A reforma tributária trará uma mudança crítica para a gestão de compras e suprimentos corporativos no Brasil. No novo sistema (IBS/CBS), o aproveitamento de créditos tributários deixa de ser automático na emissão da Nota Fiscal e passa a depender do efetivo recolhimento do imposto pelo fornecedor.
Na prática, negociar com parceiros em débito com o Fisco passa a gerar risco direto de perda de crédito de até 27% sobre a operação, eliminando eventuais ganhos comerciais negociados no contrato.
Para evitar rombos financeiros de última hora, as companhias começam a adotar a avaliação prévia do score fiscal de fornecedores, um modelo de inteligência de dados que mensura a saúde tributária e o risco de inadimplência da cadeia produtiva antes do fechamento de contratos.
Para Lucas Madureira, co-CEO da Gedanken, líder em tecnologia para homologação de fornecedores e na gestão de riscos com credibilidade e segurança, a lógica de mercado muda drasticamente com a nova legislação.
“Durante anos, o setor de compras priorizou preço e prazo. Agora, um desconto comercial aparentemente atraente vira prejuízo de caixa no final do mês se o fornecedor não recolher o imposto devido. O contratante acaba assumindo o passivo da operação”, explica o executivo.
De acordo com o especialista, o impacto é multiplicador em contratos de grande porte.
“Em uma aquisição de R$ 10 milhões em insumos ou serviços, por exemplo, o não recolhimento do tributo pelo fornecedor pode significar a perda imediata de R$ 2,7 milhões em créditos para a empresa compradora”, explica Madureira.
Diante desse cenário, a verificação contínua do comportamento tributário histórico e do perfil fiscal dos parceiros deixa de ser um mero checklist do departamento contábil e assume papel central na prevenção de riscos operacionais.
Para elea, a pergunta decisiva do setor de suprimentos passa a ser sobre a probabilidade real de o fornecedor estar em dia com o Fisco.
“O score fiscal traz a previsibilidade técnica necessária para que o comprador não seja pego de surpresa e consiga proteger a margem do seu negócio”, frisa Lucas.
Ainda segundo o executivo, a expectativa do mercado é que o indicador passe a ser critério obrigatório para cadastramento, renovação e homologação de contratos B2B nos setores de indústria, varejo e serviços em todo o país.
“Não se trata mais de burocracia contábil, mas de sobrevivência operacional. Em pouco tempo, nenhuma grande empresa fechará contratos B2B sem checar esse indicador, porque ninguém quer correr o risco de ver a margem do negócio anulada pela inadimplência do fornecedor”, finaliza.
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| Atualizado em: 20/09/2026 19:00 | ||
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