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O novo papel dos advogados na era dos dados como o jurídico se tornou essencial na proteção da privacidade

O Dia Mundial da Privacidade traz a refleção sobre como a revolução digital é intensificada pela chegada e consolidação da LGPD

No Dia Mundial da Privacidade, é tempo de refletir sobre como a revolução digital, intensificada pela chegada e consolidação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), transformou não apenas o ambiente corporativo, mas também o próprio perfil do advogado.

A LGPD não apenas assegurou direitos aos titulares de dados, como também impôs às empresas a obrigação de garantir a segurança e a transparência no tratamento dessas informações. Essa nova realidade exigiu que o setor jurídico deixasse de atuar de forma reativa — apenas em momentos de crise — para assumir um papel estratégico na governança de dados, no compliance digital e na gestão de riscos.

O perfil do advogado moderno mudou. O profissional precisa compreender tecnologia, cibersegurança, marketing e reputação corporativa, traduzindo a legislação em práticas claras e aplicáveis a todos os setores de uma organização. Hoje, o jurídico é tão parte do planejamento estratégico quanto as áreas de TI e comunicação, e atua como ponte entre o direito e a inovação.

A LGPD dentro dos escritórios

Se antes os advogados lidavam apenas com documentos físicos e informações processuais, hoje os próprios escritórios são responsáveis por volumes expressivos de dados pessoais e sensíveis: de clientes, partes, testemunhas e colaboradores.

A LGPD também se aplica a essas estruturas jurídicas, que devem implementar controles rigorosos de segurança da informação, políticas de confidencialidade e fluxos internos de tratamento de dados.

O armazenamento em nuvem, o uso de softwares jurídicos e a comunicação digital com clientes exigem que o escritório adote medidas técnicas e administrativas equivalentes às exigidas das empresas que assessora. A cultura da privacidade, portanto, precisa começar dentro de casa.

Cibercrimes e falsos advogados

Nos últimos meses, a advocacia brasileira tem enfrentado novas ameaças digitais. Criminosos cibernéticos têm explorado processos públicos eletrônicos para obter dados sensíveis, falsificar petições e aplicar golpes em clientes, em especial, por meio de contatos fraudulentos em nome de advogados ou escritórios.

O chamado “golpe do falso advogado” é um exemplo: criminosos se passam por profissionais reais, utilizam informações de ações judiciais disponíveis em sistemas públicos e tentam extorquir valores de supostas custas ou honorários. Esses casos reforçam a necessidade de que os escritórios adotem políticas de segurança digital, autenticação de comunicações e orientação constante aos clientes.

O jurídico, nesse contexto, precisa estar tão atento à prevenção de ataques quanto à orientação legal. É imprescindível investir em treinamento interno, controle de acessos, dupla verificação em sistemas e uso de canais oficiais de comunicação. O advogado do futuro — ou melhor, do presente — é também um gestor de riscos digitais.

A convergência entre direito, tecnologia e confiança

O advogado da era dos dados não se limita mais a interpretar leis; ele atua como elo entre o mundo jurídico, o tecnológico e o corporativo. É quem assegura que as estratégias de inovação estejam em conformidade com as normas, quem traduz a LGPD em políticas práticas e quem protege não apenas informações, mas a reputação e a confiança de clientes e empresas.

Neste Dia Mundial da Privacidade, o convite é à reflexão: estamos preparados para um ambiente em que a privacidade é sinônimo de credibilidade?

Os escritórios que entendem essa nova realidade e colocam a segurança da informação e a ética digital no centro da sua atuação, não apenas cumprem a lei, mas se consolidam como agentes fundamentais de um futuro mais seguro, transparente e responsável.

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