Mecanismo de compensação não encontra respaldo na legislação vigente
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Como serão os shoppings no pós-coronavírus?
Glauco Humai, presidente da Abrasce, conta como é o protocolo de reabertura dos empreendimentos, que devem receber consumidores para compras previamente definidas e mais rápidas
Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Brasil conta atualmente com 105,6 mil lojas distribuídas em 577 shoppings, que empregam 1,1 milhão de trabalhadores.
O faturamento do setor, em 2019, foi de R$ 192,8 bilhões e os centros de compras receberam uma média de 502 milhões de visitantes por mês no ano passado.
Diante desses números, a entidade projetou um 2020 ainda melhor, com a inauguração de 19 novos shoppings até o final do ano. No entanto, com a pandemia do novo coronavírus, apenas três empreendimentos puderam ser inaugurados, nos meses de janeiro e fevereiro.
“A inauguração dos demais foi adiada para o ano que vem ou mesmo indefinidamente, até que tenhamos uma visão mais clara da recuperação sanitária do país”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce.
Em algumas cidades e regiões, onde o quadro de evolução da covid-19 é baixo e o sistema de saúde consegue suportar tranquilamente a demanda de novos casos, os shoppings já começaram a ser reabertos.
Até o momento, 88 empreendimentos voltaram a funcionar no país, mas com operações reduzidas e seguindo um protocolo de medidas que visam reforçar a higienização dos espaços, além de um procedimento minucioso para garantir a saúde de clientes e colaboradores.
De acordo com Humai, a reabertura deve ser gradual e os shoppings já têm plena capacidade de operar de forma segura. “O nosso lema agora é higienização total e aglomeração zero”, diz.
Quanto ao cenário pós-pandemia, o dirigente acredita que, inicialmente, com as áreas de entretenimento fechadas, os consumidores frequentarão os shoppings principalmente para fazer compras programadas.
“No começo haverá menos circulação e menor tempo de permanência. Entretanto, gradualmente o setor voltará ao que era antes. A estrutura não será modificada e os empreendimentos continuarão sendo não apenas opções de compras, mas também de lazer, entretenimento e convivência”, destaca Humai.
A seguir, o presidente da Abrasce fala mais sobre o cenário para os shopping centers durante e após a pandemia:
Quais os impactos da pandemia no setor de shopping centers?
O impacto está sendo muito grande. Todos os 577 shoppings no Brasil foram fechados. Estimamos uma perda de faturamento, até o momento, de cerca de R$ 25 bilhões. Aproximadamente 20% dos lojistas já fecharam ou declararam que vão fechar definitivamente seus estabelecimentos nos próximos 30 dias.
Qual a situação das lojas âncoras? Difere muito das de pequeno e médio porte?
A crise está afetando igualmente todos os lojistas, pequenos, médios ou grandes. As lojas âncoras, além de shoppings, possuem unidades em ruas, onde também estão fechadas. Apesar de algumas delas operarem no comércio on-line, isso é algo paliativo.
Os lojistas conseguiram descontos nos aluguéis e outras taxas?
Grande parte do setor isentou os lojistas dos aluguéis de março e abril, com vencimentos em abril e maio, respectivamente. Outra parte postergou o pagamento para o final do ano ou mesmo para 2021. Descontos de 20% a 50% também foram oferecidos, com pagamento futuro. O fundo de promoção foi praticamente zerado em todo o setor e o desconto da taxa de condomínio, na média, foi de 40%.
Nos últimos anos, os shoppings se destacaram bastante como opções de entretenimento e convivência. Com cinemas e espaços kids fechados, por exemplo, o senhor acredita que os empreendimentos voltarão à sua vocação inicial, ou seja, como verdadeiros centros de compras?
Acredito que a crise não mudará nossa estrutura de negócios. A população sempre vai precisar de lazer, entretenimento e alimentação. No começo teremos um novo normal, dentro de protocolos sanitários. Gradualmente voltaremos à nossa operação completa, com cinemas, teatros e brinquedotecas reabertos. Em um curto espaço de tempo não imagino as pessoas passeando e circulando como antes. O que temos notado nos 88 shoppings que já foram reabertos é que o público está indo para fazer compras mais assertivas e menos por impulso. O tempo médio de permanência, que era de 76 minutos antes da pandemia, hoje está em 25 minutos.
O novo normal, em um curto prazo, será viável economicamente?
Ele não dará os mesmos resultados de uma operação pré-pandemia, mas certamente será viável. Além de viável, será necessário para que a gente possa entender a dinâmica desse novo normal e como será o convívio em um mundo ameaçado por um vírus perigoso. A retomada, mesmo com atividades reduzidas, será fundamental para podermos encontrar novas curvas de funcionamento.
A Abrasce elaborou um protocolo de operações (veja ao final do texto) com mais de 20 medidas para a reabertura dos shoppings. Está havendo dificuldades para implementá-lo?
Não estamos tendo dificuldades. Os shoppings que já reabriram estão seguindo esse protocolo à risca e indo até além. Apesar de ser um protocolo interno de autorregulação, ele trabalha em conformidade com os decretos municipais. Nosso diálogo com o poder público é excelente. Todas as nossas medidas passaram por supervisão de infectologistas e profissionais da saúde e permitem uma redução muito grande do risco de contaminação.
Quando o senhor acha que os shoppings estarão completamente reabertos no país?
A reabertura tem que ser feita de forma muito consciente pelo poder público. Não estamos pressionando de forma alguma, mas sim passando dados, evidências e boas práticas utilizados no mundo e também aqui no Brasil para que os governantes tenham mais elementos para a tomada de decisões. Defendemos a reabertura em cidades ou regiões onde o quadro de evolução do vírus é baixo e o sistema de saúde consegue suportar a demanda de novos casos. O importante é reabrir com segurança e seguindo as recomendações científicas.

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