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PMEs surgem como novos emissores
O acesso ao mercado de capitais não está restrito somente as grandes empresas
O acesso ao mercado de capitais não está restrito somente as grandes empresas, embora sejam a maioria. “O número de novos emissores cresceu, com muitas Pequenas e Médias Empresas (PMEs) realizando sua primeira captação”, afirma José Alexandre Freitas- CEO da Oliveira Trust e especialista em mercado financeiro/capitais.
A Oliveira Trust é uma plataforma digital, com escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, especializada na prestação de serviços para as companhias que ofertam valores mobiliários no mercado de capitais. Freitas explicou à reportagem do Monitor Mercantil as nuances desse mercado.
O mercado de capitais é um segmento em crescimento no Brasil?
– Os números mais recentes confirmam essa trajetória ascendente. Até novembro teve um volume de emissões superior a R$ 600 bilhões em ativos de renda fixa, consolidando-se como o motor da economia real, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Um dado que reforça esse amadurecimento vem da B3, que reportou um crescimento de quase 49% no volume negociado no mercado secundário de renda fixa no último ano. Isso mostra que o investidor não está apenas comprando o título na emissão, mas que há liquidez e confiança para negociar esses ativos ao longo do tempo.
Hoje, são empresas ou governo que captam mais recursos?
– O Governo Federal, por meio do Tesouro Nacional, continua sendo o maior emissor individual para financiamento da dívida pública. No entanto, está havendo inversão de tendência no crédito. Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central e dados da Anbima 2024/2025 aponta que o financiamento via mercado de capitais corporativo já supera o crédito bancário tradicional para grandes empresas. No período, as emissões de dívida privada (como debêntures e notas comerciais) representaram cerca de 60% do total de ofertas públicas. Isso mostra que o setor privado encontrou no mercado de capitais uma via mais eficiente de capitalização do que as linhas bancárias convencionais.
Quais os agentes mais atuantes nesse segmento?
– O ecossistema é dinâmico, mas podemos destacar:
● Empresas (emissores): cada vez mais diversificadas, incluindo setores de infraestrutura e agro.
● Investidores institucionais: fundos de investimento e previdência são os grandes compradores.
● Agentes fiduciários, administradores, gestores e custodiantes (como a Oliveira Trust): essenciais para garantir a segurança jurídica e a governança das operações.
● B3 e corretoras, securitizadoras e registradoras: provêem a infraestrutura de negociação e o acesso ao varejo.
O que deveria ser feito para “popularizar” o acesso ao mercado de capitais? Tem ampliado o número de PMEs, por exemplo?
– A popularização passa pela educação financeira e pela simplificação regulatória. Vimos um avanço real com as notas comerciais, que permitiram que empresas de menor porte acessassem o mercado com menos burocracia. O número de novos emissores cresceu, com muitas Pequenas e Médias Empresas (PMEs) realizando sua primeira captação. Para acelerar isso, precisamos de uma taxa de juros mais baixa (a taxa Selic “ótima” é de 6% a 12% ao ano), custos de estruturação ainda menores e maior liquidez para esses papéis no mercado secundário. Um exemplo de iniciativa vinculada a esse ponto é o programa Rota Fácil, da Bee4. Também é importante citar a evolução regulatória que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vem promovendo junto com a atualização e acesso a informações do mercado financeiro.
Que ajustes poderiam ser feitos para melhorar o entendimento sobre o segmento?
– O maior ajuste é a comunicação. O mercado ainda é visto como algo “complexo” ou “só para grandes fortunas”. Precisamos de plataformas mais intuitivas e uma linguagem menos técnica por parte dos emissores. Além disso, a padronização de dados e o uso de tecnologia (como IA e Blockchain) para transparência em tempo real ajudam o investidor a entender exatamente onde seu dinheiro está alocado e qual o risco real da operação.
Que importância tem a Anbima no segmento?
– A Anbima é o “farol” do mercado. Sua importância é quádrupla: ela autorregula (estabelecendo padrões de conduta que trazem credibilidade), fiscaliza (alertando irregularidades e sancionando agentes que violem normas e regras instituídas), informa (gerando as estatísticas que balizam nossas decisões) e educa (através de certificações que garantem a qualificação dos profissionais). Sem a Anbima, o mercado de capitais brasileiro não teria o nível de maturidade e confiança internacional que possui hoje.
Qual o maior desafio para esse mercado?
– Hoje, o desafio é o equilíbrio entre a volatilidade macroeconômica (juros e inflação) e a segurança jurídica. Em 2026, enfrentamos um cenário global de incertezas políticas e tecnológicas. Manter o fluxo de capital para o longo prazo, especialmente em projetos de infraestrutura, exige que as instituições brasileiras mantenham uma governança impecável para proteger o investidor contra os choques externos.
Livre para outros apontamentos
– Gostaria de destacar o papel da tecnologia na custódia e administração. Na Oliveira Trust, vemos que a eficiência não é mais um diferencial, é um pré-requisito. O futuro do mercado de capitais é digital, transparente e cada vez mais voltado para ativos com robustez de garantias e sustentáveis.
Iniciativas da nossa empresa envolvem o uso direto e operacional de inteligência artificial e tecnologia. O Octo+, plataforma proprietária que oferece a possibilidade de ganho em escala, viabilizando o processamento de grandes volumes de recebíveis em um tempo hábil de modo que o cliente consiga ter mais facilidade e velocidade na negociação das operações.
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