Fluxo de caixa da pequena empresa em 5 passos
Vender bem não garante dinheiro disponível para pagar as contas. Para evitar esse problema, o pequeno empreendedor precisa acompanhar as entradas e saídas de recursos
Vender bem no mês e, mesmo assim, não ter dinheiro na conta para pagar o fornecedor é uma das situações mais comuns para quem tem um pequeno negócio. Na maioria das vezes, o problema não está nas vendas, e sim em não saber com antecedência quando o dinheiro entra e quando ele sai. É essa visão que o fluxo de caixa da pequena empresa oferece, e ela pode ser montada com uma planilha simples e alguns minutos por semana. Confira os detalhes a seguir.
principais detalhes sobre o Fluxo de caixa
- Fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entra e sai; lucro mostra quanto sobrou no período, por isso, uma empresa pode dar lucro e ficar sem caixa.
- Para montar: defina o saldo inicial, lance entradas e saídas pela data real, calcule o saldo de cada semana e compare previsto com realizado.
- A partir de 1º de janeiro de 2027, ME e EPP do Simples Nacional perdem o regime de caixa por causa da Reforma Tributária.
- Emitir nota fiscal corretamente alimenta o fluxo de caixa automaticamente, sem digitação dupla.
O que é fluxo de caixa e por que ele é diferente do lucro?
Fluxo de caixa, basicamente, é a lista de entradas e saídas de dinheiro da empresa, cada uma na data em que acontece. Nas entradas são incluídas vendas recebidas, Pix, cartões liquidados e boletos pagos. Nas saídas vão fornecedores, aluguel, salários, impostos e a retirada do dono.
Para saber o lucro é preciso responder a outra pergunta: quanto sobrou depois de descontar custos e despesas das vendas do período? Ele considera a venda no mês em que foi feita, mesmo que o cliente pague depois. Para entender esse cálculo em detalhe, veja o guia de como calcular o lucro da pequena empresa.
Por isso, uma empresa pode dar lucro e ficar sem caixa. Imagine uma loja que vende R$ 30 mil em setembro e tem lucro de R$ 5 mil no mês. Se R$ 18 mil dessas vendas foram parceladas no cartão ou a prazo, esse dinheiro só entra em outubro e novembro. Enquanto isso, aluguel, folha e fornecedores vencem em setembro.
| Lucro | Fluxo de caixa | |
|---|---|---|
| Pergunta que responde | A empresa ganhou dinheiro no período? | Vai ter dinheiro para pagar as contas na data? |
| Quando a venda conta | No mês da venda | No dia em que o dinheiro entra |
| Para que serve | Avaliar se preço e custos estão certos | Planejar pagamentos e evitar falta de dinheiro |
O intervalo entre pagar e receber é coberto pelo capital de giro. Se você ainda não calculou o seu, o artigo Capital de giro: o que é e como calcular na pequena empresa mostra o passo a passo.
Como montar o fluxo de caixa em 5 passos?
Para montar o fluxo de caixa, você pode começar em uma planilha simples, com colunas para data, descrição, entrada, saída e saldo. O que faz o fluxo funcionar é a rotina, não a ferramenta.
- Defina o período e o saldo inicial. Comece pelo saldo que está hoje na conta da empresa. Acompanhe semana a semana para o mês corrente e mês a mês para os três seguintes. Esse controle só é confiável com a conta de Pessoa Jurídica (PJ) separada da pessoal, como explica o guia Como organizar finanças da empresa e evitar riscos fiscais.
- Lance as entradas pela data em que o dinheiro cai. Uma venda no cartão de crédito parcelada em três vezes vira três entradas, uma por mês. O boleto com vencimento dia 20 entra no dia 20, e não no dia da venda.
- Lance todas as saídas, inclusive as que não têm boleto. Além de fornecedores, aluguel e folha, entram impostos como o DAS, tarifas bancárias, parcelas de empréstimo e a sua retirada. Despesas anuais, como IPVA ou renovação de certificado digital, entram no mês em que vencem.
- Calcule o saldo e olhe para frente. O saldo de cada semana é o saldo anterior mais entradas menos saídas. É nesse passo que o aperto aparece antes de acontecer, como mostra o exemplo abaixo.
- Compare o previsto com o realizado toda semana. Marque o que de fato entrou e saiu, ajuste as previsões e registre atrasos de clientes. Afinal, um fluxo que não é atualizado vira só uma estimativa.
| Semana | Saldo inicial | Entradas | Saídas | Saldo final |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 8.000 | 6.500 | 9.200 | 5.300 |
| 2 | 5.300 | 7.000 | 4.100 | 8.200 |
| 3 | 8.200 | 5.800 | 11.500 | 2.500 |
| 4 | 2.500 | 9.400 | 6.300 | 5.600 |
O mês fecha positivo, mas a semana 3 concentra folha, aluguel e DAS e deixa só R$ 2.500 na conta. Com essa informação em mãos no início do mês, o dono pode negociar o prazo com um fornecedor ou antecipar uma cobrança.
