferramentas, autonomia e espaço para praticar. Essa lacuna entre teoria e execução esvazia o propósito da aprendizagem. O estudo “O Olhar do Aprendiz”, da Newnew, que analisa os desafios da aprendizagem nas empresas em 2025, evidencia esse descompasso. Embora 57% dos profissionais se declarem motivados a aprender, 60% afirmam não conseguir aplicar no dia a dia aquilo que aprendem. O desafio é superar a separação entre aprender, fazer e contextualizar, entendendo que uma formação só se consolida quando dialoga diretamente com o trabalho.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda por uma aprendizagem conectada ao mundo. Profissionais não querem uma educação corporativa “ensimesmada”, restrita ao olhar interno da empresa. Buscam compreender como o conhecimento se articula com transformações sociais, tecnológicas e culturais. Para ser relevante, a área precisa proativamente ampliar repertórios, fortalecer a visão crítica e situar o indivíduo no tempo em que vive.
Rever crenças antigas também é parte do caminho. Ainda há organizações obcecadas por indicadores que não medem aprendizagem real, e mitos persistem, como o dos “estilos de aprendizagem”, sem respaldo científico. Soma-se a isso a confusão entre personalização e individualização algorítmica, que parece customizada, mas entrega soluções padronizadas. O caminho mais consistente é o das jornadas personalizáveis, que são trilhas com intencionalidade clara, mas flexíveis o suficiente para que cada adulto se reconheça no processo. Habilitar alguém a aprender melhor é ampliar sua autonomia e capacidade de escolha.
Um outro aspecto relevante para a educação corporativa é ter clareza de que o aprendizado é uma responsabilidade compartilhada. Em última instância, a disponibilidade para aprender é o que faz a diferença. Mas a mentalidade de “esperar ser ensinado” é muito arraigada por conta de todo um sistema educacional, então torna-se parte das responsabilidades da educação corporativa desenvolver adultos que aprendam a aprender, aptos a experimentar, errar, repetir, atribuir sentido – de forma intencional. Por isso, a meta-aprendizagem e a metacognição nunca foram tão importantes. Tornar o aprendizado consciente, visível, compartilhado e concreto contribui, ainda, para transformar experiências individuais em conhecimento coletivo. São conceitos de ciências de aprendizagem que as áreas de educação corporativa precisam conhecer e saber aplicar.
Nesse cenário, agentes de Inteligência Artificial despontam como aliados importantes. Não substituem o fator humano na educação, mas ampliam seu alcance ao oferecer feedback individualizado, conectar tarefas reais ao desenvolvimento e abrir espaço para metodologias mais dinâmicas e integradas à rotina profissional. Mas tudo isso precisa estar dentro de uma estratégia. Cuidado com a curiosidade tecnológica, o “usar por usar” vai levar a maior eficiência e escala em modelos que não são eficazes, como o aumento da produção e publicação de conteúdo.
Em resumo, a educação corporativa só alcança relevância quando conecta o aprender ao fazer e ao contextualizar, respeita o aprendiz, garante condições para a prática e reconhece que formar pessoas é tão estratégico quanto gerar resultados. Antes de transformar o negócio, toda aprendizagem genuína transforma quem aprende.
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