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Número de influenciadores de finanças cresce quase 40% e engajamento bate recorde
O estudo foi feito nos seis últimos meses de 2024. Nesse período, a Anbima mapeou 170 novos influenciadores, uma alta de 30% ante o semestre anterior e de quase 39% ante um ano antes. Cada postagem desses influenciadores tem, em média, 2,9 mil interações. Essa média cresceu 21% em seis meses e 62% em um ano
O número de influenciadores que falam sobre finanças e investimentos no Brasil cresceu quase 40% no último ano e chegou a 741 pessoas. Essa foi a maior alta já mapeada pelo estudo “Finfluence: quem fala de investimentos nas redes sociais”, feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad). Dados do levantamento mostram que o engajamento continua crescente e bateu recorde. A conclusão é que esse mercado ainda tem muito espaço para continuar crescendo e atraindo seguidores.
O estudo foi feito nos seis últimos meses de 2024. Nesse período, a Anbima mapeou 170 novos influenciadores, uma alta de 30% ante o semestre anterior e de quase 39% ante um ano antes. Mas, segundo Amanda Brum, Superintendente de comunicação, marketing e relacionamento com associados da Anbima, o número de novos influenciadores pode ter sido muito maior. "170 são os que chegaram aos requisitos necessários mínimos para os nossos robôs conseguirem mapeá-los nas redes sociais. Muitos outros começaram, mas não tiveram resultados suficientes para serem elencados", afirma.
Para Amanda, esse crescimento é mais uma prova de que este mercado não está saturado. Pelo contrário, existe um mar imenso a ser navegado.
O número de seguidores desses influenciadores chegou a 263,5 milhões, somando o X (antigo Twitter), Instagram, YouTube e Facebook. A alta foi de 17% na comparação semestral e de 27% em um ano. É importante destacar que um mesmo seguidor pode ser contado várias vezes, caso siga influenciadores diferentes ou o mesmo em distintas plataformas. No caso do engajamento, as altas foram ainda mais intensas e bateram recorde. Cada postagem desses influenciadores tem, em média, 2,9 mil interações (entre curtidas, comentários, compartilhamentos e etc). Essa média cresceu 21% em seis meses e 62% em um ano.
"Para mim, esse é o dado mais importante de todos. As pessoas não estão seguindo por seguir. As informações sobre investimentos não estão passando no feed despercebidamente. As pessoas dedicam um tempo para interagir com aquele conteúdo. Então, os brasileiros estão, de fato, entrando no mundo dos investimentos", afirma Amanda.
Um outro ponto positivo trazido pela executiva é o fato de as pessoas não deixarem de seguir influenciadores facilmente. Com isso, eles vão acumulando cada vez mais adeptos. "Suponha que eu comece a seguir a Nathália Arcuri, o Primo Pobre e a Nath Finanças, que ensinam o básico. Se eu já aprendi, me organizei e quero ir um pouco além, posso seguir a Marília Fontes para aprender de renda fixa, depois a Luciana Seabra, para aprender sobre fundos. Mas não deixo de seguir a Nath Finanças ou a Nathália Arcuri", afirma.
Redes sociais favoritas
Segundo o levantamento, o YouTube segue como a rede com maior engajamento, superando pela quarta vez seguida o resultado do relatório anterior. Cada vídeo teve, em média, 10,8 mil interações, uma alta de 23% na comparação anual e de 20% na semestral. Ao todo, são 546 influenciadores com perfis nessa rede.
"No YouTube, as pessoas se aprofundam no assunto para de fato ir para o investimento, que é o que ajuda a dar esse engajamento muito alto. É onde a pessoa assiste, vai pausando, seguindo passo a passo, anotando para de fato investir", afirma Amanda.
O Instagram, por sua vez, tem mais contas cadastradas, com 601 perfis mapeados pela Anbima. Nele, o engajamento médio é de 2,1 mil por post. No X, o engajamento médio é de 1 mil e no Facebook, de apenas 23.