Atenção para 2027
A partir de 1º de janeiro de 2027, ME e EPP do Simples Nacional deixam de poder apurar os tributos pelo regime de caixa, por causa das novas regras da Reforma Tributária. Na prática, quem vende a prazo passa a pagar o DAS antes de receber do cliente. Se esse é o seu caso, inclua esse efeito na projeção dos próximos meses. Saiba mais em Regime de caixa será extinto para empresas do Simples Nacional.
Quais erros comuns quebram o fluxo de caixa de pequenos negócios?
A maioria dos problemas de caixa não vem de vender pouco. Vem de lançamentos esquecidos ou de datas erradas.
- Tratar venda como dinheiro na conta. A venda parcelada ou a prazo só vira caixa no recebimento. E lançar tudo na data da venda faz o saldo parecer maior do que é.
- Misturar contas pessoais e da empresa. Uma compra pessoal paga pela conta PJ some do controle e distorce o saldo. Veja outros erros de gestão em 5 erros que podem impedir o seu negócio de crescer.
- Fazer retiradas sem valor fixo. Tirar dinheiro do caixa sempre que sobra torna qualquer previsão inútil. Defina um valor mensal de retirada e lance como saída fixa.
- Esquecer as despesas que não vencem todo mês. Décimo terceiro, férias, impostos anuais e manutenção de equipamentos chegam juntos e pegam o caixa de surpresa. A dica é dividir o valor anual por 12 e reservar todo mês.
- Operar sem reserva. Sem capital de giro, qualquer atraso de cliente vira conta atrasada. Uma referência é manter o equivalente a seis meses de despesas fixas.
- Ignorar as mudanças da Reforma Tributária. Com o split payment, o valor do imposto será separado no momento do pagamento e não passará mais pelo caixa da empresa. Entenda o impacto em Split payment na Reforma Tributária.
6 meses de despesas fixas é a reserva de capital de giro usada como referência para proteger o fluxo de caixa de atrasos de clientes.
Como a emissão de notas fiscais ajuda a manter atualizado?
Cada nota fiscal emitida é uma venda com valor, data e cliente registrados. Quando a emissão é feita no sistema, esses dados viram a base das entradas do fluxo de caixa da pequena empresa, sem digitação dupla.
Na prática, o caminho é este:
- A venda gera a nota fiscal, com valor e condição de pagamento.
- A nota cria uma conta a receber, com a data prevista de cada parcela.
- A conta a receber aparece como entrada prevista no fluxo de caixa.
- Quando o cliente paga, a entrada passa de prevista para realizada.
O mesmo vale para as compras, pois as notas recebidas de fornecedores mostram o que a empresa deve pagar e quando, o que alimenta as saídas previstas.
Quem emite nota para todas as vendas também evita o erro de esquecer receitas no controle. E, com a Reforma Tributária, a nota correta passa a ser também a condição para aproveitar créditos de IBS e CBS nas compras.
Qual a diferença entre fluxo de caixa e capital de giro?
O fluxo de caixa registra quando o dinheiro entra e sai da empresa. O capital de giro é o valor disponível para pagar as contas no intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes. O fluxo mostra se esse valor vai ser suficiente em cada semana. Veja como calcular em Capital de giro: o que é e como calcular na pequena empresa.
Com que frequência atualizar o fluxo de caixa?
Que ferramentas ajudam a automatizar o fluxo de caixa?
O ideal é lançar as movimentações todos os dias ou, no mínimo, uma vez por semana. A revisão das previsões para os próximos meses pode ser mensal. Quanto mais vendas a prazo a empresa faz, mais curto deve ser o intervalo de atualização.
Que ferramentas ajudam a automatizar o fluxo de caixa?
O ideal é lançar as movimentações todos os dias ou, no mínimo, uma vez por semana. A revisão das previsões para os próximos meses pode ser mensal. Quanto mais vendas a prazo a empresa faz, mais curto deve ser o intervalo de atualização.
Que ferramentas ajudam a automatizar o fluxo de caixa?
Uma planilha resolve no começo, mas exige lançamento manual de tudo. Sistemas de gestão financeira importam o extrato bancário, controlam contas a pagar e a receber e geram o fluxo de caixa sozinhos. Integrado ao emissor de notas fiscais, o sistema registra cada venda como entrada prevista, sem digitação