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Premissas erradas fabricam cenários e decisões ruins

Um planejamento sem premissas robustas pode conduzir a empresa para erros em análises e em tomadas de decisões

Planejamento sem premissas robustas pode conduzir a empresa para erros em análises e tomada de decisão. A falha pode começar mesmo antes do plano. Quando isso acontece, o planejamento apenas organiza a execução de um erro.

Na prática, um orçamento de resultados do exercício que se baseia em juros, inflação e câmbio terá impacto na precificação de receitas e custos. Isso altera as projeções de resultado operacional, fluxo de caixa e custo de capital. Portanto, premissas críticas devem passar por testes e validação, assim como é importante a definição de gatilhos formais para a revisão do plano.

Planejamento e modelagem financeira não falham somente por execução, mas por falha em premissas.

Com frequência, as organizações utilizam dados históricos como base para projetar indicadores futuros, como crescimento de vendas, taxa de conversão comercial, prazo médio de recebimento, etc. Mas como essas variáveis vão se comportar no próximo ciclo da operação? Há novos concorrentes surgindo no mercado? Haverá restrição na oferta de itens que podem não abastecer a demanda de vendas?

O risco associado às premissas aumenta quando são considerados fatores políticos para justificar o cenário desejado. Por exemplo, acionistas e conselheiros podem determinar o percentual de crescimento esperado para que o resultado do negócio seja satisfatório e rentável.

Os detentores do capital estão obtendo uma rentabilidade atrativa na operação ou, diante do atual cenário de taxa de juros, seria mais vantajoso alocar os recursos em aplicações de risco controlado e retorno consistente?

Aspectos macroeconômicos costumam ser negligenciados, mesmo que o cenário geopolítico internacional possa influenciar os custos operacionais. Em uma empresa que depende de importar insumos, a variação cambial é relevante, assim como, em operações logísticas, o preço do barril de petróleo e a oferta no mercado internacional podem afetar o preço do combustível

Cenários financeiros não surgem na realidade, mas em premissas nas quais se escolhe acreditar.

Quais perguntas-chave podem dar robustez e proteger as decisões estratégicas na empresa?

1) A premissa em questão tem origem em dados ou em expectativas?

2) Como variações na premissa podem impactar o cenário projetado?

3) O mercado valida essa premissa com indicadores confiáveis?

4) Caso mude a premissa, qual é o gatilho para revisão de cenário?

5) Quem são os patrocinadores da premissa dentro da organização?

Cada questionamento listado tem um peso relevante para criar um planejamento consistente, que blinda quem constrói as ferramentas e análises e, consequentemente, protege os tomadores de decisão do negócio na busca por otimizar os resultados e interesses organizacionais.

Estratégias de sucesso não dependem somente de uma execução competente e responsável, mas também das premissas sujeitas a testes de estresse e construídas com base em método, dados e visão do todo.

Qual premissa que, se estiver errada, destrói o plano?

Que indicador vai avisar o mais rápido possível que a premissa está errada?

E se o plano der errado, qual é o plano B para garantir a sustentabilidade do negócio?

Mesmo após uma construção robusta de cenários, a realidade costuma ser fria e implacável. Nem sempre há tempo hábil durante o processo e principalmente as conclusões podem ser desagradáveis. Um cenário bem construído pode mostrar que as estratégias da empresa são ruins, que há mais risco do que se pensava em seguir determinado caminho ou ainda que premissas são escolhidas por ego.

Desejo é diferente de premissa.

Interesses não sustentam o negócio sem uma base sólida na tomada de decisão.

Empresas raramente quebram porque não crescem, mas porque crescem apoiadas em premissas frágeis.

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