Quem são os influenciadores?
Segundo o levantamento, o total de influenciadores pessoas físicas aumentou 30,6% em seis meses e chegou a 576 perfis. A maioria ainda é masculina: 492 homens (uma alta de 31,1% no semestre) e 84 mulheres (alta de 29,2% no semestre).
Para Amanda, essa diferença reflete o que acontece no próprio mercado financeiro. "Se olharmos nas posições executivas, os banqueiros, assessores de investimento, os homens ainda são maioria. Então é natural que, entre os influenciadores a gente tenha esse reflexo. A tendência é melhorar? Sim, temos vários programas capitaneados pela Anbima para promover diversidade de gênero no setor, mas é um movimento de longo prazo, que depende de algo estrutural", diz.
Os mais populares
A Anbima ainda faz um ranking mostrando os principais influenciadores. Para elaborá-lo, são considerados critérios como popularidade (quantidade de seguidores), engajamento médio (quantidade média de curtidas, comentários e compartilhamentos), comprometimento (quantidade e frequência de postagens), autoridade (aspecto que é relativo ao domínio do influenciador quanto ao assunto tratado) e articulação (habilidade para fazer conexões e ter interações com o mercado de investimentos, o público e os demais influenciadores).
No ranking dos dez mais populares entre as pessoas físicas, o líder foi Charles Mendlowicz, dono da página e canal Economista Sincero. Na sequência aparecem Bruno Perini, do Você mais rico; Thiago Guitián Reis; Nathália Arcuri, que se popularizou com o Me Poupe!; Raul Sena, do Investidor Sardinha; Thiago Nigro, do O Primo Rico; Thiago Godoy, do Papai Financeiro; Renato Breia; Eduardo Feldberg, do O Primo Pobre e Gustavo Cerbasi.
Páginas de empresas crescem
Um dado curioso dessa nova edição do levantamento é o crescimento dos perfis de empresas, que agora são 22,2% do total, e tiveram um aumento de 34,4% no engajamento. De acordo com a Anbima, esse sucesso se deve ao fato de as empresas explorarem a tendência dos seguidores em lerem notícias em redes sociais e se valerem de um posicionamento mais neutro.
"Esse foi o maior crescimento que registramos e vi com ótimos olhos, porque mostra que as empresas estão aprendendo com os influenciadores", afirma. "Elas aprenderam a usar e conseguiram ocupar um espaço relevante nesse mundo digital e isso tem sido bem bacana. O caminho encontrado por elas foi de usar a informação mais neutra, com teor mais jornalístico para se diferenciar. Elas trazem informação de qualidade para poder dialogar com seu público", diz.
No ranking geral de organizações, a liderança fica por conta do InfoMoney, seguido do Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro, Money Times, Brazil Journal, Criptofácil, Bloomberg Línea Brasil, Suno Research, Banco Central do Brasil e Portal do Bitcoin.
O que foi falado?
Alguns dos temas mais abordados e que geraram mais interações no ano foram os produtos de investimento. Dos 741 influenciadores ativos, 718 falaram sobre algum tipo de investimento. O ranking dos mais citados foi formado por ações, criptomoedas, mercado de câmbio, fundos de investimento imobiliário (FIIs), produtos de renda fixa (como CDBs, LCIs, LCAs e títulos públicos do Tesouro Direto), fundos, ouro, poupança e previdência privada.
Já o ranking dos que mais engajaram foi formado pela renda fixa, FIIs, fundos de investimento, ouro, poupança, casas de aposta (que, como destaca a Anbima, não são produtos financeiros, mas entram nessa categoria de forma excepcional para facilitar a análise do conteúdo que influenciadores publicam sobre o tema), ações, mercado de câmbio, commodities e criptomoedas.
Por fim, um outro tema que foi muito abordado nas redes sociais no semestre analisado foi o pacote de gastos do governo. Foram 7,2 mil menções, de 379 influenciadores e com 5,3 mil interações médias.
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