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Sua empresa já está construindo o orçamento de 2027?

Fechar bem 2026 e preparar o próximo ano são responsabilidades simultâneas. O resultado do primeiro trimestre depende de decisões que precisam acontecer agora

Quanto sua empresa pretende crescer em 2027? E quanto precisará investir, contratar e financiar? Sem essas respostas, a meta de crescimento precisa ganhar consistência.

Para empresas cujo exercício vai de janeiro a dezembro, agora é a hora de construir o orçamento. O ideal é começar o ano com as prioridades validadas, os recursos definidos e as metas disseminadas, de forma que cada equipe compreenda sua contribuição.

Isso exige transformar o planejamento em ação ainda em dezembro. Uma campanha comercial precisa ser preparada. Em uma empresa de serviços, ampliar a capacidade de atendimento pode exigir seleção, treinamento e revisão de processos antes da chegada de novos clientes.

O resultado de março pode depender de uma decisão de outubro.

Dois horizontes, uma mesma liderança

O último trimestre concentra uma tensão conhecida: entregar os resultados do ano e preparar o seguinte. Quando a pressão aumenta, o planejamento costuma perder espaço para as urgências.

É aí que a ambidestria da liderança se torna concreta: mobilizar a organização para fechar bem 2026 e, ao mesmo tempo, construir as condições para começar 2027 com capacidade de entrega.

Isso exige reservar agenda e decidir enquanto a operação continua. O esforço para alcançar a meta de dezembro precisa conviver com a preparação das vendas, dos projetos e das entregas do primeiro trimestre.

Deixar essa conversa para janeiro significa consumir parte do novo exercício organizando o que já deveria estar em execução.

Orçar é fazer escolhas

O orçamento traduz a estratégia em compromissos concretos. Onde investir? Que despesas rever? Qual resultado justificará o capital empregado?

Sem essa discussão, a urgência passa a distribuir os recursos. Uma contratação acontece pela sobrecarga da equipe. Uma plataforma de atendimento é contratada porque surgiu uma condição comercial. Um desconto é concedido para fechar o mês. Juntas, essas decisões podem comprometer a rentabilidade.

Por isso, o orçamento precisa ser construído com as lideranças que vão executá-lo. A área financeira organiza e testa os números. A direção define prioridades, resolve conflitos e cobra coerência entre as propostas.

O que 2027 exige colocar na conta

No relatório Focus com expectativas coletadas até 9 de outubro, publicado pelo Banco Central, as medianas para 2027 apontavam crescimento do PIB de 1,40%, inflação de 4,30% e Selic de 12% ao fim do ano. São expectativas de mercado, sujeitas a revisão.

Se a empresa planeja avançar muito acima da economia, precisa explicar como conquistará mercado, ampliará sua oferta ou aumentará a receita por cliente. Também precisa testar o custo do financiamento, que não se resume à Selic.

A transição tributária acrescenta outra frente. Segundo o cronograma da Receita Federal, 2027 marca a cobrança da CBS em substituição ao PIS e à Cofins. A substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS começa em 2029.

É necessário avaliar os efeitos sobre preços, créditos, margens e caixa, além de prever recursos para adequar sistemas e processos. Repetir os percentuais de 2026 pode distorcer a projeção.

A inteligência artificial também precisa estar na pauta do orçamento. Diante da velocidade dessa transformação, quais atividades podem ser automatizadas ou aprimoradas? Onde é possível reduzir retrabalho, melhorar o atendimento e liberar tempo das equipes? A discussão deve conectar oportunidades de eficiência aos custos de tecnologia, integração e capacitação, com responsáveis, prazos e metas verificáveis. Comprar uma ferramenta, por si só, não entrega produtividade.

Da intenção ao plano de execução

Comece pelo desempenho de 2026, separando resultados recorrentes de efeitos pontuais. Uma venda excepcional não deve virar receita garantida; uma despesa extraordinária não precisa ser reproduzida automaticamente.

Detalhe as prioridades de 2027. Cada iniciativa deve ter responsável, prazo, recursos e resultado esperado. Distribua as projeções por mês, considerando sazonalidade, reajustes, investimentos e vencimentos de dívidas.

Analise lucro e caixa em conjunto. Teste um cenário adverso e defina quais decisões serão revistas se as vendas ficarem abaixo do esperado. Evite tratar crédito não aprovado, contratos não assinados ou ganhos de eficiência sem plano de execução como certezas.

Durante o ano, compare mensalmente o realizado com o previsto e atualize as projeções, preservando a referência original. O orçamento ganha valor quando orienta decisões e permite corrigir a execução.

A virada do calendário não prepara equipes, não desenvolve clientes e não cria capacidade de entrega.

Se a sua empresa só começar a construir 2027 em janeiro, quanto do primeiro trimestre já terá sido perdido por decisões que ninguém tomou agora?