Mecanismo de compensação não encontra respaldo na legislação vigente
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Economistas criticam "oportunismo" de grandes empresas durante a crise
"Se sua matriz não dá garantia, por que as instituições financeiras vão confiar em você?", questionou o presidente do Insper, Marcos Lisboa
A inevitável queda da atividade econômica durante e após a crise gerada pela pandemia de covid-19 preocupa especialistas, que projetam quedas cada vez mais bruscas nos resultados do ano. Não só porque o Produto Interno Bruto (PIB) pode terminar 2020 em 5,5% negativos, pelas estimativas da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, mas também pela incerteza sobre a duração e o direcionamento das medidas de contenção de prejuízos.
A produção pode ficar em 5,5% negativos se a pandemia durar até o fim de agosto, uma queda estimada de um ponto percentual por mês, em média. No começo do ano, antes da crise, a previsão era de crescimento de cerca de 2%. A dúvida é se ela será temporária ou se as políticas públicas, que, a princípio, são emergenciais, serão mantidas nos próximos anos.
Para não comprometer a economia de forma mais grave e duradoura, elas devem ter prazo definido e foco na garantia de saúde, renda e emprego à população, defendem. Mudanças permanentes devem ser evitadas, explicou o economista Josué Pellegrini, diretor da IFI, em live promovida pela instituição, nesta quarta-feira (29/4), Para ele, é importante que "não haja utilização oportunista e, principalmente, que não se estenda para outros anos".
O presidente do Insper, Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, também alertou sobre um "oportunismo" de empresas e setores da economia diante da crise. "Tem multinacionais que as matrizes não dão garantia nas operações de crédito, mas reclamam que os bancos não emprestam. Se sua matriz não dá garantia, por que as instituições financeiras vão confiar em você?", questionou.
Lisboa também apontou que acionistas controladores de grandes empresas também não estão dispostos a capitalizar o negócio, mas cobram recursos da União. "Se o acionista não quer capitalizar, por que o governo vai dar dinheiro? Há muito oportunismo neste momento no país", reforçou. Para ele, é preciso "separar o joio do trigo".
O economista do Insper ressaltou que, além de direcionadas para setores mais vulneráveis, as políticas precisam ser de curto prazo. E acrescentou que, caso essa premissa não seja levada a sério, a pandemia "pode nos deixar uma herança muito dura pros próximos anos". "Meu receio é o tamanho do descontrole em meio a tantas medidas que têm sido conduzidas", disse.
Lisboa criticou ainda "a falta de liderança e de agenda clara do Executivo", que, na visão dele, é preocupante. Ações tomadas pelo Congresso também comprometem os gastos obrigatórios nos próximos anos, como a flexibilização dos critérios para pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a discussão sobre a ampliação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Com essas iniciativas, o Brasil "está correndo o risco de repetir o desastre de 2008 e 2009, mas partindo de uma dívida maior", considera Lisboa. "Para pequenas e médias empresas, a ajuda deveria ser temporária. Para grandes, as garantias devem ser com contrapartida dos acionistas, sejam estrangeiros, sejam domésticos. Eles têm que dar uma contrapartida", defende.
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