Edital PGFN/RFB nº 4/2026 permite regularizar débitos de IRRF de investidores não residentes com descontos de até 65% e adesão até 29 de dezembro de 2026
Área do Cliente
Notícia
Tarifas com CNPJ: o protecionismo que o Brasil finge não ver
Enquanto país condena tarifas impostas pelos EUA, aplica suas próprias barreiras internas contra empresas, especialmente na saúde
A recente decisão do governo norte-americano de impor tarifas sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 do Trade Act, foi recebida em Brasília com indignação e discursos em defesa do livre comércio. O governo brasileiro, apesar de sinalizar que não retaliaria, foi enfático ao qualificar as tarifas como injustas, unilaterais e prejudiciais ao investimento e à previsibilidade das relações econômicas.
A retórica é conhecida. O problema é que, ao mesmo tempo em que o Brasil condena o protecionismo alheio, aplica o seu próprio, só que com CNPJ e em nome de pseudo “interesse nacional”.
Nos últimos anos, o protecionismo brasileiro se sofisticou. Abandonou as tarifas clássicas e passou a operar por meio de preferências administrativas, normas técnicas, filtros opacos e critérios de priorização tecnológica. O caso mais evidente está no setor da saúde, especialmente nas políticas de compras públicas e aprovações regulatórias.
No apagar das luzes de julho de 2025, por exemplo, a Resolução CIIA-PAC/CC nº 3/2025, publicada pelo MDIC, reforçou a diretriz de priorização de tecnologias de fabricação nacional nos processos de compra com recursos públicos. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde passou a exigir, em diversas frentes, a comprovação de “conteúdo local” como critério de avaliação.
Na prática, empresas legalmente brasileiras, com sede e operação no país, vêm sendo excluídas de políticas públicas apenas por terem estrutura societária vinculada a grupos internacionais. Mesmo quando produzem localmente, geram empregos, recolhem tributos e cumprem rigorosamente a legislação, seu “capital estrangeiro” tem pesado contra elas.
O paradoxo se torna ainda mais evidente diante da crise sanitária enfrentada pelo Brasil, como no caso da dengue. Tecnologias geneticamente modificadas, armadilhas inteligentes, sistemas de monitoramento vetorial e outras inovações desenvolvidas por empresas brasileiras com atuação internacional têm enfrentado resistências implícitas no processo de avaliação, priorização e incorporação pelo setor público. O mesmo pode ser aplicado ao ambiente dos equipamentos, insumos e tecnologia médico-hospitalares.
Mesmo quando autorizadas pela autoridade competente, a ampliação do acesso às tecnologias é frequentemente preterida em favor de soluções “nacionais”, ainda que menos eficazes, mais caras ou menos escaláveis. Esse tipo de preferência, que aparentemente promove soberania tecnológica, limita o acesso da população a soluções eficazes e afasta investimentos de longo prazo. E faz isso sem debate público, sem análise de impacto regulatório e sem considerar os reais critérios de custo-efetividade.
A crítica às tarifas dos EUA parte de um argumento legítimo, já que medidas unilaterais e discriminatórias desequilibram mercados e penalizam parceiros comerciais. Mas perde força quando o país que se apresenta como vítima pratica discriminação equivalente contra empresas estabelecidas em seu próprio território.
Empresas instaladas e operantes no Brasil são brasileiras, especialmente se aqui contratam, pagam impostos aqui e se sujeitam à regulação local. A origem do capital não pode se tornar critério ilegítimo de exclusão em políticas públicas.
O protecionismo seletivo, mesmo que disfarçado de política industrial, impõe custos significativos ao país ao afugentar investimentos estruturantes; desestimular parcerias tecnológicas internacionais; dificultar a ampliação do acesso da população a tecnologias inovadoras. Ainda, fragiliza a posição brasileira em disputas internacionais, inclusive em painéis comerciais nos quais o país pretende se apresentar como defensor do livre comércio.
É possível e desejável adotar políticas de estímulo à produção local, conteúdo nacional e desenvolvimento de tecnologia própria. Mas isso deve ser feito com regras claras, previsibilidade jurídica e respeito à igualdade de tratamento entre empresas legalmente estabelecidas.
O que o Brasil precisa evitar é o duplo padrão ao denunciar o protecionismo quando vem de fora, mas tolerá-lo quando vem travestido de política pública nacional.
Se o país quiser ser ouvido em foros multilaterais, respeitado por investidores e eficaz na defesa do acesso à saúde, precisa começar reconhecendo que tarifas com outro nome continuam sendo tarifas. E, no setor da saúde, elas custam mais do que dinheiro: custam tempo, acesso e, potencialmente, vidas.
Notícias Técnicas
Eventos D-1001 e D-1011 poderão ser enviados a partir de 1º de outubro e deverão ser processados antes da escrituração mensal
Mudança foi postergada por duas semanas para dar mais estabilidade às instituições financeiras durante o período de entrega e retificação das informações
Testes realizados pela Receita Federal confirmaram o funcionamento do serviço para usuários de Pessoa Física e Pessoa Jurídica
Solução de consulta detalha os requisitos para caracterizar o uso de equipamentos como emprego de materiais e permitir a aplicação da alíquota reduzida
A Receita Federal reconheceu a aplicação de alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins em operações de microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica, conforme a Solução de Consulta COSIT nº 168/2026
Documento reúne orientações sobre registro, execução dos trabalhos de auditoria, fundos de investimento e asseguração de informações de sustentabilidade
O Portal da NFe (Nota Fiscal Eletrônica) divulgou na 4ª feira (2.set.2026) a tabela da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) com as respectivas uTrib (unidades tributárias) para o comércio exterior
O coeficiente do IBS que definirá a participação de estados e municípios na distribuição da receita do novo imposto deverá ser divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) em 31 de agosto de 2027
O TSE publicou a Resolução nº 23.755/2026, reforçando a proibição de propaganda e assédio eleitoral no ambiente de trabalho, práticas que já são proibidas pela legislação eleitoral
Notícias Empresariais
O Banco Central divulga novas regras do Pix que aprimoram a segurança e a experiência do usuário
Empresas dizem valorizar colaboração, autonomia e planejamento. Mas aquilo que realmente se repete costuma ser o comportamento que recebe reconhecimento
O desenvolvimento profissional exige competências técnicas e comportamentais, além de conhecimentos multidisciplinares
Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores até 2027; especialista aponta seis competências que combinam domínio tecnológico, pensamento crítico e capacidade de enfrentar mudanças
Uso de IA chega a 50% entre as grandes empresas brasileiras, mas ainda alcança apenas 15% das pequenas
Saiba como balanço, DRE e fluxo de caixa influenciam a liquidez e capital de giro
Ferramenta indispensável para atrair clientes, fortalecer marcas e garantir a competitividade no mercado contábil
A data comercial é uma grande oportunidade para as empresas testarem um "esquenta" da Black Friday
Recebedor terá acesso ao valor integral de forma instantânea
Nem todo problema chega acompanhado de conflito. Às vezes, alguém para de reclamar porque também parou de acreditar que alguma coisa vai mudar
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade