Versão consolidada até a Nota Orientativa 12/2026 exige atenção às datas de implantação dos campos e regras do sistema
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Notícia
Pagamentos por código de barra serão extintos em até 2 anos
Após 50 anos, o modelo linear será substituído por códigos 2D, como o QR Code
Em 26 de junho de 1974, um pacote de chicletes de tutti frutti foi o primeiro produto escaneado em um caixa de supermercado nos Estados Unidos. Aquele momento inaugurou a era do código de barras, tecnologia que mudou o comércio global ao permitir filas menores, estoques mais organizados e logística mais eficiente. Cinco décadas depois, esse símbolo do consumo começa a se despedir. A GS1, entidade internacional que regula o sistema, prevê que até 2027 o modelo linear será substituído por códigos 2D, como o QR Code.
O conceito do código de barras foi criado em 1952 e padronizado em 1973 no formato EAN-13. Cada produto passou a ter um número único, o GTIN (Global Trade Item Number), traduzido em barras lidas nos caixas. Hoje, são mais de 6 bilhões de escaneamentos por dia em todo o mundo. "É o documento de identidade dos produtos, o que permite que eles circulem no mercado global", explica Laurence Vallana, diretora da SES Imagotag.
Porém, o QR Code pode armazenar até 100 vezes mais dados que o código de barras tradicional e, por isso, amplia significativamente as informações disponíveis ao consumidor. Além de preço e identificação, o código 2D possibilita o acesso imediato à tabela nutricional do produto, à origem de seus ingredientes, às certificações ambientais e de segurança, aos dados de validade e lote, além de direcionar para links com promoções e conteúdos digitais.
O código foi criado em 1994, no Japão, pelo engenheiro Masahiro Hara, da empresa Denso Wave, uma subsidiária da Toyota. A ideia surgiu da necessidade da indústria automotiva de desenvolver um sistema capaz de armazenar mais informações do que o código de barras comum e de ser lido com rapidez em diferentes ângulos.
Inicialmente, o QR Code era usado para rastrear peças em linhas de montagem e logo ganhou aplicações em diversos setores por sua capacidade de armazenar grande volume de dados e ser facilmente escaneado por câmeras digitais. Nos últimos anos, ele ganhou enorme popularidade e se consolidou como uma das ferramentas digitais mais usadas no dia a dia. A tecnologia, que antes era restrita a setores industriais, passou a ser adotada em larga escala no comércio, nos serviços e até por órgãos públicos.
A pandemia de covid-19 acelerou esse processo: menus digitais em restaurantes, pagamentos por aproximação, check-ins de segurança e certificados de vacinação fizeram do QR Code um recurso presente em praticamente todos os setores. Com a disseminação dos smartphones, que permitem a leitura imediata pela câmera, o código se transformou em um elo direto entre produtos, serviços e consumidores, ampliando sua relevância no mercado global. "É uma revolução silenciosa, mas inevitável", afirma João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil.
Padronização
Para Pedro Di Martino, gerente de relações institucionais da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, a padronização do QR Code é um dos pilares da estratégia da GS1 para a rastreabilidade da cadeia e a disponibilização de informações detalhadas sobre os produtos. "A GS1, que já é responsável pela identificação de itens através do número global de identificação do item (JETIM) e do código de barras linear (código 1D), está trabalhando na evolução para o código 2D, o QR Code Digital Link."
Segundo Di Martino, "a principal vantagem do QR Code padronizado pela GS1 é permitir que os consumidores, ao usarem seus celulares, tenham acesso direto e padronizado a informações detalhadas sobre o produto."
Isso significa que, independentemente do produto ou da marca, se o QR Code seguir os padrões da GS1, o consumidor poderá encontrar informações como tabelas nutricionais, normas técnicas e certificações que o produto precisa, dados de conformidade, especialmente relevantes para o programa Conformidade para Todos, e data de validade, o que pode, inclusive, impedir a venda de produtos vencidos no ponto de venda, beneficiando tanto o consumidor quanto o lojista.
Pedro explica que, o QR Code é uma imagem que leva a uma URL (link). "A GS1 trabalha para que esse link siga um formulário padrão, garantindo que as informações estejam sempre disponibilizadas no mesmo lugar de forma estruturada. O JETIM continua sendo a chave de acesso e identificação do produto, mas outras informações são agregadas de maneira padronizada através desse link do QR Code."
Sobre a integração com o Cadastro Nacional de Produtos (CNP), Di Martino destaca: "As informações do programa 'Conformidade para Todos', incluindo as normas e certificações que o produto precisa, não estarão diretamente dentro do JETIM, mas sim dentro do Cadastro Nacional de Produtos (CNP). O JETIM, que estará no QR Code, servirá como a chave que 'abre a pasta' onde essas informações estão armazenadas na base de dados da GS1."
Ele também projeta que "a GS1 espera que o QR Code se torne o principal identificador no médio prazo, substituindo o código de barras linear. Haverá uma fase de transição em que ambos os códigos coexistirão. Isso se deve à necessidade de a indústria se adaptar, considerando o investimento em rótulos e processos. Os leitores de código de barras nos pontos de venda já são 'flexíveis' e conseguem ler tanto códigos de barras quanto QR Codes, facilitando essa transição. A meta da GS1 é que até 2028 essa transição esteja mais confortável e consolidada no Brasil, com o QR Code mais espalhado em diversos setores além do material de construção."
Di Martino ressalta ainda que "a padronização do QR Code e a disponibilização de dados via Digital Link são cruciais para todos os setores. Embora o foco inicial do programa 'Conformidade para Todos' tenha sido materiais de construção, outros setores como pneumáticos, cosméticos e agrotóxicos estão na fila para aderir e se beneficiar da padronização de informações via QR Code. "O varejo alimentar também é um foco futuro para automatizar informações de validade e conformidade com regulamentações específicas."
"É importante ressaltar que a GS1 não determina o preço dos produtos. Essa é uma decisão do varejista ou do dono da marca. O QR Code facilitará o acesso a informações sobre o produto, mas não ao seu preço, que continuará a ser exibido nas gôndolas por exigência legal. Além disso, a iniciativa se alinha a movimentos globais como o Passaporte Digital do Produto (DPP) na Europa, que visa rastrear todo o ciclo de vida de um item, incluindo informações de sustentabilidade e logística reversa. O 'Conformidade para Todos' e a padronização do QR Code são passos nesse sentido."
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