Mecanismo de compensação não encontra respaldo na legislação vigente
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Confira como diminuir o estresse no ambiente de trabalho
Oferecer programas de saúde e bem estar é indicação para as empresas a fim de reduzir o esgotamento profissional dos seus funcionários
O Brasil apresenta alta taxa de desemprego, comprometendo 11,8% da população. Já dentro das empresas, muitos funcionários lidam com a constante pressão em atingir metas e ainda com o medo frequente em perder o seu cargo. Segundo a psicóloga Adriana Bezerra do Carmo, esse cenário de instabilidade no mercado de trabalho tem contribuído para o País ocupar a posição do mais ansioso do mundo.
Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 18,6 milhões de brasileiros convivem com o transtorno, passível de evoluir para o estresse, para a depressão. Por isso, é preciso ligar o sinal de alerta nas empresas, porque mais de 90% dos casos de suicídio, de acordo com a Upjohn, estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor, sendo a depressão o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas.
"A gente precisa criar mecanismos dentro das associações para que as pessoas saibam como lidar com o estresse do dia a dia, porque os agentes estressores vão sempre existir, seja no ambiente de trabalho ou na nossa vida. A forma como a gente lida é que faz a diferença", aponta.
De acordo com Adriana, a primeira orientação é, logo durante o recrutamento da vaga, o candidato observar o que a empresa tem de positivo para o colaborador e se há uma identificação com os valores e as atividades da empresa na qual ele vai entrar.
Ao longo da sua jornada, após a contratação, o ideal para Adriana é que o trabalhador fizesse a entrega por completo. "O que a gente vê é muito tarefismo. A pessoa faz uma parte do processo, mas não entende de onde vem, muitas vezes, nem as consequências que ela vai gerar. É fundamental que ela consiga compreender o todo", destaca.
Além disso, o líder é fundamental no bom ambiente de trabalho, dando sustentação para a equipe e feedback para cada funcionário. "Precisa ser mais empoderador e olhar para o colaborador de forma mais positiva, entendendo que ele tem potencialidade e, não, que é só uma máquina para fazer aquela tarefa", detalha.
Para completar, a recomendação é as empresas recorrerem mais a programas de saúde, bem estar, qualidade de vida, descompressão e enfrentamento do estresse, por exemplo. "A gente tem feito bastante esse movimento e isso tem trazido resultados positivos para todos os lados", ressalta.
Conforme Adriana, quando o colaborador está em um processo de ansiedade, beirando ao esgotamento mental, ele não dorme ou se alimenta direito e começa a ter sintomas psicossomáticos, como sentir falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos. Já o empregador perde porque as empresas começam a lidar com atestados médicos, queda de produtividade, redução de foco e diminuição das entregas.
"(O programa de saúde) é bom para os dois lados, porque a gente precisa do trabalho e o trabalho deveria ser o local onde a gente se desenvolve. A gente passa a maior parte do nosso tempo lá, então ele deveria ser para a gente criar, mostrar a nossa potencialidade e, não, para ser engessado como um robô e fazer aquilo repetidamente, sem ter espaço de dizer como pode ser melhorado. Isso é adoecedor. E recebendo muita pressão de meta, meta, meta", pontua.
As profissões que lidam com tecnologia e que fazer um trabalho mais repetitivo são as mais susceptíveis ao esgotamento. "O que acontece é que as pessoas precisam estar todo tempo avançando. É como se o estresse fosse provoca pela dificuldade de trazer uma solução imediata para aquilo. É tão rápido que as coisas acontecem que você não consegue atingir todas as expectativas", explica.
"Quando as pessoas trabalham com atividades que dão a ela a condição de criar, como criar novos softwares ou aplicativos, o estresse é mais positivo que negativo. É aquele estresse que gera o impulso para ir lá criar. Mas, quando o trabalho é repetitivo, não podendo colocar a condição humana de fazer diferente, aí começa um estresse extremamente negativo", completa.
Para completar, a exigência de ser multitarefa, de não declinar os pedidos feitos pelo chefe e de ser firme, separando o lado emocional do racional também contribuem para um esgotamento profissional, o burnout.
"Nós estamos perdendo cada vez mais a conexão pessoal, presencial, e é isso que nós sobra como humanidade. A ansiedade, a depressão, o burnout são síndromes que estão se potencializando por conta da falta dessas conexões. Quando a gente não tem relação com a pessoa, estamos sempre na defensiva, principalmente no ambiente de trabalho", acrescenta Adriana.
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