Mecanismo de compensação não encontra respaldo na legislação vigente
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6 estratégias de RH para estimular e cuidar da sua equipe
De olho em dilemas criados pelas mudanças comportamentais e pelas novas tecnologias, especialistas em recursos humanos dão dicas para prevenir e solucionar conflitos com os colaboradores
Em um país onde a experiência de abrir uma empresa se aproxima de uma epopeia, começar um negócio pode parecer a parte mais difícil. Mas não se engane. Há ainda outros grandes desafios pela frente. Um deles, talvez o mais comum, é como gerir uma equipe de forma eficiente. O trabalho de gestão de um time é especialmente importante em um cenário de alta competitividade por talentos no mercado de trabalho.
Nesse campo, as tecnologias mais modernas podem ajudar bastante. Por outro lado, o avanço tecnológico, ele próprio, impõe novas realidades, como a constante conectividade dos colaboradores — especialmente quando eles estão longe da empresa. Outro exemplo é o movimento #metoo, nascido da reação feminina contra o assédio de produtores e diretores em Hollywood. A discussão em torno dos abusos contra mulheres ganhou o mundo e chegou também aos negócios.
Não saber lidar com o assunto e não dar a atenção que o tema necessita pode destruir uma empresa, ao colocar a reputação em xeque. “O empreendedor precisa aprender a lidar com as novas realidades e criar práticas que as acolham”, afirma Claudia Santos, sócia da consultoria de recursos humanos Emovere You. Leia, a seguir, dicas de especialistas sobre como lidar com desafios de gestão em seu negócio.
1. Bem-estar para trabalhar bem
O cuidado com a saúde mental e física traz benefícios à empresa, com funcionários mais satisfeitos e melhores relações de trabalho. Mas implementar políticas de bem-estar em negócios de pequeno e médio porte pode ser um desafio. Para começar, o importante é saber o que não fazer. Eventos disfarçados de programas de promoção de saúde não funcionam, aponta o relatório "Da evidência à prática: bem-estar no local de trabalho que funciona", conduzido pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.
De acordo com os pesquisadores, é essencial que a liderança esteja comprometida com o bem-estar — demonstrando isso na prática. O empreendedor deve se fazer algumas perguntas: quais atividades ajudariam a reduzir o estresse da equipe? Como auxiliar funcionários a largar vícios, como o cigarro? Para funcionar, essa relação deve ser de duas vias. Por isso é importante ouvir os colaboradores e realizar pesquisas internas para entender se as atividades oferecidas são de interesse da equipe.
2. O feedback que vale ouro
Um bom programa de avaliação é importante para uma empresa. Para os gestores, é uma forma de lapidar talentos, engajar e aumentar a retenção de profissionais. Para os empregados, é uma forma de identificar habilidades que precisam ser aprimoradas e adquirir novas competências. Se a ideia é implementar uma política de feedback, algumas decisões devem ser tomadas logo no começo: definir os objetivos do programa; estabelecer competências analisadas; e informar o colaborador — ele precisa saber como será analisado.
Uma consultoria de gestão de pessoas pode auxiliar na escolha do formato e na transformação das metas em métricas. Soluções de tecnologia também têm a acrescentar. A ferramenta Skills, da Appus, por exemplo, mapeia e identifica as competências dos funcionários e permite que eles recebam feedbacks de gestores e colegas, possibilitando a identificação de lacunas e levando a novas ações de desenvolvimento.
3. Assédio é coisa séria
A discussão em torno do assédio é hoje extremamente importante. O assunto ganhou força com a exposição de casos em Hollywood e deflagrou o movimento #metoo, que se estendeu a todos os negócios. “Houve um tempo em que o mercado de trabalho era tolerante com esse tipo de violação”, diz Laura Kroeff, vice-presidente da Box 1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação. “Mas hoje qualquer caso pode se transformar em um escândalo e colocar em xeque a reputação do negócio.”
Entre as dicas dos especialistas para lidar bem com esse assunto está a atenção à legislação — o assédio sexual se caracteriza por investidas não desejadas, marcadas por chantagem e abuso de poder. Algumas empresas têm canais de denúncia anônima para funcionários — as de menor porte podem usar aplicativos para este fim. Mas não basta punir sem trabalhar a questão. Por isso, a criação de normas internas claras e a conscientização da equipe são importantes. Essas medidas podem ajudar a esclarecer o que é assédio ou não, principalmente em companhias de cultura mais informal.
4. Cuidado com a vida conectada
Em tempos de mobilidade extrema e constante conectividade, com acesso a redes sociais, a distinção entre público e privado pode ficar confusa. Esse é o contexto perfeito para que funcionários compartilhem materiais que não condizem com as políticas internas da empresa, como selfies inapropriadas, conteúdo comprometedor e informações estratégicas da companhia.
O melhor caminho para evitar dores de cabeça com esse assunto é a definição de diretrizes claras. A tarefa, porém, não é trivial e não há uma receita a ser seguida. “As normas devem representar os valores da empresa, o perfil — mais ou menos formal — do negócio e o posicionamento que se deseja transmitir, que pode ser mais flexível ou conservador”, afirma Claudia, da Emovere You. A criação de regras claras é importante porque ajuda os colaboradores a saber o que pode e o que não pode ser compartilhado em suas redes sociais pessoais.
5. Mãozinha high-tech
Novas ferramentas de tecnologia estão mudando a forma como os departamentos de RH trabalham e como a gestão de pessoas é feita. “O RH precisa olhar para cada colaborador como um indivíduo único, e isso passa necessariamente pela análise de dados”, afirma Rogério Leme, diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
A tecnologia na gestão de pessoas pode ajudar em diversas tarefas. A Solides, por exemplo, inclui ferramentas de análise comportamental, avaliação de desempenho, gestão de treinamento, recrutamento e seleção. O sistema é capaz de fazer análises preditivas — como antever qual será a adaptação de um líder a uma determinada equipe e vice-versa. Outra solução da área de people analytics é a Pin People. Ela é capaz de realizar mapeamento da cultura organizacional de uma empresa, análise do fit cultural de candidatos e acompanhamento da experiência de colaboradores.
6. Contra o desânimo
Cedo ou tarde, um colaborador se sentirá desmotivado. Seja por insatisfação com o salário, ambiente competitivo ou simplesmente por uma rotina estressante, o moral inevitavelmente vai cair. É importante identificar situações assim para que um negócio não perca alguns de seus principais talentos. Queda de produtividade, erros seguidos em tarefas básicas e atrasos constantes são algumas evidências de que um colaborador passa por um momento ruim e requer atenção.
Pequenas atitudes podem melhorar isso. Conversas para alinhar os objetivos entre a empresa e o funcionário são importantes. Eventos informais internos podem ajudar a trazer sintonia à equipe e melhorar as relações pessoais e profissionais. Outra opção é definir bônus segundo desempenhos individuais ou em equipe. Hierarquias horizontais e ambiente de trabalho amigável e que incentive sugestões de ideias também são valiosos
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