A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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FOBO: quando o medo da obsolescência gera inovação
O medo de ficar obsoleto pode impulsionar a inovação nas organizações
A incorporação de inovações tecnológicas ao ambiente de trabalho representa uma grande vantagem em termos de redução de tempo, eficiência e produtividade. No entanto, como toda mudança, também traz uma série de desafios. Um dos mais evidentes é a necessidade de que os profissionais se adaptem ao uso e à gestão desses avanços.
Como consequência, o medo de se tornar obsoleto, ou FOBO (Fear of Becoming Obsolete, na sigla em inglês), está cada vez mais presente e se tornou uma das principais preocupações entre trabalhadores de diferentes áreas — e não sem motivo. De acordo com a 5ª edição do relatório Futuro do Trabalho, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial em conjunto com a Fundação Dom Cabral, cerca de 40% das habilidades consideradas essenciais hoje estarão ultrapassadas em 2030.
Segundo o estudo, entre as empresas brasileiras, 90% pretendem aprimorar suas habilidades nos próximos cinco anos, e 58% esperam contratar profissionais com novas competências, sobretudo relacionadas a novas tecnologias. Já o levantamento global da Ipsos, especializada em pesquisas e consultoria de mercado, aponta que 42% dos brasileiros acreditam que podem perder o emprego em razão da inteligência artificial, e 61% esperam transformações significativas no ambiente profissional.
Transformar o medo em evolução
Diante desse cenário complexo, o caminho mais eficaz é transformar o FOBO em um impulso para a evolução e a resiliência dentro das empresas. Para isso, as organizações precisam encarar o aprendizado como uma oportunidade de crescimento para suas equipes diante das transformações — o que exige atenção a alguns pontos fundamentais.
O primeiro é reconhecer o FOBO como um fenômeno coletivo. Não se trata de um receio passageiro ou individual. Estudos recentes indicam que um em cada cinco trabalhadores vivencia esse medo, número que continua crescendo. Identificar o problema pode ser simples com o uso de ferramentas como pesquisas internas e conversas abertas. Esses mecanismos ajudam a detectar lacunas de habilidades no time e fornecem a base para estratégias e planos de ação que impedem que o medo leve à paralisia.
Reconhecer a existência do FOBO é o primeiro gesto de liderança que demonstra o compromisso da empresa com seus colaboradores e com o crescimento pessoal e profissional deles diante de um futuro incerto. Mas apenas reconhecer não basta. O que realmente transforma é acompanhar esse reconhecimento com aprendizado contínuo.
Programas de upskilling e reskilling deixaram de ser uma alternativa e passaram a ser uma necessidade estratégica. Proporcionar formação alinhada ao papel do profissional e à estratégia da empresa significa valorizar o capital humano, mantendo-o relevante e protagonista do desenvolvimento organizacional. A atualização constante de habilidades técnicas e comportamentais — da tecnologia à gestão de projetos — permite que os colaboradores continuem gerando valor e que a organização permaneça competitiva. Dedicar parte da jornada de trabalho à capacitação é investir em um modelo de crescimento sustentável e em um compromisso real com a equipe.
Tecnologia educacional e personalização do aprendizado
Considerando a importância do aprendizado contínuo, a personalização é outro passo essencial para combater o FOBO de maneira realmente eficaz. Cada profissional tem seu próprio ponto de partida, interesses pessoais e ritmo de aprendizado, que não necessariamente coincidem com os de seus colegas. Por isso, trilhas formativas adaptadas a essas particularidades tornam o processo de aprendizado mais motivador e enriquecedor.
A abordagem mais avançada de formação corporativa utiliza plataformas flexíveis, baseadas no perfil do profissional, capazes de oferecer recomendações inteligentes de acordo com suas motivações e competências. Além disso, essas plataformas permitem medir o impacto da formação em tempo real, com métricas de progresso individuais que mostram como as competências adquiridas se alinham às necessidades reais da empresa.
Nesse aspecto, a tecnologia educacional desempenha um papel fundamental. As edtechs mais modernas permitem que o colaborador seja o arquiteto do próprio desenvolvimento, favorecendo a autonomia sem perder o alinhamento estratégico e convertendo o FOBO em curiosidade, ambição e orgulho pelo próprio crescimento.
Ainda assim, algo que realmente faz diferença na transição do medo para o empoderamento é apostar na formação como um processo transversal a todos os departamentos, com alto potencial de integração e fortalecimento de uma cultura comum. Isso inclui incentivar a colaboração entre gerações e promover mentorias reversas como forma de fortalecer a coesão interna. Fazer com que profissionais mais jovens ensinem os mais experientes sobre novas ferramentas e tendências digitais, enquanto os veteranos compartilham seus conhecimentos com os recém-chegados, vai além de um gesto simbólico. Trata-se de um método eficaz para reduzir lacunas e gerar aprendizado bidirecional.
Inovação e aprendizado são projetos coletivos
O essencial é estruturar esses programas com objetivos claros e papéis bem definidos, garantindo que a empresa facilite esses encontros e que os participantes compreendam que inovação e aprendizado são projetos coletivos. Dessa forma, o conhecimento circula em todas as direções, e a experiência se alia à renovação de perspectivas para gerar resultados extraordinários.
Com tudo isso estabelecido, o passo final para assegurar o êxito de um programa de formação é promover uma cultura de experimentação proativa. O aprendizado não pode ser um complemento opcional; precisa estar presente no cotidiano da empresa, incorporado às reuniões, ao desenvolvimento de projetos e aos momentos de inovação.
Criar espaços nos quais os membros da equipe possam testar, errar e aprender é altamente produtivo. Oficinas, sessões de experimentação de novas ferramentas e outras práticas que valorizem o aprendizado a partir dos erros e da participação ativa dos profissionais geram resultados significativos. Assim, o FOBO se transforma em fonte de criatividade, motivação e resiliência, criando-se um ciclo virtuoso no qual aprender representa progresso, não risco.
Superar o FOBO é um dos grandes desafios enfrentados por profissionais de todos os setores. A boa notícia é que essa responsabilidade não recai apenas sobre o indivíduo. Trata-se de um chamado à ação conjunta, no qual a empresa precisa oferecer oportunidades reais de desenvolvimento e o trabalhador deve assumir um compromisso ativo com o próprio aprendizado, assegurando sua capacidade de evoluir. Transformar o FOBO — o medo da obsolescência — em inovação e aprendizado é a estratégia mais sólida para formar equipes fortes, adaptáveis e prontas para enfrentar qualquer desafio futuro.
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