Versão consolidada até a Nota Orientativa 12/2026 exige atenção às datas de implantação dos campos e regras do sistema
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Inadimplência cresce e é a maior desde setembro de 2023, mostra CNC
Percentual de brasileiros que não têm condições de pagar as dívidas é o maior de 2025; famílias de menor renda e mulheres são as mais afetadas
A inadimplência do consumidor atingiu o maior patamar desde setembro de 2023, chegando a 30,2% da população brasileira. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento do índice em julho foi de 0,5 ponto percentual, acompanhado pelo crescimento da quantidade de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas, percentual que chegou a 12,7% (+0,2 p.p.). Desde dezembro de 2024, essa fatia não era tão grande.
O levantamento também mostrou que o endividamento ficou praticamente estável, em 78,5%, com o avanço de 0,1 p.p. frente ao mês passado. Ainda foi observado que a tendência de redução dos prazos firmados para os pagamentos se manteve pelo sétimo mês consecutivo, com as dívidas superiores a um ano alcançando 31,5%. Em contrapartida, o comprometimento em curto prazo cresceu.
Tais resultados emitem um alerta, especialmente, de que as famílias de rendas baixa e média e o público feminino têm passado por maiores dificuldades, uma vez que eles apresentaram piora tanto no endividamento quanto na inadimplência. Um ano atrás, a inadimplência era de 28,8%, com 11,9% dos entrevistados declarando não ter condições de pagar.
“O aumento do número de famílias que já não conseguem pagar suas dívidas e a estagnação do endividamento indicam que os brasileiros estão no limite de sua capacidade de contrair novas dívidas. A redução dos prazos mostra um uso cada vez mais defensivo do crédito. Esse comportamento exige atenção das autoridades para que se evite uma estagnação no comércio e nos serviços”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Contas em atraso por mais tempo
Segundo o levantamento, o tempo de inadimplência aumentou em julho, com 47,5% dos consumidores com contas em atraso estando nesta situação há mais de 90 dias. Ainda assim, houve melhora do percentual de famílias que comprometem mais da metade da renda com as dívidas, de 19,2% para 18,9% no mês. Outra boa notícia é que o comprometimento médio dos ganhos familiares caiu para 29,4%.
O cartão de crédito segue como o principal meio de endividamento (84,5%), embora tenha recuado 1,5 ponto percentual, na comparação com 12 meses atrás. Já os carnês continuam ganhando espaço, sendo a segunda modalidade mais utilizada, com 16,8% e destaque frente ao crédito pessoal, que aparece com 10,6%.
“Notamos as famílias brasileiras cada vez mais conscientes com relação ao crédito. Prova disso é a redução do comprometimento médio da renda e da parcela de famílias com mais da metade dos ganhos consumidos pelas dívidas. O recuo do cartão de crédito e avanço dos carnês sugerem uma busca por modalidades menos onerosas e com maior previsibilidade de pagamento”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Perfil dos endividados
A parcela da população com faixa de renda entre 3 e 5 salários mínimos foi a que apresentou maior aumento do endividamento e da inadimplência. Em um ano, o número de endividados entre este público cresceu 1,7 ponto percentual (81,3%), e o de inadimplentes subiu 1,6 p.p. (28,7%). Já entre os que afirmam não ter condições de pagar as dívidas, o aumento foi de 2 p.p. (12%).
Na análise envolvendo os gêneros, o endividamento das mulheres caiu 0,2 p.p. (79,1%) frente a julho de 2024, embora tenha aumentado 0,9 p.p. em um mês. A inadimplência delas aumentou 1,4 p.p. (30,7%), com 12,4% sem condições de pagar (+0,3 p.p. na variação anual). Em contrapartida, é maior o percentual de homens sem ter como pagar as contas atrasadas, que chegou a 12,8%, 1,1 p.p. à frente do patamar de um ano atrás.
Perspectiva para os próximos meses
Mesmo com os indicadores elevados, a CNC projeta que o endividamento deve começar a desacelerar nos próximos meses. A expectativa é que a combinação de juros elevados e aumento da inadimplência leve as famílias a um comportamento mais cauteloso com o crédito. Ainda assim, a entidade prevê que 2025 deve terminar com níveis mais altos de endividamento (+1,1 p.p.) e inadimplência (+1,4 p.p.) em comparação ao fim de 2024.
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